Brasília, 21 de novembro de 2023 – O futuro do KC-390, avião de transporte militar mais avançado já produzido pela indústria brasileira, entrou em zona de turbulência. A Força Aérea Brasileira (FAB) avalia retirar de serviço uma das cinco aeronaves atualmente operacionais devido a danos estruturais relevantes e à escassez de recursos para reparo.
Despesas abaixo do previsto comprometem frota
Dados do sistema de execução orçamentária do Senado apontam que, dos R$ 520,7 milhões autorizados em 2023 para o programa KC-390, apenas 31 % foram efetivamente pagos. O montante desembolsado, de R$ 74,2 milhões, cobre pouco mais que despesas correntes e indica um déficit que pressiona a manutenção de aeronaves estratégicas.
A FAB empenhou R$ 266 milhões – valor reservado para gastos já contratados –, mas o baixo ritmo de liberação financeira limita a execução de contratos com a Embraer, responsável pelo desenvolvimento e suporte. A situação expõe o impacto direto do teto de gastos e das disputas sobre o novo arcabouço fiscal na capacidade operacional das Forças Armadas.
Pouso duro gera rachaduras e eleva custo de reparo
O episódio que deflagrou a crise ocorreu em 12 de setembro, quando um KC-390 regressava de missão de reabastecimento à base brasileira na Antártida. Durante o pouso em Ushuaia, extremo sul da Argentina, rajadas de vento provocaram forte impacto – o chamado “pouso duro”. Técnicos da Embraer, que posteriormente vistoriaram o aparelho na Base Aérea do Galeão (RJ), identificaram rachaduras na junção asa-fuselagem, ponto crítico da estrutura.
Embora a fabricante colabore na investigação, fontes da Aeronáutica estimam que o reparo pode exigir substituição de componentes de grandes dimensões, operação cara e complexa. Sem verba garantida, o comando avalia descartar a aeronave e aproveitar itens ainda em bom estado como sobressalentes.
Canibalização agrava disponibilidade
Outro KC-390, avariado em 2021 após atravessar tempestade de granizo, também permanece no solo e, segundo militares, já serve de fonte de peças para manter os demais aviões ativos. Com dois exemplares parados e outros dois em manutenção programada, restam apenas quatro unidades plenamente disponíveis – metade da frota entregue até o momento.


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O Brasil adquiriu 19 aeronaves por valor atualizado de R$ 13,5 bilhões. A entrega, originalmente prevista até 2027, foi dilatada para a década de 2030 depois que cortes orçamentários em 2019 reduziram a encomenda inicial de 28 para 19 unidades.
Medida de crédito especial tenta blindar projetos estratégicos
Diante da pressão da Defesa, o Congresso aprovou dispositivo que autoriza destinar até R$ 5 bilhões por ano a programas estratégicos, entre eles o KC-390, o caça sueco Gripen e as fragatas da classe Tamandaré. A liberação, porém, depende da disponibilidade fiscal e da priorização pela equipe econômica.

Imagem: Internet
Integrantes do alto-comando alegam que, sem fluxos financeiros estáveis, a FAB corre risco de comprometer missões logísticas, humanitárias e de soberania. O KC-390 transporta até 26 toneladas, reabastece aeronaves em voo e opera em pistas curtas, capacidades consideradas essenciais para a Amazônia, o Centro-Oeste e missões internacionais.
Paradoxo: sucesso no exterior, incerteza em casa
No mercado externo, o cargueiro da Embraer projeta boa aceitação: dez países já firmaram pedidos, sete deles membros da Otan. A empresa discute linhas de montagem locais com Índia e Arábia Saudita para ampliar competitividade. O interesse estrangeiro confirma a relevância tecnológica do projeto, mas contrasta com o cenário doméstico, onde a falta de financiamento ameaça reduzir a frota antes mesmo da conclusão das entregas.
No âmbito operacional, especialistas lembram que descartar aeronave ainda relativamente nova é medida extrema. Contudo, sem recursos para reparo de alta complexidade, a FAB vê pouca alternativa a curto prazo. Além da perda capacitiva, a aposentadoria precoce pode elevar custos de hora-voo, pois dilui despesas fixas em número menor de unidades ativas.
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Em síntese, a possível retirada de um KC-390 por falta de verba explicita o desafio de manter projetos estratégicos diante de restrições fiscais. A continuidade da frota dependerá da liberação de recursos prometidos no Congresso e da definição de prioridades pelo governo federal. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe esta notícia para ampliar o debate sobre investimentos em defesa.
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