RIO DE JANEIRO — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), ao afirmar que o Palácio Guanabara “tem feito praticamente nada” para estrangular financeiramente as facções criminosas no estado. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (29), um dia depois de a Polícia Civil realizar a operação mais letal da história recente do Rio, com 64 mortos e 81 presos ligados ao Comando Vermelho.
Ministro aponta fraude de combustíveis como principal fonte de recursos
Haddad atribuiu parte relevante do caixa das organizações criminosas ao contrabando e à adulteração de combustíveis. Segundo o ministro, quatro navios envolvidos em fraudes fiscais e distribuição de produto “batizado” foram apreendidos recentemente. Ele relatou a existência de uma “guerra jurídica” para manter as cargas retidas e evitar que o combustível retorne ao mercado.
“Para pegar o andar de cima do crime organizado, é preciso cortar o dinheiro que abastece milícias e facções”, disse o titular da Fazenda. O petista garantiu que Receita Federal, Polícia Federal e outros órgãos trabalham de forma integrada para bloquear esquemas de sonegação no setor, alvo preferencial das quadrilhas.
Operação histórica expõe disputa entre governos estadual e federal
A operação de terça-feira (28) foi precedida por um ano de investigações e dois meses de planejamento. Investigadores cumpriram 81 dos 100 mandados de prisão contra chefes do Comando Vermelho, inclusive foragidos escondidos em comunidades do Pará. Mesmo com o resultado, o número de vítimas — 64 — elevou o episódio ao posto de ação policial mais letal já registrada no Rio.
Em meio ao saldo violento, Cláudio Castro declarou que o estado agiu sem apoio da União e que pedidos formais de auxílio foram ignorados. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu a acusação e garantiu ter atendido todas as solicitações. Os dois devem se reunir ainda hoje para tentar alinhar versões e discutir próximos passos.
Haddad aproveitou o embate para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que amplia a coordenação da União sobre as polícias estaduais. A iniciativa encontra resistência entre governadores e juristas, que enxergam ingerência federal em prerrogativas previstas na Carta de 1988.


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Cobrança por ação estadual e debate sobre competências
Na avaliação do ministro, o governo fluminense deveria “acordar para um problema crônico” e atuar diretamente contra a fraude tributária no setor de combustíveis. Ele sustentou que sem recursos financeiros, milícias e facções perdem capacidade operacional. “Sem dinheiro, tem pouca capacidade de atuação”, concluiu.
Castro, por sua vez, tem reforçado que o estado intensificou operações policiais, mas reclama da falta de recursos e de inteligência compartilhada. O governador também presta homenagem a agentes mortos em serviço, argumentando que a cúpula do Palácio do Planalto deveria reconhecer o esforço local em vez de expor críticas públicas.

Imagem: Diogo Zacarias
Impacto fiscal e segurança em pauta
As fraudes no mercado de combustíveis, além de alimentar o crime organizado, provocam evasão fiscal que compromete receitas federais e estaduais. Haddad estima que o combate ao esquema possa recuperar bilhões em tributos e reduzir o poder de facções. Apesar disso, a implementação de medidas de fiscalização mais rígidas depende da colaboração entre esferas de governo e da aprovação de propostas no Congresso.
No Legislativo, parlamentares discutem projetos para equiparar organizações criminosas a grupos terroristas e endurecer penas. Enquanto isso, pontos centrais — como a PEC da Segurança Pública — seguem dividindo governistas e oposição. O próximo encontro entre Castro e autoridades federais servirá como teste para a capacidade de coordenação em meio à escalada de violência.
Entender o choque de responsabilidades entre Brasília e Rio de Janeiro ajuda a explicar os obstáculos no enfrentamento ao crime. Caso queira acompanhar outras movimentações no cenário político, visite a seção de Política do nosso site.
Em síntese, Haddad pressiona o governo estadual a agir contra a fraude de combustíveis, apontada como fonte vital de recursos ilícitos. A crítica surge na esteira de uma operação recorde em letalidade, que reacendeu a disputa por protagonismo entre União e Rio. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para manter o debate sobre segurança pública em pauta.
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