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Inflação desacelera em outubro e Banco Central mantém juros de 15%

Econômia

Brasília, 11 nov. 2025 – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,09% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A leitura confirma uma desaceleração expressiva em comparação aos 0,48% observados em setembro, mas a alta acumulada em 12 meses segue em 4,68%, acima do teto da meta inflacionária de 4,5%.

Com o resultado, o Banco Central optou por prolongar a taxa Selic em 15%, medida informada na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). A autoridade monetária aponta que o patamar elevado dos juros permanece necessário para ancorar expectativas e conduzir a inflação de volta ao centro da meta de 3%.

Energia elétrica alivia o índice

O principal freio do IPCA em outubro veio da energia elétrica, que recuou 2,39%. A mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para a vermelha patamar 1, com adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos (ante R$ 7,87 em setembro), foi decisiva para moderar a pressão sobre o bolso do consumidor. Esse movimento contribuiu para queda de 0,63% no grupo Habitação, reforçando o impacto da redução de custos na conta de luz.

Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, observa que o ajuste na cobrança extra “teve peso relevante para o recuo do índice geral”, sinalizando a sensibilidade do indicador às variações tarifárias do setor elétrico.

Alimentos quase estáveis e serviços ainda pressionados

O grupo Alimentação e Bebidas variou apenas 0,01% no mês. Entre os itens com queda destacam-se arroz (-2,49%) e leite longa vida (-1,88%). Já batata-inglesa subiu 8,56% e óleo de soja, 4,64%. Na alimentação fora do domicílio, lanches avançaram 0,75% e refeições, 0,38%, mantendo pressão moderada sobre o orçamento das famílias.

Vestuário registrou alta de 0,51%, puxada por calçados e acessórios (0,89%) e roupas femininas (0,56%). Em Despesas Pessoais, empregado doméstico ficou 0,52% mais caro, enquanto pacotes turísticos subiram 1,97%, refletindo demanda por serviços em um cenário de retomada gradual de viagens.

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Em Saúde e Cuidados Pessoais, a variação foi de 0,41%. Produtos de higiene avançaram 0,57% e planos de saúde, 0,50%. No grupo Transportes, a leitura de 0,11% foi impactada por passagens aéreas (4,48%) e combustíveis (0,32%), com queda apenas no óleo diesel (-0,46%).

Meta ainda distante e juros elevados

Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima da meta perseguida pelo Conselho Monetário Nacional. O teto de 4,5% é excedido pelos atuais 4,68%, o que, segundo o Copom, justifica manter a Selic no patamar de 15% “por tempo suficiente” para garantir a convergência dos preços.

A autoridade monetária observa que choques pontuais, como alívio na tarifa de energia, podem não se repetir nos próximos meses. Dessa forma, o ambiente de vigilância se mantém, com atenção redobrada aos núcleos de inflação e à dinâmica do setor de serviços, tradicionalmente mais resistente a quedas.

Analistas consultados pelo mercado financeiro projetam gradual redução da Selic apenas quando houver evidências de que a inflação converge de forma sustentada para 3%. Até lá, o custo de crédito elevado tende a restringir a expansão do consumo e a moderar repasses de preços, cenário que o Banco Central considera indispensável para assegurar a estabilidade monetária.

Detalhamento dos grupos em outubro

IPCA – variação de outubro:
– Habitação: ‑0,63% (energia elétrica ‑2,39%)
– Alimentação e Bebidas: 0,01% (arroz ‑2,49%; batata +8,56%)
– Vestuário: +0,51%
– Despesas Pessoais: +0,38% (pacotes turísticos +1,97%)
– Saúde e Cuidados Pessoais: +0,41%
– Transportes: +0,11% (passagens aéreas +4,48%; combustíveis +0,32%)
– Educação: 0,00%
– Comunicação: +0,09%

No acumulado de 2025, o IPCA soma 3,75%. Para cumprir a meta até dezembro, a inflação média dos próximos meses precisaria ficar abaixo de 0,25% ao mês, desafio que dependerá do controle de gastos públicos, da evolução cambial e de eventuais novos reajustes tarifários.

Em cenário de incerteza fiscal, a política monetária restritiva ganha relevância. A manutenção dos juros em nível elevado reforça o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços, ainda que o ônus recaia sobre o crédito e o investimento produtivo.

Se você acompanha de perto as discussões sobre responsabilidade fiscal e metas de inflação, vale conferir a cobertura completa em Política, onde publicamos análises atualizadas sobre decisões do Congresso e impactos na economia.

Em síntese, outubro trouxe alívio pontual no índice oficial graças à queda da energia elétrica, mas o caminho para o centro da meta permanece exigindo juros altos e disciplina fiscal. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique informado sobre os próximos passos da política econômica.

Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

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