Brasília — Enquanto fábricas em todo o país acumulam milhares de vagas sem candidatos, o Senado Federal voltou a discutir uma Proposta de Emenda à Constituição que diminui a carga semanal de 44 para 40 horas sem redução de salário. A combinação entre escassez de trabalhadores qualificados e maior custo trabalhista reacende o debate sobre competitividade e produtividade nacional.
Indústrias relatam milhares de vagas abertas
Levantamentos de entidades do setor industrial indicam a existência de milhares de postos de trabalho não preenchidos. Empresas de segmentos como metalurgia, construção civil e manufatura informática relatam dificuldade crescente para encontrar profissionais com qualificação técnica básica. Em alguns estados, confederações estimam que o número de vagas abertas já supera a marca de 200 mil.
O cenário gera impacto direto na produção: linhas operando abaixo da capacidade, prazos de entrega estendidos e perda de contratos para concorrentes estrangeiros. Empresários apontam dois motivos principais para o gargalo: evasão de trabalhadores para o mercado informal e déficit de formação profissional. Programas públicos de capacitação existem, mas não conseguem suprir a demanda em ritmo compatível com a retomada da atividade pós-pandemia.
PEC no Senado propõe encurtar a semana de trabalho
Paralelamente a essa carência de mão de obra, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado analisa a PEC que reduz a jornada semanal. O texto foi apresentado pelo então senador Paulo Paim (PT-RS) e retorna à pauta após ficar anos parado. A proposta mantém o salário atual, mas encurta em quatro horas o período trabalhado, alterando artigo da Constituição que hoje fixa o limite em 44 horas.
Sindicatos defendem a medida como evolução social, argumentando que a produtividade pode ser preservada mediante reorganização interna e adoção de tecnologias. Já organizações empresariais estimam que a mudança, sem ajuste remuneratório, significa elevação automática de até 9% no custo total da folha. Para setores de mão de obra intensiva, como vestuário e construção, a avaliação é de que o impacto tornaria inviável competir com países que operam cargas maiores e encargos menores.
Comparação com o mercado de trabalho norte-americano
O contraste é evidente quando se observa o movimento registrado em empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Startups de Silicon Valley e Nova Iorque adotam jornadas que chegam a 72 horas semanais, reflexo direto da corrida global pela liderança em inteligência artificial. Nesses ambientes, benefícios típicos do mercado brasileiro, como 13º salário, férias remuneradas de 30 dias e vale-transporte, simplesmente não existem.


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Dados compilados por consultorias internacionais mostram que o trabalhador norte-americano produz, em média, cinco vezes mais que o brasileiro. A maior produtividade explica remuneração superior mesmo sem adicionais legais. Não por acaso, a migração de brasileiros para vagas formais ou informais nos Estados Unidos segue alta, apesar das barreiras de visto.
Produtividade e competitividade em jogo
Especialistas alertam que o país enfrenta um círculo vicioso: baixa produtividade limita salários, o que, por sua vez, incentiva a busca de subsídios e benefícios. Quando novos encargos se somam à folha, empresas respondem adiando investimentos ou realocando operações para nações com estrutura tributária mais enxuta. O resultado é menor crescimento, menos postos gerados e aumento da informalidade — hoje já próxima de 40% da força de trabalho, segundo o IBGE.
No caso específico da nova jornada, consultores de recursos humanos preveem que micro e pequenas empresas seriam as primeiras afetadas. Muitas funcionam com margens reduzidas e não dispõem de tecnologia suficiente para compensar horas perdidas. Em vez de abrir vagas, parte do empresariado pode optar por limitar turnos, automatizar processos ou simplesmente fechar as portas.

Imagem: Albari Rosa
Calendário legislativo
A PEC precisa de aprovação na CCJ antes de ir ao plenário do Senado e, posteriormente, à Câmara dos Deputados. O presidente da CCJ, senador Davi Alcolumbre (União-AP), já indicou a realização de audiências públicas com representantes de governo, sindicatos e setor produtivo. Parlamentares da base governista manifestam apoio, enquanto oposição questiona o momento econômico para implementar alterações que elevam custos.
Caso avance, o texto exigirá no mínimo três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa legislativa. A expectativa é de debate intenso, sobretudo diante de índices de desemprego superiores a 7% e de previsão de crescimento do PIB abaixo de 2% para o próximo ano.
O impasse entre excesso de vagas não preenchidas e proposta de redução de horas coloca o Brasil diante de uma escolha estratégica: priorizar produtividade e competitividade ou ampliar garantias trabalhistas sem contrapartida de desempenho. A decisão afetará diretamente a capacidade nacional de atrair investimento e gerar emprego de qualidade.
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Em síntese, a indústria brasileira já enfrenta falta de profissionais qualificados e custos elevados. A possível redução da jornada, sem ajuste salarial, amplia o desafio. Siga nossos canais e mantenha-se informado sobre cada etapa dessa tramitação.
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