Brasília — O economista Marcos Lisboa, que ocupou a Secretaria de Política Econômica no primeiro governo Lula, afirmou que as contas públicas brasileiras se tornaram “ficção”. Em entrevista recente ao Correio Braziliense, o ex-integrante da equipe petista criticou duramente o novo arcabouço fiscal, classificando a regra como “inconsistente” desde a origem e acusando o Executivo de lançar mão de “contabilidade criativa” para mascarar o tamanho real do déficit.
Ex-secretário aponta maquiagem nas contas públicas
Lisboa explicou que o Orçamento de 2026 ficou engessado porque as despesas obrigatórias crescem acima da inflação, enquanto o governo decidiu ampliar benefícios sociais como Bolsa Família, auxílio-gás e subsídios na conta de luz. Segundo ele, o arcabouço não impôs limite efetivo aos gastos e criou brechas para retirar certas despesas do teto, o que distorce os números.
“O déficit primário divulgado deixou de refletir a situação verdadeira”, declarou o economista, ao mencionar divergências entre os dados do Tesouro Nacional e do Banco Central. Para Lisboa, mesmo um aumento expressivo de impostos não seria suficiente para equilibrar o quadro, pois as despesas discricionárias — já comprimidas — não cobrem o rombo decorrente dos gastos obrigatórios.
Ele lembrou que, na semana de publicação do arcabouço, divulgou artigo técnico em parceria com o também economista Marcos Mendes demonstrando que a regra não se sustentava. Na avaliação de Lisboa, o governo repete práticas de “pedaladas contábeis” que já geraram questionamentos em gestões anteriores.
Pressão fiscal e desafios eleitorais
O cenário econômico complicado coincide com a proximidade da corrida presidencial: faltam cerca de 40 semanas para o início oficial da campanha de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza intenção de buscar novo mandato, mas enfrenta obstáculos financeiros e políticos.
A principal vitrine social do Planalto — a faixa de isenção do Imposto de Renda elevada para quem recebe até R$ 5 mil — não corrige, na visão de especialistas, a distorção na distribuição da carga tributária. Parte expressiva dos trabalhadores de menor renda continua sujeita a tributos indiretos elevados, enquanto rendimentos mais altos conseguem abater despesas ou usar regimes especiais.


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Além da área fiscal, cresce a pressão sobre a segurança pública. Nos bastidores da COP 30, em Belém, chegaram relatos de cidades paraenses tomadas por pichações do Comando Vermelho, sinalizando avanço do crime organizado. Produtores rurais e comerciantes queixam-se de extorsões e da ausência de forças estatais. O contraste entre as discussões ambientais no fórum internacional e a realidade local alimenta críticas de que o governo prioriza pautas ideológicas em detrimento de problemas concretos.
Isolamento regional e incertezas na Amazônia
No tabuleiro externo, a esquerda sul-americana perdeu fôlego. Pesquisas apontam revés para o bloco progressista nas eleições chilenas, o que deixaria o Palácio do Planalto cada vez mais restrito a Nicolás Maduro (Venezuela) e Gustavo Petro (Colômbia) como aliados ideológicos. O isolamento pode limitar iniciativas conjuntas e reduzir margem de manobra diplomática.
Outro ponto sensível é a gestão dos fundos climáticos. O governo anunciou novo mecanismo financeiro para proteger florestas, mas não detalhou critérios de aplicação. Lisboa e outros analistas temem que os recursos acabem concentrados em organizações não governamentais com pouca prestação de contas, enquanto facções criminosas expandem influência na Amazônia.

Imagem: Alex Ferreira
Risco de deterioração fiscal
A partir das projeções divulgadas, o déficit primário efetivo para 2026 tende a superar a meta oficial caso não ocorram cortes significativos. A equipe econômica trabalha com receita adicional via aumento de impostos sobre setores específicos, porém enfrenta resistência no Congresso.
Caso a trajetória de gastos não seja revertida, o Brasil poderá experimentar elevação do custo da dívida e pressão sobre o câmbio. Embora o mercado financeiro tenha registrado momentos de euforia recente, Lisboa adverte que os indicadores não refletem necessariamente a robustez fiscal no médio prazo.
A entrevista do ex-secretário ecoa dentro e fora da Esplanada, reacendendo o debate sobre responsabilidade na gestão do dinheiro público. Com a campanha à porta, a capacidade de Lula de explicar números divergentes e promessas de equilíbrio depende de ajustes concretos, e não de ajustes contábeis.
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Em síntese, Marcos Lisboa acusa o governo de driblar regras fiscais, alerta para um déficit maior que o divulgado e questiona a viabilidade do arcabouço. O tema deve dominar o debate eleitoral, tornando imprescindível ao leitor seguir informado e cobrar clareza nas contas públicas.
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