O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou publicamente, nesta segunda-feira, 27, a sinalização de aproximação entre o Partido Liberal e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). A hipótese ganhou força depois de declarações do próprio prefeito durante um evento de filiação partidária no fim de semana. Segundo Flávio, a negociação não passou pelo seu crivo nem pelo eleitorado conservador fluminense, base histórica da legenda.
Contexto da divergência
A discussão começou quando Paes, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acenou com a possibilidade de caminhar ao lado do PL nas eleições de 2026. O prefeito fez o gesto durante a filiação do deputado federal Luciano Vieira ao PSDB, ao mencionar que pretendia atuar “por um só amor: o amor ao Estado do Rio de Janeiro”. Integrantes do PL viram a fala como resposta ao presidente municipal do partido, Bruno Bonetti, que condicionara apoio à prefeitura a um alinhamento de Paes com o ex-presidente Jair Bolsonaro ou com o candidato que o líder conservador escolher para a disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro reagiu poucas horas depois, em suas redes sociais. O senador disse ter tomado conhecimento pela imprensa e afirmou: “Não fui consultado e acredito que o eleitor de direita no Rio — o mais importante para uma decisão dessas — também não foi”. Na sequência, questionou a coerência de uma eventual coligação: “Como dá pra ser palanque de Bolsonaro e de Lula ao mesmo tempo? Ser contra e a favor de traficante? Ser contra e a favor de aborto?”
O pronunciamento reforçou o desconforto entre dirigentes estaduais do PL e o núcleo político de Eduardo Paes. A sigla abriga, além de Jair Bolsonaro, o governador do Rio, Cláudio Castro, reeleito em 2022 com forte apoio do eleitorado conservador e das forças de segurança pública.
Movimentos políticos em jogo
Nos bastidores, a direção nacional do PL busca ampliar sua base para 2026, mirando tanto a reeleição de governadores quanto a disputa pela maioria no Congresso. Entretanto, a proposta de dividir palanque com um gestor alinhado ao Palácio do Planalto petista gera resistência entre filiados capitaneados pela família Bolsonaro. O partido ainda não apresentou posição oficial, mas interlocutores admitem que qualquer avanço dependerá da anuência do ex-presidente.
Flávio Bolsonaro também sinalizou que o grupo avalia nomes “fortes” para concorrer ao governo estadual na próxima eleição. “Em breve, boas novidades”, escreveu o senador, sem detalhar quais candidatos estão na mesa. A intenção é testar perfis capazes de repetir o desempenho eleitoral de 2022, quando a direita saiu vitoriosa no Executivo fluminense e obteve expressiva votação para as cadeiras da Câmara dos Deputados.


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O prefeito Eduardo Paes, por sua vez, governa a capital desde 2021 com sustentação de uma aliança que inclui PSD, MDB e partidos de esquerda. Apesar dessa composição, o gestor tem mantido diálogo com lideranças de direita em busca de estabilidade para concluir obras de infraestrutura e atrair investimentos. Ao sugerir proximidade com o PL, Paes tenta neutralizar críticas de setores conservadores e garantir apoio em regiões onde a influência bolsonarista permanece forte.

Imagem: Internet
Dentro do PL, o presidente regional Altineu Côrtes defende cautela. Segundo aliados, Côrtes pretende ouvir deputados estaduais e federais antes de formalizar qualquer entendimento com Paes. Já Bruno Bonetti, responsável pelo diretório municipal, enfatizou que o partido só marchará com o prefeito caso exista “alinhamento programático e eleitoral” com Jair Bolsonaro. A disputa interna reflete a tensão entre ampliar o espectro de alianças e preservar a identidade ideológica que impulsionou o crescimento da sigla nas urnas.
Analistas apontam que a definição só deve ocorrer depois do calendário eleitoral de 2024, quando Eduardo Paes buscará a reeleição à prefeitura. O resultado na capital servirá de termômetro para mensurar a disposição do eleitorado conservador em aceitar uma aproximação com o gestor associado ao governo Lula. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantém postura vigilante, afirmando que o partido não pode “trair” seus eleitores.
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Em resumo, o impasse evidencia as divergências internas sobre o rumo do PL no Estado do Rio de Janeiro e expõe a dificuldade de conciliar interesses regionais com a estratégia nacional do bolsonarismo. Fique atento às próximas movimentações e compartilhe este conteúdo para manter seus contatos informados.
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