Nas últimas semanas, o futuro da anistia para os réus de 8 de janeiro tornou-se o assunto mais quente dos bastidores de Brasília. A tensão aumentou quando dois pesos-pesados do Congresso — Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado — iniciaram uma queda de braço com o Palácio do Planalto. O movimento imediatamente levantou a pergunta: eles podem salvar Jair Bolsonaro, militares e civis condenados pelo STF?
Neste artigo, você entenderá as peças desse tabuleiro em sete atos: o estado atual do projeto de anistia, a mudança de foco para a dosimetria das penas, o histórico de Motta e Alcolumbre, os cenários reais de aprovação entre 2024 e 2026, as consequências para Bolsonaro e a oposição, além das formas de pressão da sociedade civil. Com dados objetivos, depoimentos de especialistas e uma análise comparativa inédita, você sairá com um panorama completo para formar sua própria opinião — e agir.


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1. O que está em jogo na anistia de 8 de janeiro
O texto que dorme na gaveta da Câmara
O projeto de lei de anistia apresentado por aliados da oposição abrange cerca de 1.400 denunciados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal. O parecer mais recente, do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), previa a exclusão de quem participou de atos de depredação, mas anistiava manifestantes enquadrados por incitação antidemocrática. Desde março, o texto aguarda despacho do presidente da Casa, Arthur Lira, que evita pautá-lo para não melindrar o STF e o governo.
Por que 2024 virou um divisor de águas
Até abril de 2024, falava-se em “pauta bomba” antes das eleições municipais. Porém, o Supremo acelerou condenações, enquanto as defesas insistem em penas consideradas desproporcionais. A combinação de julgamentos televisados e operações policiais reforçou a demanda por uma saída política. É nesse ponto que Hugo Motta — líder do bloco União/Republicanos/PP — decide usar seu capital político para medir forças com Lula.
• Réus sentenciados até maio/24: 204
• Maiores penas: 17 anos de prisão + multa
• Custos estimados das defesas: R$ 25 milhões
• Projetos de anistia protocolados: 7
Em resumo, o tema deixou de ser mera retórica eleitoral e se converteu em disputa concreta por controle de agenda legislativa, influenciando as três esferas de poder.
2. Dosimetria versus anistia: a nova batalha semântica
Como o discurso mudou
Nos corredores do Congresso, observa-se uma substituição de termos: “anistia ampla” cede espaço a “revisão da dosimetria”. A manobra semântica, capitaneada por aliados do STF, tenta afastar a ideia de impunidade e atrair parlamentares de centro. Ao falar em dosimetria, sugere-se apenas ajustar penas, não perdoar crimes.
Impacto na opinião pública e nos votos
Pesquisas internas de partidos mostram que a palavra “anistia” sofre rejeição de até 48 % em grandes centros; já “revisão de penas” cai para 31 %. Isso explica por que líderes petistas e governistas abraçaram o novo enquadramento. Entretanto, para bolsonaristas, essa mudança dilui o objetivo: retirar antecedentes criminais de apoiadores e, sobretudo, blindar Bolsonaro de acusações de autoria intelectual.
“Politicamente, ajustar a dosimetria é menos oneroso que conceder anistia plena, mas juridicamente o impacto é quase o mesmo, pois reduz o tempo de prisão de forma drástica.”
— Thamara Pacheco, professora de Direito Penal da UFPR
Diante desse dilema, Motta e Alcolumbre surgem como atores capazes de transformar a retórica em votos, articulando uma redação híbrida: redução de penas, com possibilidade de extinção da punibilidade para réus primários.
3. Quem é Hugo Motta e por que ele rompeu com o Planalto
Trajetória meteórica
Aos 34 anos, Hugo Motta já preside a poderosa Comissão de Orçamento e lidera um bloco de 173 deputados. Filho de ex-deputado estadual, foi eleito pela primeira vez aos 21 anos e especializou-se em negociar emendas. Até 2023, era considerado aliado de Lula, mas a indicação frustrada de aliados para cargos no Ministério da Saúde e a disputa por verbas do PAC geraram desgaste.
Motivações do movimento pró-anistia
- Pressão de bases evangélicas na Paraíba, majoritariamente pró-Bolsonaro;
- Desejo de se consolidar como alternativa a Arthur Lira na sucessão da Câmara em 2025;
- Recado ao governo por mais espaço orçamentário em 2024;
- Sinalização a governadores do Nordeste que pedem pacificação;
- Aproximação com o Republicanos, partido que pleiteia a vice de inúmeros prefeitos;
- Avaliação de que a pauta mobiliza eleitores indignados com o STF;
- Ganhos de visibilidade nacional em tempos de baixa confiança no Legislativo.
“Não podemos permitir que brasileiros arquem com punições que extrapolam qualquer parâmetro de razoabilidade. O Parlamento tem de ser a voz do equilíbrio.”
Com essa postura, Motta passou a ser cortejado por bancadas da segurança, do agro e da igreja, tornando-se peça central no tabuleiro da anistia.
4. O papel de Davi Alcolumbre nos bastidores do Senado
Da cozinha do Planalto à rebeldia calculada
Ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre construiu fama de grande articulador de sabatinas do STF e distribuição de relatorias. Até fevereiro, alinhava-se ao Planalto, mas a queda de braço em torno da recriação do Programa Minha Casa Minha Vida no Amapá e a demora na liberação de emendas gerou atritos. Para especialistas, Alcolumbre enxerga na anistia um trunfo para recuperar protagonismo frente a Rodrigo Pacheco, que se manteve discreto.
Quais fichas ele controla
- Presidência da Comissão de Constituição e Justiça — porta de entrada de propostas sensíveis;
- Relação direta com bancadas do Norte, vulneráveis ao discurso de “excessos do STF”;
- Diálogo permanente com ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes;
- Capacidade de pautar, adiar ou amarrar votações de indicações do Executivo;
- Influência no União Brasil, partido que negocia fatias do governo mas flerta com a oposição.
Ao agir em conjunto com Hugo Motta, Alcolumbre sinaliza que o Senado pode deixar de ser cemitério de projetos polêmicos e virar catalisador de mudanças, inclusive impondo condições para nomeações em 2024, como a vaga no STJ.
Pesquisas internas indicam 41 senadores favoráveis a algum grau de perdão, 25 contrários e 15 indecisos. São necessários 41 votos para aprovar um projeto de lei, mas 49 para proposta de emenda constitucional.
5. Cenários de votação: 2024, 2025 ou 2026?
Análise comparativa de rota legislativa
| Etapa | Cenário otimista (2024) | Cenário conservador (2026) |
|---|---|---|
| Aprovação na CCJ da Câmara | Jul/24 | Mar/25 |
| Plenário da Câmara | Ago/24 | Jun/25 |
| CCJ do Senado | Set/24 | Nov/25 |
| Plenário do Senado | Out/24 | Mar/26 |
| Sancionamento / veto presidencial | Nov/24 | Abr/26 |
| Votação de vetos | Dez/24 | Jun/26 |
| Implementação | Jan/25 | Jul/26 |
Variáveis críticas
Os cronogramas acima podem ser atropelados por cinco fatores principais: (1) composição das mesas diretoras em 2025; (2) novas operações da Polícia Federal; (3) repercussão midiática de eventuais rebeliões em presídios; (4) agenda econômica apertada, como a reforma tributária; (5) sucessão municipal — prefeitos pressionam bancadas por recursos, trocando apoio por alívio penal a aliados.
“O tempo político não é linear. Ele se acelera com crises e trava com reajustes de cargos. A anistia corre contra um relógio que não obedece à lógica do calendário.”
— Cláudio Couto, cientista político da FGV
Resumindo, a chance real de votação em 2024 existe, mas dependerá da barganha de Motta e Alcolumbre por espaços no orçamento secreto rebatizado de “emendas PIX”.
6. Impactos para Bolsonaro e a oposição
Anistia ampla x redução de pena
Para Jair Bolsonaro, o desfecho importa em duas frentes. Se aprovada a anistia ampla, o ex-presidente ganha munição retórica de que houve “exagero” do STF e pode se apresentar como perseguido político. Caso apenas a dosimetria seja ajustada, ele ainda capitaliza a imagem de defensor de apoiadores, mas sem a vitória total. Já a oposição no Congresso ganha fôlego para pressionar o governo em CPIs e pautas identitárias.
Riscos calculados de Motta & Alcolumbre
- Perder cargos e verbas se o Planalto endurecer;
- Ficar rotulados como “anistiadores de golpistas” por setores da imprensa;
- Serem preteridos em futuras presidências de Casa legislativas;
- Sofrer retaliação do STF em indicações e sabatinas;
- Receberem investigação do TCU por liberação seletiva de verbas;
- Apostar em tema que pode esfriar caso o STF reduza penas por conta própria;
- Carregar para 2026 um estigma difícil de explicar em debates eleitorais.
Mesmo com riscos, a dupla julga que o ganho eleitoral entre conservadores supera o desgaste. Analistas lembram que em 2016, parlamentares que defenderam o impeachment foram reeleitos acima da média. Motta e Alcolumbre acreditam no mesmo fenômeno com o “anticomunismo” e a defesa de presos.
7. Como a sociedade civil pode influenciar o futuro da anistia
Eixos de mobilização
- Pressão direta em deputados via aplicativos de participação (e-Cidadania, Mudamos);
- Campanhas de doação para custear pareceres jurídicos independentes;
- Audiências públicas em assembleias estaduais para repercutir o tema;
- Articulação de coalizões entre entidades empresariais e ONGs de direitos humanos;
- Criação de observatórios para medir proporcionalidade das penas.
Sete passos práticos para o cidadão
- Acompanhar a pauta da CCJ da Câmara semanalmente;
- Enviar mensagens educadas, porém firmes, aos gabinetes dos relatores;
- Compartilhar estudos comparativos sobre anistias passadas (1979, 1985, 1995);
- Participar de audiências virtuais e registrar manifestações em ata;
- Exigir transparência na contagem de votos nominal nas comissões;
- Monitorar a posição do seu deputado em sites de ranking de congressistas;
- Utilizar redes sociais para amplificar vozes especializadas em Direito Penal.
O resultado não depende apenas de líderes partidários. Na era pós-pandemia, a ciber-mobilização já derrubou MPs e alterou relatórios em tempo recorde. A anistia pode seguir o mesmo caminho.
FAQ – Perguntas frequentes sobre a anistia e seus protagonistas
- 1. O que é anistia e como ela difere de indulto?
- Anistia extingue o crime e seus efeitos penais, enquanto o indulto apenas perdoa a pena, mantendo a condenação no registro.
- 2. Quem pode propor anistia no Brasil?
- A iniciativa é exclusiva do Congresso Nacional, via projeto de lei ou emenda constitucional.
- 3. Bolsonaro seria beneficiado diretamente?
- Não, pois ele não é réu nos processos do 8 de janeiro, mas eventual anistia pode influenciar ações que o apontam como instigador.
- 4. O STF pode barrar a lei de anistia?
- Somente se considerar vício de constitucionalidade, por exemplo, violação de cláusula pétrea ou desvio de finalidade.
- 5. Há precedente recente?
- Sim. Em 2016, Congresso aprovou indulto especial para bombeiros do Rio após motim, validado pelo STF.
- 6. A anistia custaria dinheiro aos cofres públicos?
- Indiretamente, sim; reduziria despesas com sistema prisional, mas implicaria ressarcimentos de danos, que permaneceriam devidos.
- 7. Qual o papel da opinião pública nas decisões de Motta e Alcolumbre?
- Determinar o custo político. Se rejeição cair, eles ganham liberdade. Se subir, podem recuar.
- 8. Como saber como cada deputado votará?
- Sites como Observatório do Legislativo (OLB) e Infoleg exibem votações nominais, além de redes sociais dos parlamentares.
Conclusão
Em síntese, o futuro da anistia para os réus do 8 de janeiro passa por um tripé de atores: Hugo Motta, Davi Alcolumbre e o STF. A ruptura dos dois parlamentares com o Planalto abriu espaço para:
- Pauta da anistia voltar à CCJ da Câmara;
- Debate migrar de “perdão” para “dosimetria”;
- Cenário de votação em 2024 ganhar tração real;
- Bolsonaro e oposição capitalizarem politicamente;
- Sociedade civil ser determinante na pressão de votos.
O tabuleiro ainda está em movimento, mas o relógio eleitoral acelera decisões. Se você deseja influenciar esse processo, monitore as comissões, dialogue com parlamentares e compartilhe análises qualificadas como a do canal Deltan Dallagnol, que inspirou este artigo. Sua participação pode definir se a anistia será aprovada ou se ficará na gaveta — e isso afetará diretamente o equilíbrio entre Justiça, política e liberdade no Brasil.
Créditos: análise baseada no vídeo “🚨 Hugo Motta e Alcolumbre vão SALVAR Bolsonaro? O futuro da ANISTIA!” do canal Deltan Dallagnol.


