Brasília, 12 ago. 2025 — Bernardo Van Brussel Barroso, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, decidiu não voltar aos Estados Unidos depois que o governo de Donald Trump suspendeu os vistos de uma série de ministros da Corte brasileira. O executivo, diretor do BTG Pactual em Miami, optou por permanecer fora do território norte-americano por cautela, evitando qualquer risco de ser barrado na imigração.
A decisão foi tomada após um período de férias na Europa. Segundo apuração de veículos nacionais, o próprio ministro Barroso aconselhou o filho a aguardar em solo europeu e, na sequência, regressar ao Brasil. Diante da falta de confirmação oficial sobre a lista completa de autoridades afetadas, Bernardo concluiu que o retorno aos EUA seria incerto.
Vistos de ministros sob revisão
Em 18 de julho, o Departamento de Estado norte-americano revogou o visto do ministro Alexandre de Moraes, de seus familiares e de pessoas consideradas “aliadas”. A medida, adotada no âmbito da Lei Magnitsky, incluiu outros nomes da cúpula do Judiciário brasileiro, entre eles Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Gilmar Mendes e o próprio Luís Roberto Barroso. Os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques não teriam sido atingidos.
A suspensão dos vistos autoriza autoridades de fronteira a impedir a entrada dos sancionados nos Estados Unidos. Sem indicação clara de exceções, qualquer deslocamento desses magistrados ou de pessoas associadas a eles passou a depender de avaliação caso a caso pelos agentes de imigração.
Procurado, o BTG Pactual informou que não comentaria o assunto. O banco mantém operações relevantes em Miami, onde Bernardo Barroso exerce funções de direção voltadas a clientes latino-americanos.
Pressão política e reações no Brasil
As sanções foram divulgadas em meio à elevação temporária de 50% na taxação de produtos brasileiros que ingressam nos Estados Unidos, medida alinhada à política comercial da atual administração Trump. Paralelamente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) articulou em Washington a inclusão de Alexandre de Moraes e de outros ministros nas restrições, citando decisões do STF que, segundo ele, ferem a liberdade de expressão.


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Donald Trump tem criticado publicamente despachos do ministro Moraes contra plataformas digitais, além do julgamento que declarou inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Moraes é relator de inquéritos que investigam o ex-mandatário e seus apoiadores por atos relacionados ao 8 de janeiro de 2023.
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição intensificam a mobilização pelo chamado “pacote da paz”. O conjunto de propostas prevê anistia ampla aos envolvidos nos protestos de 8 de janeiro, impeachment de Alexandre de Moraes e extinção do foro privilegiado para autoridades. Líderes oposicionistas afirmam que a tramitação desse pacote ganhou impulso após as sanções americanas, vistas como sinal de endurecimento externo contra figuras do Judiciário consideradas ativistas.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal evita comentários sobre a medida norte-americana. Nos bastidores, contudo, magistrados buscam informações junto à chancelaria brasileira para entender o alcance das restrições. O Itamaraty, até o momento, declarou que acompanha o caso “com atenção” e aguarda comunicação oficial de Washington antes de adotar qualquer providência diplomática.
Ao decidir permanecer fora dos Estados Unidos, Bernardo Barroso se antecipa a eventuais constrangimentos legais que poderiam afetar sua atuação profissional em Miami. Mesmo sem confirmação pública de que seu visto foi, de fato, revogado, o executivo prefere aguardar definição do quadro político e jurídico. A expectativa é de que o governo Trump esclareça, nas próximas semanas, critérios e prazos para revisão dos nomes listados.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a ausência prolongada de Bernardo nos Estados Unidos pode alterar, temporariamente, a dinâmica de negócios com clientes baseados na Flórida. Ainda assim, interlocutores do banco afirmam que a operação segue normal, com apoio de outras unidades do grupo.
Para o STF, o episódio amplia a tensão institucional em torno de sua imagem internacional. Já no meio político, o movimento norte-americano amplia o debate sobre limites de atuação do Judiciário e reforça bandeiras como a do controle de decisões que, segundo críticos, extrapolam competências constitucionais.
Até que haja esclarecimento oficial dos Estados Unidos, a tendência entre autoridades brasileiras mencionadas na lista é suspender viagens ao país. Com isso, eventos acadêmicos, compromissos diplomáticos e reuniões de negócios previstas para o segundo semestre podem ser ajustados ou transferidos para outros destinos.


