O Chile volta às urnas neste domingo, 16 de novembro, para o primeiro turno da eleição presidencial. Todas as pesquisas apontam para um cenário de segundo turno entre a candidata governista, a esquerdista Jeannette Jara, e o conservador José Antonio Kast, do Partido Republicano. Embora apareça em segundo lugar na maioria dos levantamentos, as projeções de segundo turno indicam vantagem consistente de Kast, sinalizando a possibilidade de mudança de rumo no Palácio de La Moneda.
Trajetória política e perfil do candidato
José Antonio Kast tem 59 anos, formação em Direito e passagem pela docência universitária. Descendente de alemães que migraram para o Chile após a Segunda Guerra Mundial, o candidato foi vereador em Buin e deputado nacional por quatro mandatos entre 2002 e 2018. Inicialmente filiado à União Democrática Independente (UDI), deixou a sigla em 2016 para se lançar como candidato independente ao Palácio de La Moneda em 2017, ocasião em que terminou em quarto lugar.
Em 2019, Kast fundou o Partido Republicano com plataforma liberal na economia, defesa da ordem pública e ênfase na soberania nacional. Na eleição de 2021, liderou o primeiro turno, mas acabou derrotado por Gabriel Boric no segundo. Agora, três anos depois, chega fortalecido, apoiado por eleitores que se mostram descontentes com a escalada da criminalidade, a crise migratória e o desempenho econômico do governo de esquerda.
Propostas centrais: fronteira, economia e segurança
A defesa de fronteiras firmes é o eixo mais destacado do programa republicano. Kast propõe o “Escudo Fronteiriço”, uma operação integrada em cinco frentes — terrestre, marítima, aérea, espacial e de cibersegurança — para conter imigração ilegal, tráfico e contrabando. O candidato sustenta que “não há soberania se milhares entram sem controle, se o crime organizado cruza livremente ou se o contrabando destrói a economia”.
Na economia, Kast apoia mercados abertos e responsabilidade fiscal, linha influenciada pelos chamados “Chicago Boys”, grupo onde atuou seu irmão Miguel Kast, ex-ministro de Augusto Pinochet e ex-presidente do Banco Central chileno. Ao comentar o legado do regime militar, o presidenciável afirmou que, “deixando de lado a questão dos direitos humanos”, o Chile obteve avanços macroeconômicos que possibilitaram, posteriormente, programas de governo como os de Sebastián Piñera.
Em matéria de segurança pública, o republicano defende endurecimento penal para crimes violentos e fortalecimento das forças de ordem, posição que repercute entre eleitores preocupados com o aumento de assaltos e homicídios. A pauta é reforçada pelo fato de o Chile ter registrado, em 2024, seu maior índice de criminalidade em duas décadas, segundo dados oficiais.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Relação com o Brasil e críticas ao Judiciário brasileiro
Kast mantém relação próxima com a família Bolsonaro. Em setembro, depois de o Supremo Tribunal Federal condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por suposta tentativa de golpe, o chileno afirmou que a decisão “revela motivação política” e criticou membros do Judiciário brasileiro por, segundo ele, se colocarem “acima do Poder Executivo”.
O alinhamento ideológico com o conservadorismo brasileiro ficou evidente em encontros públicos e mensagens de apoio mútuo nas redes sociais, fatores que podem ampliar a visibilidade de Kast entre eleitores da diáspora chilena no Brasil e em demais países da América do Sul.
Desafios e expectativas para 16 de novembro
Apesar da vantagem projetada para o segundo turno, Kast precisará superar a campanha governista no primeiro para consolidar a narrativa de favorito. Analistas apontam que, caso avance com boa margem, poderá atrair eleitores de centro-direita ainda reticentes, ampliando o espectro conservador na etapa decisiva.

Imagem: Ailen Díaz
Entre os desafios estão o histórico de declarações favoráveis ao modelo econômico do governo Pinochet e a repercussão internacional dessas falas. Kast já afirmou que “abomina os nazistas” ao explicar que seu pai, Michael Kast, foi recrutado pelo exército alemão aos 18 anos durante a Segunda Guerra Mundial, lembrando que, na época, “a recusa era punida com tribunal militar”. A família diz ter reconstruído a vida no Chile a partir de 1950.
Outro teste será transformar o Partido Republicano, fundado há apenas cinco anos, em base sólida no Congresso. Se eleito, Kast dependerá de articulação para aprovar reformas tributárias e leis de segurança. Pesquisas recentes mostram que a legenda deve aumentar sua bancada, mas não garante maioria absoluta.
O domingo, portanto, será decisivo não apenas para definir quais candidatos avançam, mas também para medir a força eleitoral dos projetos antagônicos que hoje dividem o Chile: continuidade do modelo intervencionista iniciado por Boric ou retorno a políticas liberal-conservadoras representadas por José Antonio Kast.
Para acompanhar análises e atualizações sobre o cenário político latino-americano, visite também a seção de Política do nosso portal.
Resumo: José Antonio Kast chega ao primeiro turno como principal nome da direita chilena, defendendo fronteiras controladas, livre mercado e segurança rigorosa. As projeções o colocam em posição de vitória sobre a candidata de esquerda no segundo turno, o que pode alterar significativamente a direção política do país. Continue acompanhando nossa cobertura e compartilhe este conteúdo para manter mais leitores informados sobre os desdobramentos eleitorais no Chile.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

