EUA x Venezuela ganhou manchetes novamente após a revelação de uma ligação direta entre Donald Trump e Nicolás Maduro, descrita pela agência Reuters e analisada pelo canal Gazeta do Povo. Nas primeiras 100 palavras deste artigo você entenderá por que esse telefonema, combinado com movimentações militares na região do Caribe, recoloca o continente nas manchetes globais e cria um dilema para o governo Lula. Ao longo das próximas linhas, vamos mergulhar na cronologia, nos bastidores diplomáticos, nos cálculos estratégicos de Washington e Caracas e, sobretudo, nos efeitos práticos para o Brasil. Ao final, você terá um panorama completo — com fatos, dados e cenários — para formar sua própria opinião sobre uma possível intervenção norte-americana e seus desdobramentos.
Panorama da nova escalada entre EUA e Venezuela
Um conflito crônico que se reinventa
Desde 2019, quando os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino, a relação EUA x Venezuela entrou em rota de colisão aberta. Sanções econômicas, congelamento de ativos e restrições de viagem fragilizaram o regime bolivariano, mas não derrubaram Maduro. Em 2023, a transição política fracassou e, em 2024, surgem elementos novos: overdose recorde de fentanil nos EUA, crise migratória e a corrida presidencial norte-americana. O telefonema divulgado pela Reuters ocorre nesse contexto: Trump, ex-presidente e pré-candidato republicano, teria dado um ultimato ao venezuelano, rejeitando exigências de suspensão de sanções sem concessões eleitorais.
Por que o timing importa
Para Trump, endurecer contra um governo que Washington chama de “narco-ditadura” soa rentável perante sua base. Para Maduro, exibir resistência fortalece o discurso interno de “invasão imperialista”. A coincidência com eleições legislativas venezuelanas e prévias republicanas nos EUA transforma a crise num jogo de narrativas com potencial explosivo.
Bastidores da ligação Trump–Maduro
O que foi revelado até agora
A reportagem da Reuters indica três pontos-chave:
- Trump recusou suspender sanções financeiras sem calendário eleitoral verificável.
- Maduro exigiu o desbloqueio de reservas da PDVSA e liberdade plena para utilizar fundos do FMI.
- O diálogo incluiu menção velada a “consequências militares” caso cartéis ligados ao regime continuem enviando drogas aos EUA.
Ainda que não haja transcrição completa, diplomatas ouvidos pela agência confirmam o tom de ultimato. Analistas enxergam eco das conversas “fire and fury” que Trump já teve com a Coreia do Norte em 2017: máxima pressão para arrancar concessões.
Como a imprensa venezuelana reagiu
Veículos alinhados ao chavismo classificaram a matéria como “fake news” e tentaram desviar o foco para conquistas em habitação popular. Já portais independentes, como El Pitazo, repercutiram o temor de novas sanções que poderiam reduzir ainda mais a produção de petróleo, hoje em 780 mil barris/dia (ante 3,2 milhões em 2011).


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




“A ligação é sintoma de que a paciência estratégica dos EUA se esgotou. Se não houver avanço eleitoral, o cenário de ação cirúrgica no Caribe volta ao radar.”
— Prof. Carlos Malamud, Real Instituto Elcano (Espanha)
O papel do Brasil: Lula e Celso Amorim sob os holofotes
Alinhamento ou ambiguidade?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, segundo o Itamaraty, uma “conversa cordial” com Trump poucos dias após a ligação com Maduro. O objetivo oficial: defender que a saída seja negociada na mesa da CELAC e não imposta por Washington. Entretanto, críticos apontam que o governo brasileiro demorou a classificar grupos como o ELN colombiano ou o Hamas como terroristas, levantando suspeitas de tolerância com alianças pouco transparentes.
A missão de Celso Amorim em Caracas
Enviado especial do Planalto, Amorim reuniu-se com Maduro e, notoriamente, evitou o termo “fraude eleitoral” ao comentar as eleições sob controle chavista. A postura provocou reação de congressistas brasileiros, que enviaram carta ao Departamento de Estado defendendo transparência absoluta. Nos bastidores, teme-se que uma percepção de conivência de Brasília enfraqueça a capacidade de Lula de atuar como mediador.
• Exportações brasileiras: US$ 1,9 bi
• Importações brasileiras: US$ 740 mi
• Superávit favorável ao Brasil: US$ 1,16 bi
• Principais produtos: alimentos processados, químicos e máquinas agrícolas
Pressão militar dos EUA e cenários de intervenção
Músculo naval no Caribe
Satélites militares confirmam a presença do porta-aviões USS George Washington e do navio-anfíbio USS Bataan em exercícios conjuntos com a Guarda Costeira. Caças F-35, aeronaves de guerra eletrônica EA-18G e drones MQ-9 Reaper sobrevoam o espaço aéreo internacional próximo à fronteira venezuelana. A Casa Branca nega planos de invasão, mas admite “todas as opções sobre a mesa”.
Cenários operacionais
| Cenário | Ações dos EUA | Resposta provável de Maduro |
|---|---|---|
| Pressão diplomática ampliada | Sanções setoriais em gasolina | Reforço da retórica anti-imperialista |
| Bloqueio naval limitado | Interdição de petroleiros PDVSA | Acionamento de aliados como Irã |
| Ataque cirúrgico | Drones e forças especiais em alvos do Cartel de los Soles | Uso de escudos civis |
| Zonas de exclusão aérea | F-35 patrulham fronteira Colômbia-Venezuela | Radar russo Pechora em alerta |
| Intervenção multilateral | Resolução OEA + tropas colombianas | Pedido de ajuda à ALBA e Rússia |
Probabilidade de ação imediata
Analistas do CSIS (Center for Strategic and International Studies) estimam 30% de chance de ação militar limitada em 2024 se não houver sinal de eleições livres. Fatores de dissuasão incluem custo humanitário e impacto no preço do petróleo — que pode romper US$ 110 se oferta venezuelana for zero.
1965: Operação Power Pack na República Dominicana; 1994: intervenção no Haiti; 1989: invasão do Panamá. Os EUA já recorreram a operações rápidas no Caribe para remover regimes considerados hostis.
Impactos econômicos e humanitários para a região
Fluxos migratórios em aceleração
Mais de 7,7 milhões de venezuelanos já deixaram o país desde 2015, segundo a ONU. Se a crise escalar, estimativas indicam fluxo adicional de 800 mil refugiados até o fim de 2024, pressionando estados brasileiros da região Norte como Roraima e Amazonas. Organizações como ACNUR pedem US$ 1,5 bi extras para assistência, mas apenas 44% foram financiados em 2023.
Mercados de petróleo, soja e fertilizantes
- Revezes em Caracas podem elevar o Brent em até 15%.
- Soja brasileira pode ganhar competitividade caso sanções ampliem compra de alimentos.
- Fertilizantes venezuelanos, hoje limitados, podem ser cortados, encarecendo produção agrícola regional.
- PDVSA deve cerca de US$ 21 bi a traders que operam no Brasil; calotes podem afetar bancos locais.
- Empresas como Petrobras monitoram riscos de contaminação em joint-ventures antigas.
O que esperar dos próximos meses: cenários prospectivos
Sete fatores-chave para acompanhar
- Gravidade da crise de opioides nos EUA e pressão do Congresso por ação decisiva.
- Resultados das primárias republicanas e vantagem de Trump nas pesquisas.
- Relatórios da Agência Internacional de Energia sobre estoques de petróleo.
- Posição do novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, historicamente crítico a “aventuras militares”.
- Iniciativas de mediação da União Europeia, que retoma diálogo em Bruxelas.
- Ativismo de grupos venezuelanos no exílio, que organizam plebiscito paralelo.
- Resposta da Rússia, que mantém 600 assessores militares em Caracas.
Possíveis gatilhos de ruptura
Prisões de opositores, descumprimento de acordos de Barbados e testes de mísseis antiaéreos russos pela FANB podem precipitar retaliação. Em 2020, imagens de satélite revelaram baterias S-300, gerando alerta em Washington. Hoje, a simples ativação desses radares poderia justificar zonas de exclusão aérea.
Índice de Tensão Regional (ITR) calculado pela Universidade de Miami:
• Janeiro/24: 6,1/10
• Março/24: 7,4/10 (após vazamento do telefonema)
• Meta de alerta: 8,0/10
FAQ – Perguntas frequentes sobre a crise EUA x Venezuela
1. Trump tem poder legal para ordenar ataque sem Congresso?
Sim, por até 60 dias sob a War Powers Resolution de 1973, desde que alegue ameaça à segurança nacional. Depois disso, precisa de aval legislativo.
2. As sanções atuais proíbem qualquer compra de petróleo venezuelano?
Não. Empresas com licenças específicas do Tesouro podem negociar, mas há teto de volume e obrigação de pagamento em contas bloqueadas.
3. O Brasil pode ser alvo de retaliação secundária?
Possivelmente, caso exporte derivados para a PDVSA. Sanções secundárias punem empresas de terceiros países que facilitem transações sob embargo.
4. Há tropas norte-americanas na fronteira colombiana?
Colômbia recebe instrutores militares dos EUA desde 2000 no Plano Colômbia. Não há brigadas de combate regulares, mas forças especiais transitam para treinamentos.
5. Qual a posição da China nesta disputa?
Pequim quer estabilidade para garantir pagamentos de cerca de US$ 19 bi em empréstimos a Caracas. Defende diálogo, mas vetaria ação militar na ONU.
6. As Forças Armadas venezuelanas apoiam Maduro de forma unânime?
A cúpula, sim, pois controla empresas estatais e zonas de mineração. Contudo, desertores somam mais de 8 mil desde 2019, indicando fissuras.
7. Existe a possibilidade de Maduro aceitar exílio negociado?
Baixa, embora relatórios apontem oferta de passagem segura a Cuba ou Turquia. Maduro teme tribunal internacional e prefere resistir no cargo.
8. Como ficam os acordos de dívida da PDVSA com credores brasileiros?
Em caso de colapso do regime, títulos podem entrar em default; governo interino ou junta de transição seria pressionado a renegociar com descontos elevados.
Conclusão
Ao longo deste artigo vimos:
- A ligação Trump–Maduro elevou o conflito EUA x Venezuela a novo patamar.
- Movimentação naval, sanções e retórica eleitoral aumentam a probabilidade de ação militar.
- O Brasil tenta mediar, mas enfrenta críticas à sua ambiguidade diplomática.
- Cenários de impacto incluem migração, choque no petróleo e risco de sanções secundárias.
- Próximos meses serão decisivos, com sete fatores-chave a monitorar.
Se você quer acompanhar cada passo desse xadrez geopolítico, inscreva-se no canal Gazeta do Povo, ative as notificações e considere apoiar o jornalismo independente citado no vídeo. Informação de qualidade será a sua melhor arma num momento em que rumores podem custar caro a empresas, investidores e cidadãos.
Artigo baseado no vídeo “EUA x Venezuela: O movimento secreto de Trump que pode mudar tudo | SEM RODEIOS”, Gazeta do Povo, publicado no YouTube em 21/03/2024.


