Brasília, 25 ago. 2025 – A direita brasileira volta a exibir fissuras entre o núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e governadores alinhados ao Centrão. Declarações recentes de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) contra chefes dos Executivos estaduais do Sul e Sudeste escalaram a tensão e expuseram a disputa por protagonismo rumo às eleições de 2026.
Bolsonaro inelegível cria espaço para novas lideranças
Com Jair Bolsonaro impedido de concorrer até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, nomes como Romeu Zema (Novo-MG), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR) passaram a circular como potenciais candidatos ao Planalto. O movimento ganhou força após Zema lançar pré-candidatura um dia antes de Carlos Bolsonaro classificar governadores como “ratos oportunistas” interessados apenas em herdar o capital político do ex-mandatário.
Para o cientista político Alexandre Bandeira, “não há vácuo no poder”. A inelegibilidade abriu espaço para acordos entre partidos do Centrão e gestores estaduais, que buscam ampliar a agenda além da anistia a presos do 8 de Janeiro. Esse ponto, porém, permanece central para a família Bolsonaro, que mira o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a queda das condenações impostas ao ex-chefe do Executivo.
União Progressista fortalece bloco pragmático
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP em 19 de agosto, consolidou o Centrão como maior força institucional do Congresso. A aliança reúne 109 deputados, expressiva bancada no Senado, cerca de 1 300 prefeituras, sete governos estaduais e acesso a quase R$ 1 bilhão do fundo eleitoral. Esse volume de recursos pode ser decisivo para bancar uma campanha presidencial afastada da influência direta do clã Bolsonaro.
Bandeira avalia que Tarcísio e Caiado já prometeram indulto a Bolsonaro se eleitos, mas não abandonam a pauta econômica e a segurança pública, consideradas mais palatáveis a segmentos empresariais e ao eleitor preocupado com emprego. Caso não ocorra consenso, o especialista projeta primeiro turno dividido: de um lado, um candidato apadrinhado pelo Centrão; de outro, um nome claramente vinculado à família Bolsonaro e ao PL.
Ideologia versus pragmatismo: duas agendas em choque
Núcleo bolsonarista define ser de direita como defesa vehemente de valores morais, da família e da vida desde a concepção. Já governadores identificados com o Centrão priorizam responsabilidade fiscal, geração de empregos e investimentos em segurança, ainda que mantenham discurso conservador moderado.
O comportamento diante do Supremo Tribunal Federal separa os grupos. Enquanto aliados de Bolsonaro pressionam pela anistia dos manifestantes de 8 de Janeiro e hostilizam ministros, gestores estaduais evitam confronto aberto para não comprometer ações judiciais de interesse dos estados.
Para Juan Carlos Arruda, CEO do Ranking dos Políticos, o desafio é conciliar a pauta de costumes, que mobiliza militância, com a agenda econômica, que atrai empresários. Sem integração, a direita corre risco de fragmentação e perda de competitividade nacional.
São Paulo em 2024 foi laboratório da divisão
A eleição municipal de 2024 na capital paulista antecipou o cenário atual. O então prefeito Ricardo Nunes (MDB) recebeu apoio de Jair Bolsonaro, numa decisão pragmática pela manutenção de influência no maior colégio eleitoral do país. Paralelamente, o empresário Pablo Marçal (PRTB) capturou parcela do eleitorado conservador ao se apresentar como alternativa “pura” de direita.


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Imagem: Vinícius Sales
O embate evidenciou dois caminhos: uma coalizão ampla, disposta a negociar com partidos tradicionais, e um projeto ideológico centrado nas bandeiras bolsonaristas.
Capital político de Bolsonaro segue predominante
Segundo o professor Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, Jair Bolsonaro continua sendo o nome de maior recall na direita, superando, inclusive, a projeção de governadores fora de seus estados. Para o pesquisador, os filhos do ex-presidente carregam essa herança e, por enquanto, detêm vantagem interna.
Ainda assim, governadores como Tarcísio e Caiado contam com visibilidade administrativa e recursos partidários robustos. A equação entre popularidade, apoio institucional e financiamento eleitoral decidirá quem herdará a liderança do campo conservador em 2026.
Nesse contexto, a aliança ou o confronto entre a família Bolsonaro e o bloco governadores-Centrão definirá a configuração da chapa presidencial e o grau de unidade da direita no próximo pleito.
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Em síntese, a direita encara o dilema de equilibrar idealismo bolsonarista e pragmatismo governista. A resolução dessa disputa vai indicar se o campo conservador chega forte e unido a 2026 ou se repetirá a divisão vista em disputas recentes. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique informado sobre os próximos capítulos dessa disputa estratégica.

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