Brasília, 14 de outubro de 2025 — O governo federal anunciou um pacote que flexibiliza o crédito imobiliário para famílias com renda mensal entre R$ 12 mil e R$ 20 mil. A medida prevê a liberação de R$ 20 bilhões até o fim de 2026 para financiar cerca de 80 mil moradias, numa tentativa de alcançar um público que não se enquadra no Minha Casa, Minha Vida e enfrenta juros de mercado mais elevados.
Novas condições de financiamento
Até agora, o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) autorizava apenas o financiamento de imóveis avaliados em até R$ 1,5 milhão, com cobertura máxima de 70% do valor do bem pela Caixa Econômica Federal. Com as novas regras, o teto de avaliação sobe para R$ 2,25 milhões e a participação da Caixa passa a ser de até 80%, reduzindo o valor de entrada exigido.
As taxas de juros reguladas ficam limitadas a 12% ao ano, abaixo da Selic, hoje em 15% ao ano. O comprador que se enquadrar nessas condições poderá usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compor a entrada ou amortizar o saldo devedor.
Mudanças na origem dos recursos
O pacote remodela o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Atualmente, 65% dos depósitos em poupança devem ser direcionados ao crédito habitacional, 20% ficam retidos no Banco Central como depósito compulsório e 15% permanecem livres para outras operações bancárias.
Pelo cronograma divulgado, os depósitos compulsórios caem de 20% para 15% entre 2025 e janeiro de 2027. A diferença de 5 pontos percentuais será aplicada diretamente em financiamentos imobiliários. A partir de 2027, a obrigatoriedade de destinar 65% da poupança à habitação deixará de existir, e o compulsório será extinto, permitindo que até 100% dos recursos da caderneta migrem para o crédito habitacional.
O Ministério da Fazenda estima que, durante a transição, R$ 111 bilhões sejam injetados no mercado. A iniciativa também recupera valores que hoje permanecem parados no Banco Central, direcionando-os ao financiamento de imóveis.


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Foco na classe média e impacto no mercado
O novo modelo mira trabalhadores formais cujos rendimentos ultrapassam o limite do Minha Casa, Minha Vida, mas que não tinham margem para arcar com juros de mercado. Segundo o governo, a medida deve estimular a atividade da construção civil, gerar empregos e ampliar a oferta de moradias.
As regras valem para imóveis novos e usados, desde que dentro do limite de R$ 2,25 milhões. O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o Executivo estuda linhas adicionais de até R$ 30 mil, com taxas reduzidas, para reforma de residências de famílias com renda mensal de até R$ 9,6 mil. Esse segmento, porém, ainda aguarda regulamentação.
Em setembro de 2025, os recursos da poupança destinados à habitação somavam R$ 755 bilhões, abaixo do recorde de R$ 801 bilhões registrado em dezembro de 2020. A retração, atribuída à baixa rentabilidade da caderneta em comparação com outros investimentos de renda fixa, motivou a mudança na alocação dos depósitos.

Imagem: criada utilizando Dall-E
Operação concentrada na Caixa
A Caixa Econômica Federal continuará como principal agente do programa, respondendo por aproximadamente 70% dos financiamentos habitacionais no país. O banco público assume o papel de testar o novo sistema até o fim de 2026, período em que serão avaliados o desempenho das linhas de crédito, a adimplência e a demanda do público-alvo.
Próximos passos
O pacote habitacional entra em vigor imediatamente, e as instituições financeiras já podem solicitar a liberação dos recursos, mediante comprovação da destinação ao crédito imobiliário. A cada trimestre, o Conselho Monetário Nacional avaliará os resultados e poderá ajustar as normas para garantir equilíbrio entre oferta de crédito, segurança bancária e controle inflacionário.
Para quem pretende adquirir a casa própria dentro da nova faixa, a recomendação é acompanhar as condições oferecidas pela Caixa e por bancos privados, comparando taxas, prazos e custos efetivos totais.
Se você quer entender como outras decisões do governo podem afetar o bolso da população, confira também as atualizações em nosso caderno de Política.
Em resumo, o governo libera R$ 20 bilhões, amplia o limite de financiamento para R$ 2,25 milhões e reduz a necessidade de entrada, numa tentativa de destravar o mercado imobiliário para a classe média. Acompanhe de perto as condições junto ao seu banco e avalie se este é o momento de buscar um novo imóvel ou planejar a reforma.
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