O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que se reunirá ainda hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da negociação que busca suspender as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O encontro, marcado para depois da posse de Guilherme Boulos como novo titular da Secretaria-Geral da Presidência, também abordará as pendências dos Orçamentos de 2025 e 2026.
Negociações com Washington em fase decisiva
Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (29), Haddad explicou que a principal pauta com Lula será a estratégia para convencer o governo norte-americano a revogar as tarifas que afetam setores exportadores do Brasil. O Senado dos EUA aprovou, na véspera, um projeto de anulação das cobranças; porém, a proposta ainda precisa passar pela Câmara, de maioria governista, e pode sofrer veto final do presidente Donald Trump.
Integrante do grupo que dialoga diretamente com autoridades de Washington, o ministro reconheceu que a definição depende, em última análise, da Casa Branca. Mesmo assim, afirmou que a diplomacia econômica brasileira “segue empenhada” na busca de um desfecho favorável antes do fim do ano fiscal norte-americano.
Do lado brasileiro, o Planalto tenta capitalizar os recentes acenos de Trump a Lula, embora, até o momento, nenhuma medida restritiva tenha sido retirada. Haddad pretende apresentar relatórios sobre o impacto das tarifas no agronegócio e na indústria de base, setores pressionados pela queda na competitividade no mercado internacional.
Impasse orçamentário domina agenda interna
Além da política externa, o encontro deve concentrar esforços para fechar as contas públicas de 2025 e 2026. Haddad relatou estar “impressionado com a evolução da conversa” entre o Executivo e a Câmara dos Deputados, mas reconheceu que temas sensíveis ainda travam o andamento das peças orçamentárias. A expectativa é de que o Colégio de Líderes encaminhe, em breve, votações essenciais para viabilizar o planejamento fiscal.
Um dos pontos de tensão é o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. O governo costura acordo com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para manter a proposta no Senado, evitando ajustes adicionais pela Câmara. A medida, embora popular, pressiona a arrecadação federal e amplia a necessidade de compensações em outras rubricas.


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O cenário ficou mais delicado após a queda da MP da Taxação, derrubada pelo Congresso. Para recompor a perda de receita, Haddad cogitou cortar R$ 10 bilhões em emendas parlamentares. A reação foi imediata: o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que reduzir verbas de emendas “é ir contra a população”. A declaração evidenciou o impasse entre a equipe econômica e a base aliada, que resiste a qualquer contenção nos repasses regionais.
Posse de Boulos altera correlação de forças no Planalto
A reunião de Haddad e Lula ocorrerá logo após a cerimônia de posse de Guilherme Boulos, marcada para as 16 h no Palácio do Planalto. O deputado do PSOL assume a Secretaria-Geral da Presidência com a missão de articular políticas sociais e fortalecer o diálogo com movimentos de base aliados ao governo. A chegada de Boulos, nome identificado com a esquerda radical, altera a correlação de forças na Esplanada e pode influenciar as decisões econômicas.

Imagem: André Borges
Para Haddad, a solenidade de posse é o momento adequado para atualizar Lula sobre o estágio das negociações orçamentárias e sobre o cronograma de tratativas com Washington. O ministro pretende apresentar alternativas de compensação fiscal caso a isenção do IR seja confirmada e, ao mesmo tempo, haverá pressão para que o Planalto dê sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas.
Próximos passos
A missão de suspender as tarifas norte-americanas depende agora da articulação política em Washington e da capacidade do governo brasileiro de demonstrar segurança jurídica e responsabilidade fiscal. No front interno, Haddad busca apoio parlamentar para aprovar ajustes que evitem novos déficits e pavimentem a credibilidade do país perante investidores.
Se a Câmara dos EUA aprovar a revogação sem vetos presidenciais, o Brasil ganhará fôlego nas exportações, favorecendo balança comercial e geração de empregos. Caso contrário, a equipe econômica terá de avaliar contramedidas ou buscar compensações bilaterais, cenário que eleva a incerteza para 2026.
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Em síntese, Haddad enfrenta uma dupla pressão: convencer Lula e aliados de que é possível equilibrar o Orçamento sem perder apoio político e, ao mesmo tempo, persuadir Washington a aliviar barreiras que restringem a competitividade nacional. Siga nossa cobertura e receba atualizações em tempo real sobre economia e política.
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