O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou as redes sociais neste domingo (7) para rebater críticas feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante ato realizado na avenida Paulista em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O magistrado declarou que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”.
Choque público entre Supremo e Palácio dos Bandeirantes
As declarações de Gilmar Mendes surgiram poucas horas após Tarcísio fazer ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, também do STF, a quem classificou como “ditador” e “tirano”. Diante de uma plateia estimada em 42 mil pessoas na capital paulista, o governador defendeu anistia “ampla e irrestrita” para envolvidos nos protestos de 8 de janeiro e sustentou que Bolsonaro deve ter o direito de disputar a eleição presidencial de 2026.
Tarcísio acusou o Supremo de julgar “um crime que não existiu” e afirmou que o processo no qual Bolsonaro é réu não seria justo. Ao ouvir o coro “Fora, Moraes” puxado pelos manifestantes, declarou que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”. O governador encerrou sua fala dizendo que “não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro”.
No entendimento de um outro ministro do STF, que falou sob reserva, as palavras de Tarcísio “queimam pontes” com a Corte e elevam a tensão institucional. Essa fonte descreveu o discurso do governador como um movimento político que, na prática, não contribui para a situação de Bolsonaro.
Recado do decano: punição sem perdão para crimes contra a democracia
No X (antigo Twitter), Gilmar Mendes ressaltou que crimes contra o Estado Democrático de Direito “são insuscetíveis de perdão” e que “cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam”. O ministro não mencionou Tarcísio nominalmente, mas o contexto deixou clara a resposta ao governador, que havia pedido anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro.
Ao longo dos últimos anos, Gilmar tem defendido publicamente a estabilidade das instituições e, reiteradas vezes, apontou riscos quando autoridades eleitas questionam decisões judiciais. A nova manifestação ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro no STF por suposta participação na articulação golpista. Caso seja condenado, o ex-presidente pode ficar inelegível e sofrer outras sanções penais.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Contexto político e cenários possíveis
A fala de Tarcísio reforça a estratégia de parte da direita de mobilizar apoiadores em torno de pautas que envolvem liberdade de expressão, revisão de condenações e críticas à atuação de ministros do Supremo. O paulista, nome de destaque na ala conservadora, tenta manter sua base engajada enquanto se projeta como eventual sucessor de Bolsonaro em 2026, caso o ex-chefe do Executivo permaneça impedido pela Justiça Eleitoral.
Dentro do STF, há a avaliação de que manifestações de governadores e parlamentares contra decisões judiciais poderiam pressionar o tribunal. Entretanto, ministros sinalizam que a Corte continuará a julgar os processos ligados aos atos antidemocráticos seguindo o calendário previsto, rejeitando interferências externas.

Imagem: Internet
Analistas apontam que, se prosperar o discurso a favor de anistia, o tema deverá chegar ao Congresso em forma de projeto, exigindo maioria qualificada nas duas Casas. Até aqui, porém, não há consenso entre líderes partidários sobre a viabilidade de aprovar perdão amplo para acusados de atentado à ordem constitucional.
Próximos passos
O STF deve retomar, nas próximas semanas, sessões que envolvem réus do 8 de janeiro, além de manter em pauta o processo sobre o alegado plano golpista atribuído a Bolsonaro. Tarcísio, por sua vez, sinalizou que continuará vocalizando críticas ao Supremo, sustentando bandeiras de anistia e liberdade de candidatura para o ex-presidente.
Com o embate cada vez mais público, cresce a expectativa de novos pronunciamentos tanto do Palácio dos Bandeirantes quanto da Corte. O clima tenso reacende discussões sobre separação de Poderes, limites de atuação do Judiciário e responsabilidade de agentes públicos no debate político.
Se você quer acompanhar mais movimentações no cenário de Brasília, confira também a cobertura completa em nossa seção de política em Geral de Notícias – Política.
Em síntese, Gilmar Mendes reafirmou a linha dura do Supremo contra atos considerados golpistas, enquanto Tarcísio de Freitas ampliou as pressões por anistia e criticou diretamente Alexandre de Moraes. A disputa promete novos capítulos nas ruas, no Congresso e na própria Corte. Continue acompanhando para não perder os próximos desdobramentos.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:


