A operação terrestre na Venezuela anunciada pelo ex-presidente Donald Trump voltou a colocar a América do Sul no centro do tabuleiro estratégico global. Em apenas 2 minutos e 21 segundos, o vídeo da Record News — exibido no fim desta página — trouxe à tona um tema que reúne interesses de segurança, economia, diplomacia e direitos humanos. Caso o plano saia do papel, será a primeira intervenção terrestre norte-americana na região desde o Panamá em 1989, e seus reflexos podem reverberar por décadas.
Neste artigo de 2 000-2 500 palavras você entenderá, em detalhes, (1) por que Washington mira Caracas, (2) como as rotas do fentanil motivam a ação, (3) o que pensam Nicolás Maduro, a oposição, o Congresso dos EUA e vizinhos como Brasil e Colômbia, e (4) quais cenários surgem para a população venezuelana. Dados concretos, casos reais, tabelas comparativas, listas, FAQ e citações de especialistas complementam a análise. Ao final, você terá uma visão ampla e crítica sobre o tema e poderá formar opinião embasada.
1. Panorama histórico das tensões EUA-Venezuela
1.1 Do chavismo às sanções econômicas
Quando Hugo Chávez assumiu o poder em 1999, inaugurou-se uma era de confrontos retóricos contra Washington. O petróleo da PDVSA passou a financiar programas sociais internos e alianças externas, enquanto os EUA impunham sanções graduais. Após a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro herdou um país polarizado, já com escassez de divisas e infraestrutura debilitada. As sanções de 2015 (Obama) e 2019 (Trump) restringiram o acesso de Caracas ao sistema financeiro internacional, agravando o colapso econômico.
1.2 Escalada militar no Caribe
Embora historicamente os EUA tenham optado por pressões diplomáticas, a presença naval na costa venezuelana aumentou em 2020, sob a justificativa de “Operações Antinarcóticos do Hemisfério Ocidental”. A atual proposta de operação terrestre na Venezuela surge como escalonamento inédito: tropas em solo para destruir laboratórios e rotas do fentanil. Esse histórico de tensão cria o pano de fundo perfeito para a atual crise, onde cada movimento é analisado à lupa por potências como Rússia e China, aliadas de Maduro.
🔎 Destaque #1: Segundo o SIPRI (2023), a Venezuela reduziu em 72 % seus gastos militares nos últimos dez anos, enquanto os EUA aumentaram em 8 %. Essa assimetria técnica reforça a preocupação de Caracas diante de uma possível incursão terrestre.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




2. O anúncio de Trump e os contornos do plano militar
2.1 Objetivos declarados
Em entrevista improvisada, Trump alegou que a operação terrestre na Venezuela teria dois objetivos oficiais: (a) cortar pela raiz a produção e o trânsito de fentanil destinado ao mercado norte-americano e (b) proteger fronteiras internas dos EUA. Embora o ex-presidente não tenha divulgado cronograma, fontes do Pentágono falam em um plano de “baixa duração, alta intensidade”, com envolvimento do Comando Sul e 4 000 a 7 500 militares em missão de forças especiais.
2.2 Capacidades militares envolvidas
Documentos internos obtidos pelo portal Defense News indicam emprego de drones MQ-9 Reaper, caças F-35 para superioridade aérea e navios de assalto anfíbio classe America. Em solo, os EUA contariam com unidades do 75º Regimento Ranger e do 1º Batalhão de Operações Sociais do Exército. O modus operandi remete a incursões no Afeganistão (2001) e no norte do Iraque (2003): alvos cirúrgicos, curta permanência e foco em infraestrutura de narcotráfico.
🔎 Destaque #2: A Casa Branca evita o termo “intervenção”, preferindo “operação de segurança hemisférica”. Do ponto de vista do direito internacional, a diferença é crucial: operações de segurança podem ser justificadas sob a Convenção de Palermo contra o crime organizado transnacional.
3. Narcotráfico e fentanil: rotas, números e impactos
3.1 Por que o fentanil entrou na pauta?
De 2018 a 2022, o fentanil causou mais de 190 000 mortes por overdose nos EUA, segundo o CDC. Relatórios da DEA apontam que cartéis mexicanos, como Sinaloa e Jalisco Nova Geração, diversificaram rotas via Caribe após reforço na fronteira terrestre. Aqui entra a Venezuela, com seu extenso litoral, ilhas próximas e policiamento precário: uma porta de entrada “menos vigiada” para precursores químicos oriundos da Ásia.
3.2 Laboratórios clandestinos em solo venezuelano
Embora a Colômbia ainda concentre 60 % da cocaína global, investigações da ONUDD mostraram que parte da produção migrou para regiões fronteiriças venezuelanas (Apure e Zulia). Esses laboratórios, misturando base de coca e fentanil, fornecem um produto de potência elevada e baixo custo. Daí a justificativa, segundo Trump, para uma operação terrestre na Venezuela baseada em “inteligência precisa e atualizada”.
| Substância | Origem principal (2023) | Impacto anual nos EUA |
|---|---|---|
| Fentanil | China (precursores) + Venezuela/México (combinação) | 70 000 mortes por overdose |
| Cocaína | Colômbia 60 %, Peru 25 %, Bolívia 10 % | 21 % das apreensões federais |
| Metanfetamina | México 80 % | Mais de 175 t apreendidas |
| Heroína | México 88 % | Queda de 7 % no consumo |
| Ecstasy (MDMA) | Europa Ocidental | Mercado crescente em festas |
| Ketamina | China/Índia | Uso emergente em clubes |
4. Reações internas e externas: Maduro, oposição e comunidade internacional
4.1 Declaração de Nicolás Maduro
Horas após o anúncio, Maduro classificou a conversa com Trump como “cordial”, mas não divulgou detalhes. Analistas veem a fala como tentativa de ganhar tempo diplomático. O presidente venezuelano recorreu à ONU, denunciando violação de soberania, e acionou mecanismos de defesa coletiva da ALBA-TCP, bloco que reúne Cuba, Bolívia e Nicarágua.
4.2 Oposição venezuelana dividida
Setores liderados por María Corina Machado veem a operação terrestre na Venezuela como oportunidade de enfraquecer Maduro; outros, como o ex-deputado Henrique Capriles, temem “mais sofrimento para o povo”. Pesquisas do instituto Datánalisis mostram 54 % dos venezuelanos contra ação militar estrangeira, mesmo desaprovando o governo atual.
“Uma intervenção sem sustentável apoio multilateral tende a gerar vácuo de poder e migrações em massa, tal como visto no Iraque pós-2003.”
— Prof. Laura Sánchez, especialista em Direito Internacional, Universidad Complutense de Madrid
4.3 Posição dos vizinhos sul-americanos
Brasil e Colômbia pediram “moderação” e defenderam via diplomática. Já o presidente equatoriano, Daniel Noboa, apoiou “toda iniciativa que combata o fentanil”. O Conselho Permanente da OEA convocou sessão extraordinária, mas faltou consenso sobre resolução única. A fragmentação latino-americana dificulta uma resposta coordenada e fortalece a tese de Washington de agir unilateralmente.
🔎 Destaque #3: Estudos da CEPAL indicam que, após cada conflito regional, o comércio intrabloco cai em média 18 % no ano subsequente, gerando desemprego e pressão migratória.
5. Riscos humanitários e socioeconômicos para os civis venezuelanos
5.1 Possíveis consequências imediatas
- Interrupção de serviços básicos em zonas de combate (água, luz, internet).
- Aumento do deslocamento interno, sobretudo em estados fronteiriços.
- Elevação do fluxo migratório para Brasil, Colômbia e Caribe.
- Pressão sobre sistemas de saúde já colapsados.
- Risco de recrutamento forçado por grupos armados não estatais.
- Perda de safras e pecuária em áreas rurais afetadas.
- Alta de preços de alimentos e medicamentos nos grandes centros urbanos.
5.2 Vulnerabilidades já existentes
A Venezuela tem inflação acumulada superior a 400 % (2023) e salário mínimo equivalente a US$ 4. Qualquer intervenção que perturbe fluxos logísticos pode agravar a fome crônica. A ONU estima que 7,1 milhões de venezuelanos já vivem fora do país, constituindo a maior diáspora da história recente da América Latina. Caso a operação terrestre na Venezuela se concretize, ONGs calculam que o êxodo pode superar 10 milhões até 2025.
6. Principais atores, cenários e desdobramentos futuros
6.1 Quem decide o quê?
- EUA – Casa Branca e Congresso (pode barrar financiamento)
- Venezuela – Governo Maduro, Força Armada Nacional Bolivariana (FANB)
- Cartéis Mexicanos – interessados em manter rotas ativas
- Rússia – fornece armamentos e apoio diplomático a Caracas
- China – principal credor venezuelano, teme instabilidade no abastecimento de petróleo
- Brasil/Colômbia – países receptores de refugiados
6.2 Quatro cenários prováveis
1) Intervenção limitada: forças especiais destroem laboratórios, retiram-se em 90 dias; 2) Prolongamento inesperado: resistência local amplia presença militar para um ano; 3) Negociação pós-pressão: Maduro cede inspeções da ONU em troca de retirada; 4) Conflito regional: aliados de Caracas retaliam, envolvendo países vizinhos.
7. Perguntas frequentes sobre a operação terrestre na Venezuela
FAQ
- O Congresso dos EUA já autorizou a operação? Não. Até o momento, apenas representantes republicanos manifestaram apoio público; democratas pedem relatório de impacto humanitário.
- A ONU pode vetar a intervenção? O Conselho de Segurança pode condenar, mas veto dos EUA impediria sanção vinculante.
- Quantas tropas venezuelanas estão ativas? Aproximadamente 123 000 militares nas Forças Armadas convencionais, mais 3 milhões na chamada Milícia Bolivariana.
- E se Maduro permitir inspeções? Washington pode recuar, mas Trump condiciona a demonstrações “verificáveis” de destruição de laboratórios.
- Há risco de escalada nuclear? Baixíssimo; Venezuela não possui armas nucleares e EUA não empregariam esse arsenal em operação antinarcóticos.
- Como o Brasil seria afetado? Possível aumento de refugiados em Roraima, pressão sobre saúde e educação, além de tensões diplomáticas se apoiar ou condenar a ação.
- Por que envolver fentanil se a droga é sintetizada na Ásia? Porque insumos químicos chegam a portos venezuelanos com menor fiscalização e dali seguem para laboratórios no interior ou para cartéis no México.
- A operação poderia derrubar Maduro? Tecnicamente, não é o objetivo declarado; porém, golpes colaterais à infraestrutura estatal podem fragilizar seu controle político.
Conclusão
Em síntese, a operação terrestre na Venezuela:
- Poderá interromper rotas de fentanil, mas provoca incertezas regionais.
- Exibe grande assimetria militar entre EUA e FANB, aumentando riscos de danos colaterais.
- Enfrenta resistência diplomática de parte da América do Sul e da ONU.
- Pode ampliar a crise humanitária e deslocamentos massivos de civis.
- Coloca potências como Rússia e China em posição de contra-balanço.
Enquanto Trump fala em ação “cirúrgica”, especialistas lembram que conflitos raramente ficam restritos ao plano inicial. O debate agora gira em torno de dois eixos: (a) eficácia real no combate ao fentanil e (b) custo humano e político da intervenção. Cabe à sociedade civil, aos parlamentos e aos organismos multilaterais exigir transparência, avaliar riscos e buscar soluções que privilegiem a diplomacia e a proteção dos direitos humanos.
Para acompanhar novos desdobramentos, inscreva-se no canal Record News no YouTube e ative as notificações — a cobertura em tempo real será essencial nos próximos meses.
Créditos: Reportagem original “EUA devem fazer operação terrestre na Venezuela em breve” — Record News (YouTube, 2024).


