Brasília, 9 nov. 2025 – Uma nova investida regulatória do governo federal gera apreensão no mercado de trabalho ao mirar diretamente modelos flexíveis que ganharam força nos últimos anos. Propostas que restringem a jornada 6×1, combatem a contratação de pessoas jurídicas no lugar do regime CLT e impõem novas exigências ao trabalho por aplicativos despertam preocupação entre analistas e empresas sobre a sustentabilidade de milhões de postos de trabalho.
Regulação ameaça formatos flexíveis e aponta para aumento de custos
O Ministério do Trabalho conduz um pacote de medidas que pretende redefinir práticas consideradas essenciais para a dinâmica de setores como comércio, serviços e economia digital. Entre os alvos principais aparecem:
- Jornada 6×1: proposta de limitar o regime que permite seis dias trabalhados para um de folga, tradicional em áreas com escala contínua.
- “Pejotização”: novas barreiras à contratação de profissionais como pessoa jurídica, formato que oferece menor carga tributária e maior autonomia.
- Trabalho por aplicativos: exigência de vínculo formal e benefícios obrigatórios para motoristas, entregadores e prestadores de serviço em plataformas digitais.
De acordo com entidades empresariais, a mudança tende a elevar custos operacionais, reduzir competitividade e comprometer a manutenção de vagas. Estimativas internas de associações de aplicativos apontam que até 1,5 milhão de trabalhadores podem perder renda se as novas regras avançarem sem ajustes.
Para gestores de recursos humanos, a prioridade do governo em ampliar a proteção trabalhista esbarra no atual estágio de informalidade. Dados do IBGE mostram que cerca de 40 % da força de trabalho permanece sem carteira assinada, cenário que tende a se agravar caso a regulação inviabilize formatos mais enxutos de contratação.
Novo saque do FGTS reacende debate sobre inflação
Enquanto discute as mudanças trabalhistas, um ministro da área econômica apresentou proposta de liberação adicional de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A ideia é permitir que o trabalhador que optou pelo saque-aniversário possa obter, de imediato, o valor total de seu fundo em caso de demissão, algo hoje restrito.
O objetivo declarado é impulsionar o consumo em curto prazo e, por consequência, a atividade econômica. Contudo, especialistas em macroeconomia alertam que a injeção de mais liquidez no mercado pode intensificar a pressão inflacionária, em especial sobre itens de primeira necessidade. O Banco Central já projeta que cada R$ 10 bilhões liberados do FGTS podem acrescentar até 0,15 ponto percentual ao índice de preços ao consumidor, dependendo do ritmo de gasto das famílias.


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Empresas do setor varejista apoiam a iniciativa, pois esperam aumento imediato nas vendas. Já representantes da indústria demonstram cautela, temendo que custos de produção subam caso a inflação ganhe força e demande elevação dos juros.
Venezuela perde relevância como destino do agronegócio brasileiro
Em paralelo às discussões internas, o comércio exterior do agronegócio brasileiro registra mudança expressiva. A Venezuela, que em 2015 ocupava a quarta posição entre os principais compradores de produtos agrícolas do Brasil, caiu para a 29.ª colocação em 2025. O recuo resulta da prolongada crise econômica e cambial no país vizinho, que reduziu drasticamente sua capacidade de importação.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, as compras venezuelanas, que somavam US$ 4,2 bilhões há uma década, não alcançam US$ 500 milhões neste ano. A soja, antes principal item exportado, praticamente desapareceu da pauta. Empresários do setor apontam que a instabilidade econômica e restrições ao crédito internacional explicam a retração.

Imagem: Joéds Alves
Essa perda de mercado força produtores brasileiros a buscar novos destinos para escoar a safra, intensificando negociações com países da Ásia e do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, reforça o alerta sobre a dependência de parceiros comerciais com fundamentos econômicos frágeis.
Impacto potencial no emprego e na renda
A combinação de regras mais rigorosas para formatos flexíveis e mudança abrupta nos fluxos de exportação preocupa setores que concentram grande parcela da mão de obra. Na visão de economistas, caso o governo amplie custos trabalhistas e reduza alternativas de contratação, empresas podem optar por cortar vagas ou automatizar processos para preservar margens, o que afetaria principalmente jovens e profissionais de menor qualificação.
Por outro lado, a liberação do FGTS busca mitigar parte desse efeito ao turbinar o consumo. O desafio reside em equilibrar proteção social e manutenção de empregos sem ampliar o desequilíbrio fiscal ou pressionar preços.
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Em síntese, o governo acelera mudanças que podem redefinir o mercado de trabalho, injetar recursos no consumo e redesenhar rotas do agronegócio. Fique atento às próximas etapas e acompanhe como essas medidas podem afetar seu emprego, sua renda e os preços no dia a dia.
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