O documentário “Caçador de Marajás”, disponível no Globoplay, reconstrói a trajetória do ex-presidente Fernando Collor de Mello e aponta similitudes com a ascensão de Jair Bolsonaro, traçando um panorama de quatro décadas da política nacional.
Produção reúne nomes de diferentes campos
Dirigido pela equipe do jornalismo da Globo, o filme traz depoimentos de personalidades como o jornalista Peninha, o escritor Xico Sá, o ex-senador Lindbergh Farias e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. O material percorre da campanha de 1989 até o processo de impeachment, quando Collor deixou o Palácio do Planalto em 1992.
Na narrativa, a obra apresenta o ex-presidente como um fenômeno eleitoral que se projetou nacionalmente com discurso anticorrupção e promessas de modernização. Ao mesmo tempo, evidencia conflitos permanentes com o Congresso, choques com a imprensa e a influência exercida por familiares nos bastidores do poder.
Collor e Bolsonaro: trajetórias convergentes
O filme compara a caminhada de Collor com a de Bolsonaro em cinco pontos centrais:
1. Candidatura de fora do eixo tradicional: ambos surgiram como alternativas ao que classificaram de “sistema”.
2. Campanha sustentada em forte presença midiática: Collor utilizou programas de televisão; Bolsonaro, redes sociais.


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3. Relacionamento conturbado com a imprensa: críticas constantes e respostas diretas marcaram os dois mandatos.
4. Participação de familiares: em ambos os governos membros da família ganharam visibilidade e influência.
5. Desfecho inédito na história recente: Collor sofreu impeachment e, anos depois, foi eleito senador; Bolsonaro concluiu o mandato, não se reelegeu e hoje cumpre prisão domiciliar por decisão do STF.
Cenário político permanece quase intacto
Segundo o documentário, temas recorrentes no período Collor seguem presentes: pressão do chamado Centrão por cargos, participação ostensiva de artistas em campanhas e a manutenção de antagonismos liderados pelo presidente Lula. A obra sugere que, apesar de mudanças de atores, a engrenagem política continua guiada pelos mesmos métodos de negociação e disputa.
O filme também destaca a força da esperança popular depositada no Estado. Para os produtores, essa expectativa se repete a cada eleição, independentemente do governante que assume o Planalto.

Imagem: Divulgação
Pós-mandato e a marca do judiciário
Collor foi declarado inelegível na década de 1990, mas recuperou os direitos políticos e retornou ao Congresso em 2007. Bolsonaro, por sua vez, responde a processos que resultaram em ineligibilidade até 2030 e, desde setembro de 2025, cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo. O paralelo ilustra como decisões judiciais moldam a reputação de ex-presidentes e influenciam o debate público.
Declínio do nível de debate público
Entrevistados atentos à comunicação política comentam que referências culturais, vocabulário e qualidade argumentativa teriam se deteriorado desde os anos 1990. O diagnóstico aponta que redes sociais ampliaram o acesso à informação, mas também facilitaram a disseminação de ataques pessoais e conteúdos sem checagem.
Imprensa e poder: da influência ao questionamento
“Caçador de Marajás” recorda um tempo em que grandes veículos eram chamados de “quarto poder”. A produção ressalta que, com a ascensão de plataformas digitais, o monopólio da informação se fragmentou; ainda assim, órgãos tradicionais buscam reafirmar protagonismo ao pautar investigações e denúncias.
Comparações com outras figuras políticas
A obra cria analogias entre Lula e José Sarney, indicando semelhanças na forma de costurar alianças. Também aborda a atuação das primeiras-dama: Rosane Collor, vista como discreta, e Janja Lula da Silva, mais presente em agendas públicas.
Repercussão e audiência
Lançado em outubro de 2025, o documentário obteve alta audiência na plataforma de streaming da Globo e reacendeu discussões sobre ética, justiça e repetição de práticas políticas. Especialistas ouvidos na produção avaliam que conhecer esses ciclos ajuda o eleitor a identificar promessas já testadas em outras gestões.
Para quem busca compreender os bastidores do poder e o papel das instituições no Brasil, “Caçador de Marajás” oferece um retrato minucioso de disputas que atravessam gerações de governantes.
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O documentário evidencia que, pouco importam os protagonistas, certos mecanismos se mantêm. Conhecer esse histórico é fundamental para avaliar promessas futuras e cobrar responsabilidade de quem ocupa funções públicas.
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