NOVA YORK, 6 de novembro de 2025 – O democrata Zohran Mamdani venceu a disputa pela Prefeitura de Nova York em 4 de novembro e passou a comandar a maior cidade dos Estados Unidos. A vitória foi recebida por apoiadores como marco multicultural, mas também gerou reações de analistas que veem no resultado o encerramento de um ciclo de críticas ao Ocidente iniciado após os atentados de 11 de Setembro.
Raízes intelectuais do novo contexto
Em 2001, o filósofo francês André Glucksmann publicou “Dostoievski em Manhattan”, obra na qual descreveu o 11 de Setembro como ponto de virada no qual o terrorismo islâmico revelaria uma face mais profunda: o niilismo que mina o próprio sentido da civilização ocidental. Glucksmann rejeitou leituras que explicavam apenas pela política externa americana ou por choque de culturas. Para ele, a violência jihadista incorporava críticas nascidas dentro do próprio Ocidente, herdeiro de tradições revolucionárias que questionam a ordem moral.
Um dos principais influenciadores dessa corrente foi Sayyid Qutb, egípcio ligado à Irmandade Muçulmana. Qutb viveu nos Estados Unidos ao final da década de 1940, concluiu mestrado em Educação no estado do Colorado e voltou ao Oriente Médio denunciando o que chamava de jahiliyyah – estado de ignorância e afastamento de Deus. Seu discurso misturava fundamentos islâmicos com ataques à modernidade ocidental, alimentando linhas ideológicas que depois inspirariam a Al-Qaeda.
Autores como Barry Cooper e John Gray apontaram semelhanças estruturais entre movimentos jihadistas e seitas revolucionárias ocidentais. Já o jornalista britânico Brendan O’Neill, em artigo publicado na revista Spiked em 2021, classificou o 11 de Setembro como manifestação extrema da política de vitimização: uma espécie de “identitarismo apocalíptico” que reutiliza argumentos da nova esquerda universitária para legitimar o terror religioso.
Da teoria ao processo eleitoral
Mais de duas décadas após a queda das Torres Gêmeas, analistas relacionam a ascensão de Zohran Mamdani a esse percurso histórico. Filho de imigrantes e identificado com o socialismo democrático, o novo prefeito defendeu durante a campanha pautas de justiça racial, perdão de dívidas estudantis e ampliação de benefícios a comunidades muçulmanas. Seu discurso agregou elementos da retórica identitária do campus norte-americano a críticas à política externa dos Estados Unidos, retomando temas que ganharam força no pós-11/9.
Para observadores como o antropólogo Flávio Gordon, a vitória de Mamdani simboliza a convergência entre islamismo político e agenda woke, combinação que teria sido prenunciada pelo casamento teórico entre o Corão e “O Capital”. Segundo essa visão, enquanto o 11 de Setembro trouxe a destruição física de Manhattan, a eleição representaria a consumação cultural desse processo, com a legitimação eleitoral de um programa que questiona abertamente valores centrais da sociedade americana.


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Repercussão doméstica e externa
No cenário interno, a administração Mamdani promete fortalecer políticas de acolhimento de imigrantes e intensificar críticas a iniciativas de segurança consideradas discriminatórias. Líderes democratas celebraram o resultado como avanço da diversidade, enquanto oposicionistas alertaram para possíveis conflitos entre a nova orientação ideológica da prefeitura e autoridades federais responsáveis pelo contraterrorismo.
No plano externo, governos do Oriente Médio e do Sul da Ásia enviaram mensagens de congratulação, interpretadas como forma de ampliar presença diplomática em um dos centros financeiros do mundo. Especialistas em relações internacionais avaliam que a postura do novo prefeito também poderá influenciar debates sobre policiamento, vigilância e liberdades civis em outras metrópoles ocidentais.

Imagem: Sarah Yenesel
Memória do 11 de Setembro e ciclo do antiamericanismo
A referência à destruição das torres continua presente na política de Nova York. Monumentos, museus e cerimônias anuais mantêm viva a lembrança dos quase 3 mil mortos em 2001. Entretanto, o discurso que atribui os atentados à decadência moral do próprio Ocidente ganhou espaço em setores universitários e movimentos sociais. A vitória de Mamdani, neste contexto, é vista por críticos como coroamento de interpretações que culpam a civilização ocidental pelos males que enfrenta.
Pesquisadores de segurança recordam que documentos de Osama bin Laden citavam autores como Noam Chomsky e Robert Fisk para legitimar ações violentas. O entrelaçamento de argumentos acadêmicos, denúncias de colonialismo e teologia jihadista estaria, agora, representado politicamente em uma das capitais culturais do Ocidente.
Enquanto a gestão recém-eleita não assume, o debate segue intenso. Algumas organizações de vítimas do terrorismo exigem compromissos claros de Mamdani com políticas de prevenção. Já grupos progressistas pressionam pela revisão de programas de vigilância e pelo reconhecimento de “discriminação sistêmica” contra muçulmanos.
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Em síntese, a chegada de Zohran Mamdani à Prefeitura de Nova York coloca em evidência a fusão de correntes ideológicas que ganharam força após o 11 de Setembro. O próximo mandato indicará até que ponto essa convergência entre islamismo político e agenda identitária influenciará a governança da principal cidade americana. Acompanhe nossos próximos artigos e receba atualizações em tempo real.
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