A Petrobras recebeu nesta segunda-feira (20) a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar uma perfuração exploratória a 500 km da foz do rio Amazonas e 175 km da costa do Amapá. O aval encerra um procedimento de 12 anos que passou por leilão, estudos ambientais, exigências técnicas e cobranças políticas.
Autorização encerra 12 anos de trâmites
O processo começou em 2013, quando a área da margem equatorial foi ofertada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Desde então, a estatal precisou apresentar estudos sísmicos, planos de emergência e estratégias de proteção à fauna marinha. O último obstáculo era provar ao Ibama que a companhia tem estrutura para responder a eventuais incidentes. A licença emitida nesta segunda-feira confirma que essas exigências foram atendidas.
Para chegar a essa etapa, a Petrobras pagou R$ 1,3 milhão em taxas, quitadas via Pix. Esse valor cobre a análise do órgão ambiental e as condições impostas para o trabalho em alto-mar. Com a liberação em mãos, a equipe técnica embarca ainda nesta semana, e a perfuração deve durar cerca de cinco meses. O objetivo é verificar se existe petróleo comercializável na região, considerada a nova fronteira energética do país.
Interesses políticos e econômicos no Amapá
A área licenciada fica no estado do Amapá, reduto eleitoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O congressista defende publicamente a exploração de petróleo na margem equatorial e vinha pressionando o governo federal para acelerar a análise do Ibama. Alcolumbre também é responsável por pautar a indicação do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tema que mobiliza o Palácio do Planalto.
Aliados de Alcolumbre enxergam a licença como fator estratégico para destravar negociações políticas em Brasília. Ao comentar o avanço do processo em agosto, o senador classificou a iniciativa como “vitória do Amapá e do Brasil”, destacando a expectativa de geração de empregos, arrecadação de royalties e fortalecimento da segurança energética.
Em meio ao debate, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vinha defendendo cautela, enquanto o titular da Agricultura, Carlos Fávaro, pleiteava rapidez. A divergência reflete a disputa entre alas do governo sobre o ritmo do licenciamento ambiental. A solução veio com a apresentação, pela Petrobras, de um plano de emergência revisado, atendendo exigências do Ibama para monitoramento de possíveis vazamentos.


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Operação começa imediatamente
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia espera “excelentes resultados” na busca por petróleo na margem equatorial. Caso a perfuração indique volumes comercialmente viáveis, a estatal precisará solicitar novas licenças para desenvolvimento da produção, etapa que envolve investimentos maiores em plataformas e dutos.
O poço a ser aberto tem finalidade exclusivamente exploratória. Técnicos estimam que, se confirmado potencial significativo, a produção poderia iniciar na próxima década, reforçando a carteira da Petrobras após o pré-sal.

Imagem: Lula Marques
Impacto na matriz energética
A margem equatorial abrange blocos no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A região desperta interesse de empresas internacionais e é vista como complementar ao pré-sal, permitindo diversificação geográfica e redução de riscos. Para o governo, o projeto poderá aumentar a autossuficiência em combustíveis, reduzir importações de derivados e fortalecer balança comercial.
Ambientalistas alertam para a sensibilidade do ecossistema amazônico, mas o Ibama sustenta que a perfuração está distante da costa e das áreas de maior biodiversidade. A licença prevê monitoramento em tempo real, embarcações de apoio e plano de contingência para derramamento de óleo.
Próximos passos
Concluída a perfuração, amostras serão analisadas em laboratórios no Rio de Janeiro. Resultados preliminares devem sair no primeiro trimestre de 2026. Se confirmada a presença de petróleo de boa qualidade, a Petrobras planeja perfurações adicionais para delimitar o campo. A empresa assegura que dispõe de caixa e tecnologia para avançar rapidamente.
Para quem acompanha os bastidores de Brasília, a decisão do Ibama reforça a influência de líderes regionais em projetos estratégicos. Mais detalhes sobre os desdobramentos políticos podem ser conferidos em nossa seção de Política.
Em síntese, a licença concedida ao maior produtor de petróleo do país encerra uma espera de 12 anos e abre caminho para avaliar o potencial de uma nova fronteira energética. Se a descoberta se confirmar, o Amapá poderá se tornar protagonista no mapa do petróleo brasileiro, com reflexos diretos na economia e na pauta de exportações. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo com quem acompanha o setor de energia.
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