Brasília, 24 de outubro de 2025 – A diretoria dos Correios discute nesta sexta-feira a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, operação que terá aval do Tesouro Nacional e envolve bancos públicos e privados. O valor, superior à receita obtida pela estatal em 2024 (R$ 18,9 bilhões), reacendeu o debate sobre responsabilidade fiscal e abriu espaço para nova investida da oposição contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Pedido de R$ 20 bilhões acende alerta fiscal
Os Correios encerraram o primeiro semestre de 2025 com prejuízo de R$ 4,3 bilhões, o pior resultado em décadas. O balanço divulgado em junho aponta ainda passivos de R$ 4,2 bilhões em benefícios de curto prazo a empregados e R$ 9,5 bilhões de longo prazo. A gestão da estatal atribui parte do rombo à chamada “taxa das blusinhas”, imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 que encareceu o serviço e afastou consumidores.
Diante do cenário negativo, a nova presidência da empresa, ocupada desde setembro por Emmanoel Schmidt Rondon, propõe um pacote de medidas: programa de demissão voluntária, renegociação com fornecedores e venda de imóveis. A peça-chave, entretanto, é o financiamento bilionário. Caso a ECT não honre as parcelas, a União arcará com a dívida – risco que economistas classificam como potencial bomba fiscal para 2025 e 2026.
Para o analista financeiro VanDyck Silveira, o governo abandona qualquer agenda de eficiência ao socorrer uma estatal “sem entregar valor à sociedade”. Ele alerta que o empréstimo equivale a financiar montante superior ao melhor valor de mercado da empresa, criando precedente perigoso de cobertura ilimitada do Tesouro para estatais deficitárias.
Oposição mobiliza Parlamento e TCU
Na Câmara, o líder oposicionista Luciano Zucco (PL-RS) promete bloquear a operação. Deputados articulam a instalação de subcomissão específica para acompanhar as contas da ECT e recolhem assinaturas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O argumento central é dar transparência aos números e apurar responsabilidades por suposta má gestão.
O deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) levou o caso ao Tribunal de Contas da União. Em representação protocolada no TCU, ele questiona a compatibilidade do aval do Tesouro com a Lei de Responsabilidade Fiscal e exige divulgação integral dos estudos que baseiam o pedido de crédito. “Não é aceitável assumir garantias bilionárias sem respaldo técnico nem autorização adequada do Congresso”, afirma.


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No Senado, Rogério Marinho (PL-RN) critica o empréstimo como “tentativa de tapar o sol com a peneira” e sustenta que a situação confirma o esgotamento do modelo de estatais controladas politicamente. Para Marinho, o episódio reforça a necessidade de abrir o capital da empresa ou privatizá-la, proposta retirada da agenda pelo atual governo.
Correios repetem histórico de escândalos
Fundada em 1663, a Empresa de Correios e Telégrafos soma 84 mil funcionários e mantém monopólio legal sobre o serviço postal. Ao longo dos últimos 20 anos, contudo, a estatal protagonizou crises marcantes. Em 2005, o vídeo de um diretor negociando propina detonou o escândalo do mensalão, que abalou o primeiro mandato de Lula. Em 2015, o Postalis, fundo de pensão dos empregados, registrou perdas bilionárias decorrentes de aplicações temerárias, prejudicando milhares de beneficiários.

Imagem: Joéds Alves
Especialistas apontam que o novo rombo reforça a necessidade de reformas estruturais, com modernização tecnológica, parcerias privadas e metas de eficiência. Mesmo a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, reconhece que a sobrevivência da ECT depende de mudança profunda no modelo de negócios.
Impacto político de olho em 2026
Com a eleição presidencial no horizonte, analistas veem na crise dos Correios um flanco vulnerável para o Palácio do Planalto. Se o socorro falhar ou ocorrer calote, o desgaste poderá minar o discurso de responsabilidade fiscal defendido pela equipe econômica e municiar a oposição em 2026. Leandro Gabiati, professor do Ibmec-DF, avalia que o tema não é decisivo, mas tem potencial para interromper o “momento positivo” buscado pelo governo no início do ano eleitoral.
Enquanto o Planalto tenta costurar apoio ao empréstimo, a tese de privatização ganha fôlego entre parlamentares liberais. Esses grupos defendem condicionar qualquer aporte à adoção de metas rigorosas de desempenho, auditorias independentes e cronograma claro de venda parcial ou total da companhia.
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Em síntese, o pedido de R$ 20 bilhões expõe a fragilidade dos Correios, aumenta a pressão sobre o Tesouro e fornece munição à oposição, que promete usar a crise como vitrine de má gestão estatal. A sociedade, por sua vez, observa quem pagará a conta. Continue acompanhando nossas atualizações e participe do debate nos comentários.
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