Um debate sobre a forma de combater o crime organizado ganhou força depois de declaração do ministro da Fazenda, feita há uma semana, a respeito da localização dos chefes do narcotráfico. Segundo o titular da Pasta, “a cabeça do crime está na praia de Miami, não na Penha”. A fala foi interpretada por analistas de segurança como tentativa de desvalorizar a operação policial realizada em 28 de outubro no Rio de Janeiro, quando suspeitos ligados ao Comando Vermelho foram detidos.
Declaração do governo reacende discussão sobre foco das operações
Critérios do Executivo federal para definir prioridades no enfrentamento às facções foram questionados por especialistas. O argumento mais repetido por críticos da ação fluminense é de que prender o “pé-de-chinelo” não produz efeito duradouro, pois o comando das redes de venda de drogas estaria em bairros de classe alta ou mesmo no exterior. Eles defendem empenho exclusivo contra os financiadores do tráfico, considerados os verdadeiros responsáveis pela engrenagem criminosa.
Para o pesquisador em segurança pública Roberto Motta, ex-secretário do Conselho de Segurança do Rio de Janeiro, essa leitura ignora etapas essenciais do ciclo de repressão. Motta afirma que o dinheiro proveniente do narcotráfico garante aos líderes das facções duas vantagens decisivas: a contratação de advogados especializados em estratégias processuais complexas e a possibilidade de corromper agentes estatais. Esses elementos tornam a prisão dos chefões mais lenta e, em muitos casos, inócua, já que decisões judiciais controversas costumam libertar detidos de alta patente.
Importância do soldado do tráfico para o funcionamento da facção
O pesquisador também refuta a narrativa de que o traficante das comunidades seria meramente uma vítima do sistema. De acordo com ele, a presença de vapores, olheiros e homens armados de fuzil é a base que sustenta a distribuição de entorpecentes. Sem indivíduos dispostos a ocupar esses postos, a cadeia de oferta e a lucratividade do crime não se manteriam.
Motta considera falaciosa a ideia de que investidas contra pontos de venda de drogas só teriam efeito se fossem acompanhadas de um esquema perfeito de captura dos mandantes. Para o especialista, aguardar condições ideais significa aceitar a paralisia do Estado. Ele ressalta que, na prática, o combate ao tráfico é assimétrico: de um lado, a polícia precisa respeitar restrições legais; de outro, criminosos agem sem limites.
Segundo o ex-secretário, cada operação bem-sucedida nas comunidades gera dois ganhos concretos. Primeiro, reduz a circulação diária de armas nas mãos de facções. Segundo, impõe custos logísticos ao grupo criminoso, que precisa recrutar e treinar novos integrantes, além de repor armamentos apreendidos pelas forças de segurança.


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Crime como escolha individual e impacto coletivo
No entendimento de Motta, o rótulo “trabalhador do tráfico” tenta normalizar a adesão de jovens às facções, ocultando o caráter deliberado da decisão. “Crime é escolha”, afirma o pesquisador. A soma de milhares de decisões individuais, diz ele, define se a sociedade caminha para níveis toleráveis de segurança ou para um ambiente dominado pela violência, corrupção e medo.
Para reforçar o argumento, o especialista lembra que, mesmo diante de realidades socioeconômicas difíceis, há quem recuse a proposta de empunhar um fuzil em defesa de bocas de fumo. A diferença, portanto, estaria menos nas condições externas e mais na postura ética de cada cidadão.

Imagem: Internet
Operações contínuas e fortalecimento institucional
Além de capturar suspeitos armados, operações como a de 28 de outubro contribuem para ampliar a inteligência policial, pois cada prisão abre caminho para novas investigações sobre fluxo financeiro, rotas de abastecimento e conexões internacionais dos grupos criminosos. A consolidação desses dados fortalece inquéritos contra líderes que, em geral, se escondem atrás de empresas de fachada ou patrimônio em paraísos fiscais.
Especialistas defendem que, paralelamente às ações ostensivas, o Judiciário intensifique o uso de instrumentos legais que dificultem a soltura prematura de réus de alta periculosidade. Eles apontam ainda a necessidade de aprimorar mecanismos de rastreamento de recursos ilícitos, etapa considerada decisiva para desmontar a engrenagem econômica do tráfico.
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Em síntese, o debate evidencia que o combate ao crime exige avanços simultâneos em várias frentes. As operações nas comunidades, embora não cheguem de imediato aos grandes financiadores, reduzem o poder de fogo das facções e impedem que o tráfico se normalize como “opção de trabalho”. O tema segue em destaque na agenda nacional; acompanhe nossos próximos conteúdos e fique informado sobre os desdobramentos.
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