Brasília, 8 set. 2025 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), recebeu do governo dos Estados Unidos a renovação de seu visto diplomático, permitindo que ele cumpra compromissos internacionais marcados para o segundo semestre. O documento, solicitado em agosto depois de expirar em maio, foi concedido nesta segunda-feira e confirmado pela assessoria da pasta.
Visto renovado em meio a atritos
A decisão encerra semanas de incerteza geradas pela relação tensa entre Brasília e Washington. Desde o início do ano, os dois países trocam críticas públicas, agravadas pela imposição norte-americana de uma tarifa de até 50% sobre parte das exportações brasileiras. Parlamentares de oposição chegaram a alertar para a possibilidade de restrições de visto a autoridades do atual governo, administrado pelo Partido dos Trabalhadores.
O Itamaraty encaminhou o pedido de renovação com base no Acordo de Sede das Nações Unidas, que obriga os Estados Unidos, país anfitrião, a garantir ingresso de convidados a eventos multilaterais. O histórico, contudo, inclui exceções: diplomatas palestinos já foram barrados em Nova York e, em administrações anteriores, vistos de ministros brasileiros também foram revogados. Durante o mandato de Donald Trump, oito integrantes do Supremo Tribunal Federal perderam o direito de entrar no país, assim como familiares do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Neste contexto, a liberação do documento para Haddad vinha sendo tratada como termômetro da disposição americana em separar divergências comerciais dos compromissos multilaterais. A confirmação, divulgada na noite desta terça-feira, indica que a Casa Branca não pretende elevar a tensão a ponto de impedir a presença do titular da Fazenda em fóruns econômicos nos quais o Brasil ocupa assento permanente.
Agenda repleta em Nova York e Washington
Com o visto renovado, Haddad garantiu presença na Semana do Clima de Nova York, programada para 21 a 28 de setembro, e nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que ocorrerão em Washington entre 13 e 18 de outubro. Nos dois eventos, o ministro deve defender pautas de financiamento verde e buscar apoio a mudanças nas regras de crédito multilaterais.
Além desses encontros, a agenda inclui contatos bilaterais com autoridades dos departamentos do Tesouro e de Comércio americanos, bem como reuniões com investidores institucionais. O foco será apresentar o plano econômico do governo Lula, que combina aumento de gasto público com promessa de equilíbrio fiscal a médio prazo. Integrantes da oposição avaliam que o discurso enfrenta desconfiança no exterior, principalmente após a adoção de medidas que elevaram a carga tributária interna e geraram reação do setor produtivo.


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Nos bastidores, também se especula sobre possíveis conversas com representantes do Partido Republicano. Mesmo sem confirmação oficial, deputados conservadores dos Estados Unidos manifestaram interesse em discutir as políticas energéticas do Brasil e o impacto da tarifa imposta pela administração Trump.
Tensão comercial permanece
A liberação do visto não altera, por ora, o quadro tarifário que afeta exportadores brasileiros de aço, alumínio e produtos agrícolas. O governo norte-americano mantém a sobretaxa de 50% aplicada em junho, alegando necessidade de proteger setores estratégicos. Em resposta, o Planalto anunciou que acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC) e avalia contramedidas, mas até o momento não divulgou prazos.
Diante desse cenário, economistas preveem que as viagens de Haddad serão acompanhadas de perto pelo mercado financeiro. Qualquer sinal de flexibilização tarifária ou avanço na pauta de financiamento verde tende a impactar o câmbio e os juros futuros. Também se espera que o ministro apresente detalhes do projeto de reforma tributária, já aprovado na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado.

Imagem: Valter Campanato
Operação diplomática do Itamaraty
A condução do processo de renovação coube à Divisão de Privilégios e Imunidades do Ministério das Relações Exteriores. Técnicos do órgão enviaram à embaixada americana documentação que comprova a participação de Haddad em eventos multilaterais. A chancelaria reforçou que a recusa de visto violaria compromissos internacionais assumidos pela Casa Branca.
Diplomatas brasileiros comemoraram a solução, mas reconhecem que as divergências comerciais seguem sem prazo para término. A orientação interna é manter canais abertos com o Departamento de Estado e evitar declarações públicas que possam ser interpretadas como provocação.
Para analistas de comércio exterior, a renovação sinaliza que Washington prefere preservar a cooperação em fóruns globais, mesmo em meio a disputas setoriais. Ainda assim, observadores alertam que eventuais mudanças na Casa Branca, após as eleições de 2026, podem redesenhar a postura americana em relação ao Brasil.
Se você quer acompanhar outros desdobramentos da relação Brasil–Estados Unidos, visite a seção de política do nosso portal em https://geraldenoticias.com.br/category/politica.
Em síntese, a concessão do visto remove um obstáculo imediato e mantém a presença brasileira nos principais fóruns econômicos do semestre. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como as decisões de Nova York e Washington podem influenciar a economia doméstica.
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