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Impérios modernos: EUA, China e Rússia disputam expansão global

Política

Os Estados Unidos, a China e a Rússia seguem agindo como impérios clássicos, ainda que inseridos em um cenário internacional dominado, em tese, por Estados-nações. Cada um projeta poder militar, econômico e político muito além de suas fronteiras imediatas, repetindo práticas historicamente associadas aos grandes impérios da Antiguidade e da era moderna.

Projeção de poder e ambições territoriais

Washington mantém interesse estratégico sobre a Groenlândia e o Panamá. No primeiro caso, busca acesso a terras raras e a uma posição geográfica privilegiada no Ártico; no segundo, reforça o controle sobre rotas marítimas cruciais entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Paralelamente, a presença militar norte-americana se estende a diversas bases em todos os continentes, garantindo capacidade de resposta rápida e influência diplomática.

Moscou concentra esforços na Ucrânia e consolida domínio sobre boa parte da Europa Oriental. Além disso, amplia a atuação no continente africano por meio de acordos militares e exploração de recursos. O objetivo declarado do Kremlin é recuperar zonas de influência perdidas após o colapso da União Soviética, restaurando um cinturão de segurança em sua fronteira ocidental.

Pequim reforça a militarização do Mar do Sul da China, controla Hong Kong e mantém a unificação de Taiwan como prioridade estratégica. Navios, ilhas artificiais e acordos de infraestrutura, como a iniciativa Cinturão e Rota, integram o projeto de ampliar corredores comerciais e projeção naval em regiões consideradas essenciais para o abastecimento energético e o comércio chinês.

Características comuns aos impérios contemporâneos

Os três centros de poder compartilham traços recorrentes em formações imperiais: forte investimento em defesa, disposição para custear operações externas caras e leitura de longo prazo da própria história. As prioridades não se restringem ao crescimento do PIB per capita ou ao bem-estar imediato; incluem cálculos estratégicos sobre influência cultural, acesso a recursos naturais e manutenção de zonas de amortecimento.

Essa lógica explica decisões antieconômicas à primeira vista, como a manutenção de bases distantes ou o financiamento de organizações internacionais alinhadas a suas agendas. Ao privilegiar ganhos geopolíticos, essas potências aceitam bilionários custos militares e, em alguns casos, políticas protecionistas que sacrificam eficiência em nome da segurança e do prestígio nacional.

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Impérios também demonstram baixa tolerância à ascensão de rivais. Os Estados Unidos buscam encerrar o conflito na Ucrânia para concentrar esforços na contenção da China, incentivando divisões entre Moscou e Pequim. A China, por sua vez, explora brechas abertas pela disputa ocidental para fincar posição na África e nos mares da Ásia. A Rússia, pressionada por sanções, recorre a alianças militares pontuais e contratos de mineração em países africanos como forma de driblar o isolamento financeiro.

Ascensão, declínio e desafios orçamentários

Todos os impérios atravessam ciclos de expansão e retração. Para analistas, os Estados Unidos continuam como potência dominante, porém enfrentam desgaste natural: dívida pública crescente, aliados europeus com agendas próprias e necessidade de cobrir múltiplos teatros de operação. A chamada Primeira Lei de Niall Ferguson aponta que, quando a despesa com juros supera o investimento em defesa, a potência perde margem de manobra.

Turquia e Irã, herdeiros de tradições imperiais Otomana e Persa, reforçam sua presença militar na Síria, em Gaza e no Iêmen, buscando influência regional. A França mantém territórios ultramarinos e envolvimento militar na África; o Reino Unido sustenta laços na Commonwealth. Embora menores em escala, esses atores replicam estratégias imperiais de projeção de poder.

A China resgata símbolos da dinastia Han para legitimar o discurso de que liderar a Ásia é “retomar o lugar natural” do país. Já Washington se apoia no excepcionalismo americano e na doutrina do “destino manifesto” para justificar a liderança global. A retórica varia, mas a prática converge: defesa de interesses nacionais por meio de força militar, acordos econômicos vantajosos e influência política direta.

A competição entre impérios exige recursos cada vez maiores e tecnologia de ponta. Satélites, mísseis hipersônicos e disputas por semicondutores tornam-se elementos centrais da segurança nacional. Os custos fiscais pressionam orçamentos, enquanto a opinião pública interna questiona gastos externos prolongados.

Em suma, a dinâmica imperial permanece viva no século XXI. Estados Unidos, China e Rússia disputam esferas de influência, mobilizando economia, diplomacia e poderio militar para garantir posições estratégicas cruciais. Entender essa lógica é essencial para decifrar os próximos capítulos da geopolítica global.

Para continuar acompanhando análises sobre o cenário internacional e seus reflexos na política brasileira, acesse a seção dedicada em Política.

Este conteúdo apresentou as principais características dos impérios contemporâneos e seus movimentos de expansão. Fique atento às próximas atualizações e compartilhe este artigo com quem acompanha os desdobramentos geopolíticos.

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