São Paulo, 25 de março — O capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofre nova pressão. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira indica que a maioria dos brasileiros considera justa a prisão domiciliar imposta ao ex-chefe do Executivo, decisão que inclui restrições rígidas a sua atuação pública e digital.
Maioria apoia regime domiciliar
O levantamento, conduzido nacionalmente, mostra números expressivos sobre a percepção popular a respeito de Bolsonaro. Segundo o instituto, a parcela favorável ao regime domiciliar está bem acima da margem de erro, sugerindo sentimento consolidado sobre a suposta tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente. A divulgação ocorre em momento sensível: o julgamento sobre o caso, previsto para setembro, tende a pesar ainda mais sobre a imagem do líder do PL.
Entre as condições impostas pela Justiça, Bolsonaro está proibido de usar redes sociais, participar de eventos públicos ou organizar atos. Essas limitações impedem a mobilização de apoiadores e dificultam a elaboração de estratégias políticas com aliados, reduzindo a capacidade de reação do ex-presidente no debate público.
Efeito imediato no tabuleiro eleitoral
A deterioração do capital político do ex-presidente impacta diretamente a configuração para as eleições municipais do próximo ano. No passado, siglas do centrão mantinham diálogo frequente com Bolsonaro na expectativa de lhe garantir palanque; agora, esse cenário mudou. O distanciamento de legendas tradicionalmente pragmáticas reflete o cálculo sobre custos e benefícios de vincular-se a um líder que enfrenta processo judicial e restrições de comunicação.
Sinal claro dessa nova postura ocorreu no lançamento da Federação União Brasil Progressista, em Brasília. Mesmo com críticas ao atual governo federal, o evento registrou poucas referências a Bolsonaro e nenhuma defesa explícita de anistia. O foco passou a ser a manutenção das bancadas no Senado e na Câmara, crucial para acesso ao fundo partidário e para a preservação de influência legislativa até 2026.
Julgamento no horizonte
Com o início do julgamento agendado para setembro, Bolsonaro entra em período decisivo. Caso a avaliação popular continue desfavorável, partidos de centro podem reforçar a distância, privilegiando nomes regionais e alianças locais. Por outro lado, o ex-presidente ainda conta com base fiel, especialmente em setores conservadores, capaz de garantir apoio relevante caso consiga retomar a presença nas redes e em eventos públicos quando autorizado.


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O ritmo do processo judicial e a eventual confirmação da condenação ou absolvição vão definir o fôlego do ex-presidente para 2024 e, principalmente, 2026. A reação de sua militância, embora hoje cerceada pelas restrições, continua sendo variável de peso na disputa narrativa ‒ inclusive dentro do próprio campo da direita.
Centrão redefine prioridades
A pesquisa corrobora o movimento de reacomodação observada no centrão. Bancadas que antes orbitavam o projeto bolsonarista agora buscam preservar espaço institucional independentemente da figura do ex-presidente. Dirigentes avaliam que, com o fundo partidário em jogo, manter número expressivo de cadeiras na Câmara e no Senado se sobrepõe a qualquer vínculo personalista.

Imagem: Internet
Analistas apontam que o debate sobre anistia, tema recorrente em agendas de apoiadores de Bolsonaro, perdeu força na pauta do Congresso. Sem mobilização de rua e com o próprio ex-presidente impedido de participar, o assunto deixou de agregar dividendos imediatos a legendas que miram eleições locais.
Restrição digital reduz alcance
A proibição de uso de redes sociais atinge diretamente a principal vitrine política de Bolsonaro, responsável por engajamento elevado durante seu mandato e nas campanhas de 2018 e 2022. A ausência de postagens, transmissões ao vivo e interações diárias limita o contato com seguidores e dificulta o contra-ataque narrativo a pesquisas como a da Genial/Quaest.
Além disso, a impossibilidade de participar de atos públicos retira visibilidade de eventos que tradicionalmente funcionavam como termômetro de apoio popular. Sem a presença do ex-presidente em motociatas ou manifestações, organizadores dificuldades em reunir grandes públicos, o que contribui para a percepção de afastamento do debate nacional.
Cenário permanece imprevisível
Embora a pesquisa aponte desgaste considerável, o ambiente político brasileiro permanece marcado por volatilidade. Mudanças nos rumos do processo judicial, ajustes nas restrições ou reconfigurações partidárias podem alterar rapidamente o quadro. Por ora, a tendência é de cautela entre siglas que calculam o impacto eleitoral de se alinhar a Bolsonaro.
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Em resumo, a sondagem Genial/Quaest sinaliza queda de apoio ao ex-presidente e pressiona partidos aliados a recalcular estratégias. Continue acompanhando nossas atualizações e mantenha-se informado sobre cada etapa desse processo.

