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EUA defendem tarifas para garantir comércio justo e desafiam barreiras do Brasil

Econômia

Cuiabá, 30 de outubro de 2025 – O presidente da Associação Nacional dos Departamentos Estaduais de Agricultura dos Estados Unidos (Nasda), Ted McKinney, afirmou que a aplicação de sobretaxas sobre importados é uma ferramenta legítima para restaurar a reciprocidade nas trocas globais. Em passagem pelo Congresso Mundial da Carne (WMC), realizado pela primeira vez na América do Sul, o ex-vice-secretário do Departamento de Agricultura norte-americano declarou que “não existe livre comércio; o que buscamos é um comércio justo”.

Tarifas como instrumento de pressão

Segundo McKinney, a tarifa entra em ação “quando tudo mais falha”. Ele disse que países como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Brasil tentam, sem êxito, negociar condições equilibradas dentro das atuais regras multilaterais. Nesses casos, a revisão do sistema passa a ser inevitável. O dirigente deixou claro que o objetivo final seria um cenário sem impostos adicionais, mas ressaltou que a realidade de barreiras não tarifárias exige contramedidas.

O representante destacou a postura do então presidente Donald Trump, que preferiu “ação imediata” a “longas e demoradas negociações”. Para McKinney, o prazo limitado de um mandato político justifica medidas mais duras a curto prazo, sempre com a possibilidade de reavaliação futuramente.

Peso das barreiras não tarifárias

Na visão do executivo, as restrições mais prejudiciais hoje são as barreiras regulatórias que driblam compromissos assumidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Muitos governos descumprem regras, distorcem critérios científicos ou usam exigências ambientais como escudo protecionista”, acusou. Ele citou a União Europeia como “exemplo clássico” de práticas que travam o fluxo de produtos agropecuários, mencionando o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) como intervenção excessiva sobre a soberania de outros países.

Cobrança ao Brasil por etanol

Ao comentar a tarifa de 50 % aplicada por Washington a determinados bens brasileiros, McKinney alegou haver reciprocidade desequilibrada, em especial no etanol. “Permitimos a entrada do etanol de cana-de-açúcar em estados como Califórnia e Arizona, mas o Brasil não abre espaço equivalente para nosso produto”, afirmou. Ele acrescentou que a paciência norte-americana se esgotou após “visitas e reuniões sem resultado”.

Para o dirigente, a América do Sul se beneficia de uma parceria estratégica com os Estados Unidos e corre riscos ao “abrir espaço crescente” para a China. McKinney defendeu que Brasil, Argentina e demais países do Hemisfério Ocidental reforcem laços “já historicamente sólidos” com Washington, evitando dependência de “interesses externos que podem ser disruptivos”.

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Reações no Congresso Mundial da Carne

A defesa do chamado fair trade não passou sem críticas. O professor Marcos Jank, do Insper Agro Global, lembrou que os EUA foram pilares do conceito de livre comércio e questionou “justo para quem?”. Para ele, a definição de justiça não pode ficar nas mãos da parte mais beneficiada.

John Clarke, ex-diretor de relações internacionais da Comissão Europeia, avaliou que comparar custos trabalhistas ou condições naturais de produção para justificar sobretaxas cria precedente perigoso. Já o presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA, Francisco de Castro, enfatizou que a soberania do mercado deve prevalecer, alertando que intervenções governamentais podem “atrapalhar mais do que ajudar”.

O argentino Juan José Grigera Naón, presidente do Secretariado Internacional da Carne (IMS) e anfitrião do evento junto ao Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), considerou “muito difícil” classificar tarifas como justas em qualquer circunstância. Para ele, na melhor das hipóteses, tais medidas deveriam ser recíprocas.

Implicações para o agro brasileiro

A postura norte-americana sustenta a tese de que novos acordos comerciais deverão incluir cláusulas de equivalência regulatória e eliminação de barreiras técnicas. Para o setor de proteína animal, esse debate é central: carne bovina, suína e de frango brasileiras dependem de previsibilidade tarifária para manter competitividade.

Além disso, a discussão sobre etanol evidencia o desafio de conciliar a agenda de biocombustíveis com a busca por mercados externos. Produtores brasileiros de cana temem perder espaço caso Washington endureça, enquanto o lobby do milho norte-americano pressiona por abertura imediata em Brasília.

Esse embate reforça a necessidade de monitorar as decisões em Washington e Bruxelas. A aplicação de tarifas ou a criação de novas exigências ambientais pode redefinir rotas de exportação, afetar preços internos e testar a capacidade de resposta da diplomacia econômica brasileira.

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Em resumo, Ted McKinney sustenta que tarifas são instrumento legítimo para pressionar parceiros e corrigir assimetrias, enquanto críticos alertam para o risco de protecionismo disfarçado de justiça. O debate, travado em Cuiabá, sinaliza que o agro brasileiro continuará no centro das negociações globais. Siga conosco e receba atualizações em tempo real.

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