Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), quantificou o impacto financeiro da precariedade das estradas vicinais no país. De acordo com o levantamento, a melhoria da infraestrutura dessas vias poderia reduzir os custos de transporte do agronegócio em até R$ 6,4 bilhões anuais — valor equivalente a 1,1% do que o setor agrega ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Impacto direto nos custos de produção
O Brasil conta com aproximadamente 2,2 milhões de quilômetros de estradas rurais não pavimentadas, responsáveis pelo escoamento de 1,4 bilhão de toneladas de produtos agropecuários todos os anos. Atualmente, o setor gasta R$ 16,2 bilhões por ano para transportar essa produção, levando em conta despesas com combustível, manutenção de veículos, insumos e mão de obra.
Os pesquisadores simularam dois cenários de investimento. Com um padrão de qualidade médio nas estradas, haveria economia imediata de R$ 2,7 bilhões anuais, queda de 16,9% nos dispêndios. Se o padrão fosse elevado, a redução chegaria a 39,7%, poupando R$ 6,4 bilhões por ano.
Entre as cadeias mais afetadas, a cana-de-açúcar lidera o prejuízo potencial, com R$ 2,4 bilhões que poderiam ser poupados anualmente. Na sequência aparecem milho e soja (R$ 2,1 bilhões), produção animal (R$ 865,5 milhões) e setor florestal (R$ 318,5 milhões).
Ferramenta indica onde aplicar recursos primeiro
Para direcionar investimentos, a Esalq-Log criou o Índice de Priorização das Estradas Vicinais (Ipev). O indicador combina variáveis econômicas, sociais, ambientais e de infraestrutura, como valor agregado do agro local, densidade do emprego rural, regime de chuvas e extensão da malha viária.
Das 557 microrregiões analisadas, 177 foram classificadas como altamente prioritárias, concentrando cerca de 1,1 milhão de quilômetros de estradas vicinais. Outras 98 regiões receberam prioridade média. Nesse recorte, adequar 177 mil quilômetros de estradas terciárias exigiria R$ 4,9 bilhões por ano, com custo de manutenção de R$ 35 mil por quilômetro.


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O estudo também calculou o montante necessário para elevar toda a malha terciária, de 367 mil quilômetros, a um padrão mínimo: seriam necessários R$ 10 bilhões anuais. Já para reformar 101 mil quilômetros avaliados como “ruins” e levá-los ao nível “superior” nas áreas de alta prioridade, seriam demandados R$ 12,6 bilhões, com manutenção estimada em R$ 131 mil por quilômetro.
Estados que mais precisam de recursos
O levantamento apresenta um ranking de necessidade de investimento por estado. Minas Gerais aparece na primeira posição, com demanda de R$ 2,67 bilhões anuais para recuperar 128 mil quilômetros de vias críticas. Na sequência vêm Paraná (R$ 2,64 bilhões para 136 mil quilômetros) e Rio Grande do Sul (R$ 2,59 bilhões para 134 mil quilômetros). Pará, Mato Grosso, Bahia e Goiás completam a lista dos maiores requerimentos de verba.
No âmbito microrregional, destacam-se Alto Teles Pires (MT), Sudoeste de Goiás (GO), Entorno de Brasília (GO), Dourados (MS), Barreiras (BA) e Altamira (PA) como zonas que exigem ação mais imediata.

Imagem: Albari Rosa
Benefício ambiental adicional
A precariedade das estradas vicinais também se reflete nas emissões de carbono: o estudo estima 3,07 milhões de toneladas de CO2 liberadas anualmente em função das más condições de tráfego. Com melhorias de nível médio, seria possível cortar 384 mil toneladas de CO2. No cenário de excelência, a redução chegaria a 1 milhão de toneladas por ano, recuo de 32,9%.
Desafios de execução
Equipes da CNA e da Esalq-Log percorreram oito estados para avaliar trechos críticos e validar a metodologia. Foram observados problemas típicos, como buracos, erosão, atoleiros e pontes precárias, além de entraves administrativos, entre eles orçamento municipal limitado, grande extensão da malha e falta de mão de obra técnica qualificada para executar obras permanentes.
O coordenador da Esalq-Log, Thiago Guilherme Péra, resume o resultado: há recursos “sobre a mesa” que poderiam voltar ao produtor e fortalecer a competitividade do agro apenas com a melhoria da infraestrutura básica.
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O levantamento reforça que investir em estradas vicinais não é apenas uma questão de mobilidade. Trata-se de uma decisão econômica que pode devolver bilhões ao setor mais produtivo do país, reduzir emissões e impulsionar a eficiência logística. Confira os números, compartilhe a informação e pressione por ações concretas que coloquem esses projetos em prática.
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