Uma transcrição do depoimento prestado pelo general Mario Fernandes à Justiça Militar contradiz a versão veiculada por diversos veículos de comunicação que, na última semana, anunciaram uma “confissão” sobre um suposto plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre de Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Depoimento nega planejamento de homicídio
No interrogatório realizado no fim de julho, Fernandes declarou que jamais elaborou ou compartilhou qualquer estratégia de execução contra autoridades. Segundo a ata da audiência, o militar explicou ter reunido, em arquivos de texto, “pensamentos digitalizados” que remetiam a opiniões pessoais e hipotéticas, sem caráter operacional. Esses arquivos, impressos em poucas folhas dentro do Palácio do Planalto, não foram encaminhados a terceiros nem discutidos com superiores hierárquicos.
O ponto central do depoimento é a negação expressa de intenção criminosa. Fernandes afirmou que não conversou sobre o assunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, tampouco com o então ajudante de ordens, coronel Mauro Cid, considerado peça-chave nas investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Contraste entre manchetes e conteúdo oficial
A cobertura inicial de grandes portais descreveu o depoimento como “confissão de plano de assassinato”, apresentando a narrativa de que a fala confirmaria uma conspiração armada ligada ao chamado “golpe de 8 de janeiro”. Ao confrontar as manchetes com o documento protocolado no processo, verifica-se que:
- Não há indicação de repasse de ordens ou instruções para terceiros.
- O militar classifica o material como “devaneios pessoais”, sem passo a passo de execução.
- O arquivo não circulou fora do computador funcional onde foi redigido.
Em síntese, o depoimento registra uma negativa direta de qualquer ato preparatório. Nenhuma arma, recurso logístico ou reunião de planejamento consta nos autos. A divergência entre a versão jornalística e o teor da audiência levou advogados de defesa a solicitar retificação pública.
Investigação não apresenta prova material de complô
Até o momento, o inquérito sobre suposto atentado não anexou evidências físicas — como armas, mapas ou registros de compra de insumos — capazes de enquadrar o caso como tentativa de homicídio qualificado. A PGR baseia a narrativa essencialmente em conversas de aplicativos e em relatórios de inteligência que citam “intenção” ou “solidariedade” a atos antidemocráticos. Nenhum desses elementos, porém, se converteu em denúncia formal por crime de homicídio.


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Especialistas em direito penal lembram que o artigo 17 do Código Penal exige atos inequívocos voltados à execução para caracterizar tentativa de crime. Pensamentos, ainda que registrados em texto, não atendem a esse requisito, salvo se acompanhados de providências concretas — o que não aparece nos autos.
Papel de Mauro Cid permanece central
O coronel Mauro Cid, apontado como ponte entre militares e o entorno político de Bolsonaro, declarou em interrogatório anterior desconhecer qualquer plano de atentado. A contradição enfraquece a hipótese de cadeia de comando. Investigadores agora avaliam se as declarações de Cid e Fernandes convergem, indicando mera especulação individual, ou se houve omissão deliberada. Até o fechamento desta edição, não há diligência marcada para reconciliação de depoimentos.

Imagem: REUTERS
8 de janeiro: debate sobre “golpe armado” continua
A controvérsia em torno de um possível “golpe armado” persiste desde a invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Relatórios da Polícia Federal listaram apreensão de objetos rudimentares, como estilingues, barras de ferro e sprays de pimenta. Ausência de armamento pesado sustenta a argumentação de setores que enxergam exagero na tipificação de “golpe armado”. O episódio envolvendo o general Fernandes reforça esse questionamento, ao evidenciar discrepância entre manchetes e provas reunidas.
Próximos passos processuais
O juiz responsável pelo caso analisa petição da defesa para anexar o vídeo completo da audiência, de modo a assegurar transparência. Paralelamente, a PGR avalia se amplia a investigação para apurar eventual vazamento seletivo de informações a órgãos de imprensa. Não há, por ora, previsão de nova oitiva de Fernandes.
A divergência entre relato oficial e cobertura midiática acende debate sobre responsabilidade editorial e checagem prévia de informações — especialmente quando envolvem acusações de extrema gravidade contra agentes públicos.
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Resumo: documento da Justiça refuta a tese de “confissão” atribuída ao general Mario Fernandes, apontando apenas registros pessoais sem valor operacional. Siga-nos e receba atualizações em tempo real sobre investigações e processos envolvendo autoridades federais.
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