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Diretora do CDC desafia anúncio de demissão e afirma que segue no comando

Política

Washington, 27 de março – A epidemiologista Susan Monarez, indicada pelo Senado para chefiar os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), contestou oficialmente a informação divulgada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) de que estaria fora do cargo. Em nota protocolada por seus advogados, ela garante que não renunciou, não recebeu demissão válida e continua legalmente responsável pela agência de saúde.

Disputa sobre autoridade de demissão

O impasse começou após o site do CDC passar a exibir a função de diretor como “vaga”. Logo em seguida, o HHS publicou no X (antigo Twitter) um agradecimento pelos “serviços prestados” por Monarez, afirmando que a médica não fazia mais parte da liderança do órgão.

A reação foi imediata. Em postagem no Bluesky, o advogado Mark Zaid, que representa Monarez ao lado de Abbe Lowell, declarou que “apenas o presidente​, por ser a autoridade nomeadora, pode exonerar uma diretora confirmada pelo Senado”. Segundo o jurista, a comunicação enviada por funcionários da Casa Branca seria “juridicamente inválida” por não ter sido assinada pelo próprio chefe do Executivo.

“Ela não vai renunciar”, frisou Zaid. Para a defesa, qualquer afastamento só poderia ocorrer mediante ato presidencial formal, o que não aconteceu. Assim, Monarez mantém-se no comando do CDC até nova deliberação do Senado ou ordem direta do presidente.

Justificativas do governo

Questionada sobre a polêmica, a Casa Branca afirmou que a diretora “não estava alinhada com a agenda” do presidente Donald Trump. De acordo com o porta-voz Kush Desai, a recusa de Monarez em aderir a novas diretrizes passou a “atrapalhar a implementação de políticas prioritárias” na área de saúde pública.

Nos bastidores, integrantes do governo relatam que a epidemiologista se opôs a orientações consideradas mais flexíveis para determinados protocolos sanitários, posição vista como desacordo com o plano apresentado pelo secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr. Ainda segundo fontes do HHS, foi sugerido que Monarez se demitisse de forma voluntária – proposta rejeitada pela médica.

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Em comunicado conjunto, Zaid e Lowell rebatem essa narrativa. Ao defender a cliente, a dupla acusa o HHS de “politizar” a gestão sanitária por insistir em ações “não científicas e irresponsáveis” que a diretora se recusou a endossar. Eles sustentam que, por se tratar de indicação confirmada pelo Senado, qualquer tentativa de afastamento fora do rito legal atinge não apenas a médica, mas também a prerrogativa constitucional do Legislativo.

Reações dentro do CDC

Apesar da confusão, servidores do CDC seguem operando normalmente. Fontes internas afirmam que a equipe técnica aguarda orientação clara sobre a chefia. Até o fechamento desta matéria, nenhum memorando interno fora emitido para definir substituição ou interinidade.

O secretário Robert Kennedy Jr. reforçou em rede social que “confia plenamente” nos profissionais do CDC e garantiu que a agência “continuará vigilante” no combate a doenças infecciosas. Ele, porém, não mencionou a eventual nomeação de um diretor interino nem deu detalhes sobre quem responde pela pasta até a resolução do impasse.

Próximos passos

Especialistas em direito administrativo apontam duas saídas imediatas: um decreto presidencial formalizando a exoneração ou a manutenção de Monarez até que o Senado aprove outro nome. Qualquer solução intermediária, como designar interino sem ato oficial, tende a gerar contestação judicial semelhante à já apresentada.

Por ora, Susan Monarez mantém a posição de que ainda lidera o CDC, enquanto o HHS sustenta publicamente que o posto está vazio. A disputa lança novo holofote sobre o controle de agências federais e evidencia a tensão entre burocracia técnica e agenda política em ano eleitoral.

Para acompanhar outras movimentações na arena política norte-americana, o leitor pode conferir a nossa seção dedicada em Política.

Em síntese, a permanência ou não de Susan Monarez no CDC depende agora de um ato formal da Casa Branca ou de decisão do Senado. Até lá, a controvérsia permanece aberta. Fique ligado e ative as notificações para receber os próximos desdobramentos.

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