O governo federal destinou R$ 876 milhões para publicidade institucional em 2025, terceiro ano do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O montante, confirmado em dados oficiais do Senado, representa o maior desembolso em comunicação desde 2017 e supera com folga os valores reservados em 2024 (R$ 598 milhões) e 2023 (R$ 531 milhões).
Maior cifra em uma década
Desde a administração Michel Temer, em 2017, quando a verba somou R$ 616 milhões, o país não registrava investimento tão elevado em divulgação de ações do Executivo. Mesmo o pico de despesas do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2021, ficou em R$ 462 milhões — praticamente a metade do volume atual.
O salto ocorre em pleno ano que antecede as eleições de 2026, nas quais Lula já admitiu disputar um quarto mandato. A Secretaria de Comunicação Social (Secom), chefiada pelo publicitário Sidônio Palmeira, centraliza R$ 562 milhões do total, distribuídos entre quatro agências que cuidam de campanhas publicitárias, assessoria de imprensa e pesquisas de opinião.
Parte expressiva desses recursos financia iniciativas como “Brasil Soberano”, que absorveu R$ 85 milhões, e a divulgação do programa “Gás do Povo”, responsável por outros R$ 30 milhões. Além disso, levantamento recente apontou gasto de R$ 454 mil em anúncios nas redes sociais apenas quatro dias após operação policial de grande repercussão no Rio de Janeiro.
Contraste com restrições em outras áreas
Enquanto a comunicação oficial ganha reforço, diferentes ministérios enfrentam cortes. A Polícia Federal, vinculada ao Ministério da Justiça, chegou a solicitar verba extra para não interromper a emissão de passaportes. Na segurança pública, carências similares são relatadas por estados que aguardam repasses federais.
A Secom argumenta que “não houve alteração substancial” na dotação prevista na Lei Orçamentária Anual, embora admita o bloqueio de R$ 91 milhões determinado por decreto e a solicitação de recomposição de R$ 90 milhões. A pasta também confirmou suplementação de R$ 27 milhões transferidos pelo Itamaraty para a realização da XVII Cúpula do Brics, prevista para ocorrer no Brasil.


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Segundo a secretaria, a legislação obriga o governo a dar ampla publicidade a direitos, programas e serviços, além de estimular a participação social em políticas públicas. Entre as ações citadas estão o “Crédito do Trabalhador”, o “Mais Especialistas” e o reajuste da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.
Comparativo histórico
Analisando a última década, o menor gasto anual com propaganda federal foi registrado em 2020, auge da pandemia de Covid-19, com R$ 245 milhões. Desde então, a despesa vem crescendo de forma contínua, porém o salto de 2025 é, em valores nominais, o mais expressivo do período.

Imagem: reprodução
Para efeito de comparação, no governo Dilma Rousseff, já sob gestão compartilhada com Temer em 2016, o orçamento de publicidade chegou a R$ 572 milhões. A atual cifra de R$ 876 milhões ultrapassa esse patamar em 53%, reforçando o peso da comunicação no planejamento federal.
Próximos passos e repercussão
Aliados veem na estratégia uma tentativa de ampliar a visibilidade de programas sociais que renderiam dividendos eleitorais em 2026. Opositores, por sua vez, questionam a prioridade concedida à propaganda em detrimento de áreas sensíveis, como segurança e saúde.
A discussão deve ganhar fôlego no Congresso durante a apreciação de eventuais créditos suplementares solicitados pela Secom. Parlamentares da base governista pretendem defender o orçamento alegando obrigação legal de informar a população, enquanto congressistas de oposição exigem transparência detalhada sobre o destino de cada campanha.
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Em síntese, o governo Lula elevou o gasto com publicidade a um patamar recorde, reforçando a presença institucional em ano pré-eleitoral e provocando questionamentos sobre prioridades orçamentárias. Fique atento às próximas atualizações e participe nos comentários: sua opinião contribui para o debate democrático.
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