O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afastou em público qualquer possibilidade de desequilíbrio nas contas federais. Ao participar da abertura do Bloomberg Green Summit, nesta terça-feira (4), em São Paulo, o titular da área econômica chamou de “delírio” as avaliações que apontam deterioração fiscal no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Declaração no evento e promessa de resultado positivo
Diante de representantes do setor financeiro e de executivos estrangeiros, Haddad afirmou que o governo “entregará o melhor resultado fiscal desde 2015” quando Lula concluir o atual ciclo no Planalto. O ministro criticou diretamente veículos de imprensa e analistas econômicos, mencionando ter lido artigos de “comentaristas, que não sei se são pagos para isso”, descrevendo cenário de crise. “Do ponto de vista psicológico, precisaria entender esses diagnósticos, porque na realidade não existe crise”, declarou.
A fala reforça a estratégia adotada pela equipe econômica nos últimos meses: rechaçar projeções de déficit sustentado e insistir que medidas em curso – como aumento de receitas e reformas tributárias – serão suficientes para equilibrar o caixa da União.
Números recentes apontam déficit e gastos fora do teto
Os dados mais atuais, contudo, indicam saldo negativo na execução orçamentária. Levantamentos oficiais somam R$ 400 bilhões em despesas fora do limite estabelecido pelo antigo teto de gastos ao longo do mandato. Mesmo com novos impostos e contribuições, a previsão de analistas de mercado é de que 2025 termine com déficit primário – conceito que exclui pagamento de juros da dívida.
A discrepância entre o discurso do ministro e os números divulgados tem sido explorada por oposicionistas no Congresso, que cobram corte efetivo de despesas. Adicionalmente, pacote aprovado em outubro pelo Legislativo criou 530 cargos no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, pressão extra sobre a folha do Judiciário.
Taxa Selic permanece no radar do mercado
A discussão fiscal ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (5), data em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a taxa básica de juros. Hoje em 15% ao ano, o patamar é o maior em duas décadas. Haddad defende redução imediata, apontando que a inflação acumulada em 12 meses, de 4,59%, está próxima da meta de 4,5%. No sentido oposto, projeções de consultorias sinalizam manutenção da Selic, argumento reforçado por indicadores que ainda mostram pressão sobre preços.


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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem sustentado a posição de aguardar estabilidade maior dos índices antes de qualquer afrouxamento. Caso o Copom mantenha a taxa, o governo buscará demonstrar que a responsabilidade por eventuais entraves ao crescimento não se deve à política fiscal, mas à política monetária.
Inflação sob controle relativo, mas abaixo do recorde histórico
Desde o início do mandato, Lula acumula inflação de 19,11%, segundo série histórica oficial. Trata-se do menor índice comparado a períodos presidenciais recentes, porém o valor anualizado ainda supera o objetivo central do regime de metas. A equipe econômica aposta que a combinação de medidas de arrecadação e choques de oferta em energia limpa serão suficientes para segurar preços e sustentar a meta em 2026.

Imagem: André Borges
Pressão por corte de gastos reúne vozes acadêmicas
Em artigo divulgado esta semana, o professor de Economia Paulo Feldmann, da Universidade de São Paulo, sugeriu acordo entre Executivo, Legislativo e Judiciário para reduzir despesas de todos os Poderes. A proposta ecoa demandas de segmentos empresariais que enxergam no enxugamento da máquina pública o caminho mais rápido para sinalizar compromisso com responsabilidade fiscal e destravar quedas sucessivas de juros.
Próximos passos e repercussão política
Além da decisão do Copom, o governo encara votações sensíveis no Congresso relacionadas a ajustes tributários e reestruturações orçamentárias. Parlamentares da oposição prometem obstruir matérias que criem novos encargos para o setor produtivo sem contrapartidas claras de redução de dispêndio. Diante desse cenário, a credibilidade da promessa de Haddad sobre superávit em 2026 permanece na mira de investidores e agências de classificação de risco.
Se confirmada a meta de resultado positivo, será o primeiro superávit primário desde 2015, ano em que o país entrou em trajetória de déficits consecutivos. Até lá, a evolução mensal das contas públicas servirá como termômetro para avaliar se a retórica do ministro se sustenta frente às estatísticas oficiais.
Para acompanhar outros desdobramentos da pauta fiscal e as votações no Congresso, o leitor pode acessar mais reportagens neste link.
Em síntese, Fernando Haddad descarta qualquer crise, assegura equilíbrio das contas e pressiona o Banco Central por redução de juros, enquanto números apontam déficit persistente e gastos extra-teto. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba alertas sobre decisões econômicas que afetam diretamente seu bolso.
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