O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal após a Primeira Turma rejeitar, por unanimidade, o recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, tomada nesta sexta-feira, 7, mantém a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão imposta ao ex-chefe do Executivo no processo que investiga suposta tentativa de golpe de Estado.
Senador chama julgamento de “farsa”
Em entrevista concedida à CNN Brasil logo após o resultado, Flávio classificou o julgamento como “uma farsa em que já se sabe o resultado final antes mesmo de o processo começar”. Para ele, a sentença não se baseou nas provas constantes dos autos, mas na composição da Corte. “Não é pelo que está nos autos, é em função de quem está julgando”, declarou.
O senador afirmou que não se surpreende com a rejeição do recurso e disse esperar “bom senso” na definição sobre eventual prisão do pai. Segundo lembrou, a legislação brasileira não prevê estabelecimento prisional específico para ex-presidentes. “Já que ele foi condenado sem ter feito absolutamente nada de errado, o mínimo que se espera é bom senso e que ele fique em casa”, disse.
Acusações contra o ministro Alexandre de Moraes
Flávio Bolsonaro dirigiu críticas diretas ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Para o parlamentar, o magistrado conduz o processo movido por “vingança pessoal e insana” contra o ex-presidente. O senador argumentou que, se Moraes tivesse sido indicado ao Supremo por Michel Temer — hipótese ventilada em 2017 —, o tratamento dispensado ao peticionário seria distinto. “Se fosse com o ex-presidente Temer, ele jamais faria o que está fazendo com Bolsonaro”, pontuou.
O filho mais velho do ex-presidente insistiu que Jair Bolsonaro necessita de cuidados médicos permanentes e, por vezes, imediatos. Na avaliação do senador, o avanço do processo sem considerar tal condição configura intento de “deixar Bolsonaro morrer”. Citou, ainda, que a manutenção da pena representa “sepultamento da democracia” e garantiu que “não vão calar Bolsonaro nunca”.
Recurso rejeitado e próximos passos
A decisão da Primeira Turma foi tomada em sessão virtual que analisou os primeiros recursos não só de Jair Bolsonaro, mas também de seis ex-auxiliares apontados pela acusação como parte do “núcleo central” do alegado plano golpista: Walter Braga Netto, Anderson Torres, Almir Garnier, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem. Apenas o tenente-coronel Mauro Cid — que firmou acordo de colaboração premiada — não recorreu.


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Com o recurso rejeitado, cabem agora embargos de declaração ou, em última instância, embargos infringentes, dependendo da fase processual. Enquanto isso, a defesa do ex-presidente mantém a estratégia de questionar a competência do Supremo para julgar o caso e pede a anulação da sentença, alegando “vícios e nulidades insanáveis”.
Posicionamento do STF
Até o fechamento deste texto, o Supremo Tribunal Federal não havia se manifestado sobre as declarações de Flávio Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes também não enviou resposta às afirmações do senador. A Corte, contudo, mantém o rito processual previsto e segue analisando os demais recursos apresentados pelos réus.
Desdobramentos políticos
O endurecimento do discurso de Flávio Bolsonaro ocorre num momento em que a base conservadora busca consolidar apoio em defesa do ex-presidente. Dirigentes do PL e aliados no Congresso avaliam estratégias para sensibilizar a opinião pública e pressionar por medidas que evitem eventual prisão em regime fechado. Nos bastidores, parlamentares veem dificuldade em alterar o quadro jurídico, mas pretendem explorar o tema no calendário eleitoral de 2024 e 2026.

Imagem: Internet
Nas redes sociais, grupos alinhados à direita replicaram a fala do senador, reforçando críticas ao Supremo e pedindo maior mobilização. Organizações civis que defendem a legitimidade do julgamento, por sua vez, replicaram que o processo observou amplo direito de defesa e seguiu precedentes da Corte.
Contexto dos demais réus
Entre os outros acusados, as defesas também alegam ausência de provas sobre tentativa de ruptura institucional. Ex-ministros citados no processo argumentam que apenas cumpriam funções administrativas à época dos fatos investigados. Até agora, porém, nenhuma sustentação afastou a conclusão da Primeira Turma, que considerou robusta a documentação reunida pela Procuradoria-Geral da República.
Fora do STF, a discussão chega ao Congresso Nacional, onde parlamentares articulam audiências públicas para analisar impactos da decisão e debater possíveis alterações na legislação relacionada a crimes contra o Estado Democrático de Direito.
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Em síntese, a rejeição do recurso reforça a pena de Jair Bolsonaro e acirra o embate entre aliados do ex-presidente e o Supremo Tribunal Federal. Continue acompanhando as atualizações em nosso site e fique informado sobre as próximas etapas desse processo que pode redefinir o cenário político brasileiro.
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