Brasília, 31 de outubro de 2025 – A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), acusou nesta sexta-feira governadores alinhados à direita de “colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar dos Estados Unidos”. A declaração foi feita um dia depois da criação do Consórcio da Paz, bloco interestadual voltado ao combate ao crime organizado.
Críticas diretas ao grupo de governadores
Em pronunciamento, Gleisi afirmou que os chefes de Executivo estaduais deveriam “somar forças” à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, encaminhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso. Segundo a ministra, o foco dos governadores “não é a segurança, mas a divisão política”. Ela citou nominalmente Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), apontando-o como principal voz do grupo.
Para Gleisi, a atuação dos governadores “lembra o comportamento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)”, que desde março reside nos Estados Unidos. A ministra declarou que “não conseguem esconder o desejo de entregar o país ao estrangeiro” e mencionou movimentações navais norte-americanas no Caribe como sinal de possível avanço sobre o hemisfério sul.
Consórcio da Paz reúne sete estados
O Consórcio da Paz foi anunciado na quinta-feira (30) durante reunião no Rio de Janeiro. O encontro foi liderado por Cláudio Castro (PL-RJ) e contou com Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Riedel (PP-MS), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) participou por videoconferência.
O bloco prevê integração de informações de inteligência, padronização de procedimentos e operações conjuntas contra facções criminosas. Para os signatários, a iniciativa respeita a autonomia constitucional dos estados e supre lacunas na coordenação federal.
Durante o anúncio, três dos presentes – Zema, Caiado e Tarcísio – foram citados como potenciais pré-candidatos ao Palácio do Planalto em 2026. Todos manifestaram desconfiança em relação à PEC da Segurança. De acordo com eles, o texto transfere ao Ministério da Justiça a definição das diretrizes policiais, enfraquecendo as gestões estaduais.


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Operação no Rio de Janeiro divide avaliações
O encontro também serviu para analisar a operação conduzida pela Polícia Militar nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio, classificada por Zema como “a mais bem-sucedida do país”. A ação resultou em 121 mortes, entre elas quatro policiais, e tinha como alvo Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como líder do Comando Vermelho, que continua foragido.
Para os governadores, o alto número de óbitos reflete a gravidade da situação e a necessidade de ações robustas. Já o governo federal sustenta que o enfrentamento deve ocorrer dentro de um plano nacional unificado, como previsto pela PEC 18.
PEC da Segurança intensifica embate federativo
A PEC 18 estabelece que a União elaborará a política nacional de segurança pública, cabendo a estados e municípios seguir as diretrizes definidas por um conselho tripartite. O Palácio do Planalto assegura que a proposta “mantém a autonomia federativa”. Governadores, porém, enxergam ingerência direta sobre suas polícias.
“O objetivo do governo federal é tirar dos governadores as diretrizes da segurança pública e transferi-las ao Ministério da Justiça. Isso é intervenção”, criticou Caiado. Na visão de Gleisi, o argumento é “equivocado” e favorece “ambições eleitorais”.

Imagem: Marcelo Camargo
Parlamentares da base governista avaliam que a PEC terá tramitação concluída em 2026. Já líderes da oposição articulam mudanças para preservar prerrogativas regionais. A expectativa é de que o texto passe por alterações significativas na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Contexto internacional citado por Gleisi
A ministra também mencionou manobras militares norte-americanas no Caribe, apresentadas por Washington como parte de operações de combate ao narcotráfico. Segundo Gleisi, esse movimento reforça o risco de “interferência estrangeira” caso a coordenação de segurança interna brasileira se fragmente.
Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA não respondeu às declarações da ministra. Governadores, por sua vez, afirmam que a referência a uma suposta intervenção é “retórica política” e que o foco deve permanecer na melhoria da segurança nos estados.
A tensão entre Planalto e gestores estaduais eleva o debate sobre soberania, cooperação federativa e controle do aparato policial. Enquanto a PEC avança no Congresso, o Consórcio da Paz ganha adesão e promete ampliar ações conjuntas já nas próximas semanas.
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Em resumo, Gleisi Hoffmann vinculou as movimentações de governadores de direita a uma possível interferência norte-americana, enquanto os chefes estaduais defendem autonomia e integração por meio do Consórcio da Paz. Continue nos acompanhando e compartilhe esta matéria para manter o debate informado.
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