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Governo Lula encara série de pressões econômicas e diplomáticas a 40 semanas da eleição

Política

Faltando 40 semanas para o início oficial da campanha eleitoral, o Palácio do Planalto reúne uma lista de problemas que se refletem diretamente na renda, no emprego e na percepção do eleitorado. As dificuldades se dividem em três frentes: economia interna, comércio exterior e segurança pública, além de um isolamento crescente na política regional.

Economia sofre com rombo fiscal, inflação e baixa produtividade

O governo elevou a faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil por mês, medida direcionada à base salarial, mas que não avança na prometida justiça tributária para faixas superiores. Técnicos apontam que o benefício para o contribuinte de menor renda não resolve a distorção que preserva brechas para grandes rendimentos.

Na esfera fiscal, a substituição do teto de gastos pelo novo arcabouço não entregou o equilíbrio anunciado. O quadro deficitário persiste e amplia a pressão inflacionária, enquanto estatais seguem com baixa produtividade. Os Correios, principal empresa pública de logística, registram queda de eficiência e aumento de custos, comprometendo a meta de superávit primário.

Com a inflação em alta, o Banco Central mantém os juros como ferramenta de contenção, o que trava o consumo e limita o crescimento projetado do Produto Interno Bruto. A previsão de um PIB modesto agrava o cenário de mercado de trabalho: menor geração de vagas formais e compressão de salários reais.

Tarifas dos EUA e alinhamento regional isolam o Brasil

No comércio exterior, a tarifa punitiva imposta por Washington a determinados produtos brasileiros permanece sem solução. O governo atribui o impasse a questões internas dos Estados Unidos, mas tem adotado apenas discursos críticos à administração norte-americana, sem avançar em negociações concretas.

Parlamentares governistas foram aconselhados a buscar saídas legislativas para atender às queixas de Washington sobre decisões do Supremo Tribunal Federal, mas a articulação não prosperou. Enquanto isso, as empresas afetadas lidam com perda de competitividade, queda de pedidos e risco de demissões nas linhas de produção.

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Na diplomacia, Brasília reforça laços com China e com os governos de Nicolás Maduro, na Venezuela, e Gustavo Petro, na Colômbia. Em contrapartida, o relacionamento com parceiros tradicionais – Estados Unidos, Argentina, Paraguai e demais membros do Mercosul – perde espaço. O Paraguai, por exemplo, atrai fábricas brasileiras oferecendo carga tributária mais baixa, fenômeno que acelera a fuga de investimento produtivo.

Outro ponto de atenção é a dependência brasileira do gás boliviano. O novo governo em La Paz, mais alinhado à direita, mantém o fornecimento, porém espera sinais claros de reciprocidade comercial que ainda não ocorreram.

Segurança pública e CPI da Previdência ampliam desgaste

No front doméstico, a atuação das polícias no Rio de Janeiro obteve aprovação majoritária nas pesquisas, mas o presidente criticou a operação. A posição contrasta com o substitutivo relatado pelo deputado Capitão Derrite, que amplia respaldo às forças de segurança e deve avançar no Congresso.

Além disso, dados apresentados na CPI mista da Previdência indicam que descontos salariais relacionados a empréstimos consignados diminuíram na gestão anterior e aumentaram na atual. Os maiores prejudicados, segundo os números, são idosos do Nordeste – grupo que compõe parte relevante do eleitorado.

Direita fragmentada e imprensa favorável ao Planalto entram no cálculo político

Analistas observam que o governo aposta na divisão interna dos partidos de oposição enquanto conta com cobertura favorável de veículos de comunicação alinhados ao Executivo. No entanto, a sucessão de indicadores negativos pode restringir a margem de manobra para manobras narrativas nos próximos meses.

Para acompanhar outras movimentações do governo e do Congresso, visite a editoria de Política e mantenha-se atualizado.

Em síntese, a combinação de dificuldades fiscais, barreiras comerciais, desgaste na segurança pública e isolamento regional cria um ambiente de incerteza para o Planalto. Com a contagem regressiva rumo à eleição já iniciada, o governo terá pouco tempo para reverter indicadores que impactam diretamente o bolso e a percepção dos eleitores. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba análises objetivas sobre os desdobramentos em Brasília.

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