Belém, PA — O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), respondeu neste domingo (9) à crítica publicada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a abertura da Avenida Liberdade, obra que ligará áreas metropolitanas de Belém e deve servir de acesso à COP30 em 2025. Trump ironizou a construção, sugerindo que a rodovia seria uma incoerência ambiental. Barbalho rebateu: “É melhor agir do que postar” e convidou o republicano a visitar a conferência.
O que motivou a troca de declarações
A discussão começou após Trump publicar, em rede social, uma nota sarcástica mencionando a abertura de “mais uma estrada na Amazônia” para receber ambientalistas na COP30. A fala gerou repercussão imediata por ocorrer durante a segunda semana da COP28, nos Emirados Árabes Unidos, onde negociadores discutem metas de corte de emissões.
Barbalho, que participa da conferência, usou as próprias redes para rebater. No texto, o governador afirmou que o norte-americano deveria “apontar caminhos” de enfrentamento às mudanças climáticas, em vez de questionar a infraestrutura local. Ele concluiu a mensagem convidando Trump para provar um tacacá — prato típico paraense — durante a cúpula climática em Belém.
Detalhes técnicos da Avenida Liberdade
Fontes do governo federal informaram à imprensa que a avenida não compõe o pacote de obras da União para a COP30. Segundo a Secretaria Extraordinária para a COP30, ligada à Casa Civil, a intervenção é responsabilidade do Estado do Pará e foi planejada antes de Belém ser confirmada sede do evento.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) detalhou que o traçado aproveita um corredor de linhão de energia já desmatado. A obra possui 14 quilômetros de extensão e conecta a capital a cinco municípios da região metropolitana, correndo paralelamente à BR-316. A projeção oficial é reduzir engarrafamentos e evitar a emissão anual de 17,7 mil toneladas de CO₂, por diminuir o tempo de deslocamento de veículos.
De acordo com a Seinfra, o projeto possui licença ambiental válida e cumpre 57 condicionantes sociais e ambientais, entre elas 37 passagens de fauna, ciclovia segregada e iluminação alimentada por painéis solares. A pasta afirma que apenas 20 % do percurso envolveu supressão de vegetação e, mesmo assim, em áreas classificadas como secundárias, previamente alteradas por uso humano.


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Rodovia “verde” e legislação ambiental
Nos bastidores do governo federal, técnicos classificaram a avenida como “rodovia verde” por seguir a legislação ambiental, conceito que considera reaproveitamento de áreas já desmatadas, mitigação de impactos e inclusão de equipamentos de baixo carbono. O enquadramento, segundo interlocutores, busca afastar críticas de que a construção ampliaria o desmatamento na Amazônia.
Já autoridades estaduais reforçam que o planejamento partiu em 2020, bem antes de a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciar Belém como sede da COP30. Com o novo corredor viário, o governo paraense prevê melhorar a mobilidade urbana, especialmente para os moradores de Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Isabel e Castanhal.
Contexto político e ambiental
A COP30, marcada para novembro de 2025, deve trazer chefes de Estado, empresários e representantes de organizações civis ao Pará. O governo estadual corre para assegurar logística de hospedagem, transporte e segurança. Em paralelo, o Palácio do Planalto trabalha em projetos de saneamento e expansão da rede elétrica, tentando conciliar infraestrutura com metas de descarbonização.

Imagem: Internet
Trump, que busca a indicação republicana para a eleição presidencial de 2024, tem histórico de críticas aos fóruns multilaterais sobre clima. Em seu mandato, retirou os EUA do Acordo de Paris, medida revertida apenas em 2021. A recente postagem repete o tom cético quanto à eficácia das conferências climáticas, mas, desta vez, direciona a Belém, cidade brasileira escolhida pela ONU para sediar a COP30.
Próximos passos
Até o fechamento desta reportagem, Trump não havia respondido ao convite de Helder Barbalho para comparecer à COP30. A organização da conferência ainda não divulgou detalhes sobre credenciamento, agenda de chefes de Estado ou esquema de mobilidade para o evento. A expectativa é de que os planos definitivos sejam anunciados ao longo de 2024, após reuniões entre governo federal, estadual e municipal.
Enquanto isso, a Avenida Liberdade entra em fase final de terraplenagem, com entrega prevista para o segundo semestre de 2024. A Seinfra afirma que o cronograma está dentro do prazo e que as condicionantes ambientais serão monitoradas ao longo da operação da via.
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Em resumo, o confronto verbal entre Helder Barbalho e Donald Trump destacou a Avenida Liberdade, obra estadual apresentada como solução logística de baixo impacto para a COP30. Resta saber se o ex-presidente americano aceitará o convite e se futuros debates influenciarão a preparação da conferência.
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