O balanço mais recente do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) mostra que 12 das 44 estatais controladas diretamente pela União encerraram 2024 no vermelho. Entre elas, cinco concentram as maiores perdas e totalizam um déficit de R$ 4,4 bilhões, consolidando um cenário que pressiona as contas públicas e reaquece o debate sobre gestão, eficiência e destino dessas companhias.
Correios lideram as perdas com rombo bilionário
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos figura no topo da lista negativa. O prejuízo de R$ 2,6 bilhões confirma a crise prolongada da companhia, que lida com queda de receitas diante da substituição dos serviços postais tradicionais por alternativas digitais. Para tentar equilibrar as contas, a estatal busca um empréstimo de até R$ 20 bilhões junto a bancos públicos e privados, passo que adiciona risco de endividamento e amplia o debate sobre a necessidade de reestruturação profunda.
Fundada em 1663, a empresa passou por diversas transformações até tornar-se empresa pública em 1969. Mesmo com iniciativas focadas em logística e comércio eletrônico, a organização não tem conseguido acompanhar a velocidade das mudanças no mercado, o que agrava a pressão por soluções que reduzam o impacto ao Tesouro e aos contribuintes.
CBTU, Embrapa, Infraero e EBSERH também ficam no vermelho
Na segunda posição aparece a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Responsável por linhas metropolitanas em capitais como Belo Horizonte, Recife, Natal, Maceió e João Pessoa, a empresa registrou déficit de R$ 1,1 bilhão. Os altos custos operacionais e a defasagem tarifária permanecem como principais fatores desse resultado negativo.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ficou em terceiro, com prejuízo de R$ 375 milhões. Reconhecida por avanços científicos que impulsionam o agronegócio, a estatal depende de aportes constantes para sustentar projetos de alta complexidade, o que explica parte das perdas, mas também reforça a necessidade de vigilância sobre gastos.
A Infraero, outrora responsável pela maioria dos aeroportos do país, amarga resultado negativo de R$ 229 milhões. O cenário é consequência direta da transferência de grandes terminais para a iniciativa privada, o que reduziu drasticamente a sua fonte de receitas. Hoje, a empresa aposta em planos de reestruturação para manter viabilidade e evitar novos prejuízos.


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Em quinto lugar, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) apresenta déficit de R$ 132 milhões. A estatal administra hospitais universitários federais, garantindo ensino, pesquisa e atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da relevância social, os custos para manter equipes e equipamentos de alta complexidade pesam no orçamento.
Governo relativiza impacto do resultado primário
Apesar dos números, o governo federal afirma que o resultado primário isolado não reflete, por si só, a saúde financeira das estatais. Segundo o MGI, o indicador adota a metodologia do Orçamento da União e pode incorporar pagamentos de dividendos ou investimentos bancados com recursos acumulados em exercícios anteriores. Para a pasta, déficits também podem sinalizar ciclos de expansão financiados por reservas ou endividamento planejado.

Imagem: Internet
A explicação confronta a percepção de parte do mercado, que vê nos prejuízos seguidos um sinal de ineficiência. Ainda assim, a conta recai sobre o contribuinte, já que menos resultado positivo significa menor capacidade de aliviar o caixa da União, que já enfrenta desafios para cumprir metas fiscais.
Pressão sobre as contas públicas
O rombo de R$ 4,4 bilhões, somado a outras despesas obrigatórias, amplia a dificuldade do governo em fechar as contas sem recorrer a novas fontes de receita ou cortes de gastos. Em um cenário de crescimento econômico modesto, cada centavo faz diferença na busca pela sustentabilidade fiscal. O desempenho das estatais, portanto, permanece no radar de integrantes da equipe econômica e de parlamentares que defendem reformas estruturantes.
No Congresso, propostas de privatização dos Correios e de concessões adicionais na área de transportes seguem em discussão. Enquanto isso, gestores das cinco empresas mais deficitárias elaboram planos de redução de custos, renegociação de dívidas e modernização de processos, medidas consideradas essenciais para reverter o quadro.
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Em resumo, as cinco estatais que concentram os maiores prejuízos em 2024 colocam R$ 4,4 bilhões de pressão adicional sobre as finanças públicas. Monitorar resultados, exigir transparência e avaliar alternativas de gestão eficiente tornam-se medidas decisivas para evitar que o déficit se aprofunde. Siga as atualizações e participe do debate sobre o futuro dessas companhias.
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