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Governo Lula recusa blindados ao Rio e operação deixa 22 mortos

Política

Rio de Janeiro – O governador Cláudio Castro (PL) revelou nesta terça-feira (28) que o governo federal negou três solicitações formais de blindados das Forças Armadas para reforçar o combate ao tráfico nos complexos da Penha e do Alemão. A recusa ocorreu apesar de a Polícia Militar ter classificado a atual disputa entre facções como um conflito que ultrapassa o escopo da segurança pública estadual.

Pedidos de apoio ignorados pelo Planalto

Em entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, Castro detalhou que as demandas foram encaminhadas à União em três momentos diferentes. Todas retornaram com a condição de instalação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — instrumento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou não pretender autorizar. Sem o ato presidencial, o Exército não libera os veículos nem os militares responsáveis pela operação dos equipamentos.

“Já entendemos que a orientação é não ceder”, afirmou o governador. Ele ressaltou que a ausência de blindados federais obriga o estado a assumir sozinho o enfrentamento, mesmo diante de uma situação que classificou como “guerra”.

Operação mobiliza 2,5 mil agentes e resulta em 22 mortes

A megaoperação deflagrada nesta terça reuniu 2,5 mil policiais militares, civis e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). O objetivo principal foi cumprir 30 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho oriundos de outros estados, apontados como responsáveis pela expansão da facção no Rio.

Até o início da noite, o balanço parcial indicava 22 criminosos mortos em confrontos, 56 presos e 31 fuzis apreendidos. As forças de segurança também desmontaram barricadas erguidas nas comunidades e removeram obstáculos em vias de acesso. Segundo Castro, faccionados tentaram bloquear a Avenida Brasil para desviar o efetivo policial dos complexos, estratégia que não surtiu efeito.

Conflito se estende a outras regiões

O Complexo do Chapadão, na zona norte, registrou movimentações semelhantes de criminosos. Barricadas foram erguidas e disparos foram efetuados contra patrulhas que seguiam em direção à Penha. O governo estadual mantém alerta máximo para possíveis retaliações nos próximos dias, sobretudo em áreas dominadas pelo Comando Vermelho.

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Para o governador, a dimensão da crise justifica maior participação federal. “Esta operação tem mais características de defesa do território do que de policiamento rotineiro”, pontuou. Ele acrescentou que o apoio da União deveria ser automático diante do volume de armamento e da organização das quadrilhas.

Impasses entre segurança e política

A exigência de GLO tornou-se o principal obstáculo para a entrada de blindados do Exército. Ao bloquear a medida, o Palácio do Planalto impede que militares conduzam equipamentos fundamentais em áreas dominadas pelo crime. Ainda assim, o governo estadual afirma que continuará investindo em operações independentes, mesmo com a pressão sobre o efetivo e sobre o orçamento de segurança.

No plano imediato, a Secretaria de Polícia Militar deve manter destacamentos fixos nos acessos ao Complexo da Penha e do Alemão. A Polícia Civil reforçará a coleta de informações para localizar foragidos que escaparam do cerco. Paralelamente, o Ministério Público do Rio prossegue na análise de provas recolhidas durante a ação, com foco em identificar a cadeia de comando da facção.

Dados e próximos passos

  • 22 mortos em confronto
  • 56 presos até o momento
  • 31 fuzis e dezenas de carregadores apreendidos
  • 2,5 mil agentes mobilizados
  • 30 mandados de prisão expedidos

Sem blindados federais, o estado seguirá utilizando seus próprios veículos táticos, embora em menor quantidade. A Secretaria de Segurança avalia incluir helicópteros blindados em futuras incursões e ampliar a integração com a Polícia Rodoviária Federal para bloquear rotas de fuga interestaduais.

Para acompanhar outros desdobramentos do cenário político e de segurança, veja também a seção de Política do Geral de Notícias.

Este caso expõe o impasse entre o governo estadual, que busca respaldo militar, e o governo federal, que resiste a autorizar a GLO. Enquanto o debate persiste, a população fluminense aguarda uma solução que garanta a retomada plena do controle territorial. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe a informação.

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