Immanuel Kant e Arthur Schopenhauer defendem explicações opostas para a origem da ação humana. Enquanto o filósofo de Königsberg argumenta que a razão dirige decisões e comportamentos, o pensador alemão nascido em Danzig afirma que a vontade — um impulso biológico interno — é a força dominante. A divergência permanece atual ao analisar desde escolhas cotidianas até casos extremos de violência.
A razão segundo Immanuel Kant
Kant (1724-1804) sustenta que o homem é capaz de orientar suas ações por meio da inteligência, da moral e da consciência. Para ele, existe no cérebro uma “central de comando” regida pela lógica e pela ética que permite avaliar consequências, formular juízos e controlar instintos. Essa estrutura racional diferenciaria o ser humano dos demais animais, desprovidos de consciência da morte e de capacidade para formular princípios universais de conduta.
Nessa perspectiva, o livre-arbítrio depende do uso correto da razão. Decidir passa a ser um exercício de responsabilidade individual: cada pessoa escolhe segundo critérios objetivos, responde por erros e acertos e pode aperfeiçoar-se pelo conhecimento. A ênfase recai sobre disciplina, estudo e respeito a normas, valores compatíveis com sociedades de tradição liberal-conservadora que veem na ordem racional um pilar da civilização.
A vontade na visão de Arthur Schopenhauer
Schopenhauer (1788-1860) contesta o protagonismo da razão. Para ele, existe uma força primária — a vontade — que impulsiona o indivíduo a desejar, alcançar objetivos, saciar-se, entediar-se e reiniciar o ciclo. Desejo satisfeito gera breve felicidade; obstáculo entre vontade e meta produz sofrimento. O filósofo defende que essa dinâmica interminável explica por que a tranquilidade plena é inalcançável.
Na própria vida, Schopenhauer adotou o lema “desejar o mínimo, saber o máximo”. Filho único, vendeu a empresa herdada de seu pai — comerciante bem-sucedido que provavelmente se suicidou —, tornou-se financeiramente autônomo e dedicou-se aos livros. O pensador transformou a si mesmo em objeto de observação: interrogava-se sobre a origem de suas emoções, avaliava a relação conflitiva com a mãe, escritora reconhecida, e questionava por que determinados impulsos se impunham apesar da razão.
Para Schopenhauer, compreender a vontade exige aceitar o aspecto trágico da existência. A consciência da morte — característica exclusiva do homem, segundo Sócrates — agrava a tensão interna. Resta, portanto, manejar desejos, cultivar conhecimento e buscar na arte um alívio temporário para o sofrimento inerente à condição humana.


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O enigma do comportamento extremo
A disputa entre razão e vontade ganha contornos agudos em episódios de violência serial. O documentário sobre Theodore Robert Bundy, mais conhecido como Ted Bundy, ilustra o dilema. Nascido em 1946, o norte-americano foi executado em 24 de janeiro de 1989, na Flórida, após confessar o sequestro, tortura e estupro de pelo menos 30 mulheres. Investigadores suspeitam de mais vítimas.
Bundy era descrito como atraente, eloquente e intelectualmente acima da média. Formado em Direito, atuou como próprio defensor no tribunal. Relatos policiais indicam que decapitou ao menos 12 mulheres e guardou algumas cabeças como troféu. A aparência de normalidade contrasta com a brutalidade dos crimes, levantando a questão: a razão estava ausente ou foi subjugada por uma vontade distorcida?

Imagem: Johann Schäfer
Para Kant, tamanho desvio resultaria de escolhas que violam o imperativo moral. Já a ótica de Schopenhauer sugeriria um impulso incontrolável que eclipsa qualquer freio racional. O caso permanece sem resposta definitiva, reforçando o debate sobre como inteligência, emoção, saúde mental e contexto social interagem na gênese de atos extremos.
Perguntas em aberto
Depressão, suicídio, vícios e criminalidade continuam a desafiar especialistas. Qual o papel dos transtornos mentais na formação da vontade? Até que ponto a razão pode conter impulsos destrutivos? Filósofos, psiquiatras e juristas ainda buscam critérios claros para distinguir responsabilidade moral de incapacidade psíquica.
Ao revisitar Kant e Schopenhauer, observa-se que ambas as teorias oferecem pistas para compreender o comportamento humano, mas nenhuma encerra o assunto. A discussão segue relevante em tribunais, consultórios e políticas públicas que prezam por segurança, prevenção e respeito à dignidade.
Se deseja aprofundar o tema da responsabilidade individual na esfera pública, vale conferir a cobertura completa em Política, onde análises sobre legislação e direitos fundamentais estão disponíveis.
Em síntese, a tensão entre razão e vontade permanece atual. Kant enfatiza disciplina e moral objetiva; Schopenhauer aponta o peso inexorável dos impulsos internos. Casos de violência extrema, como o de Ted Bundy, expõem a complexidade do debate e reforçam a necessidade de vigilância moral e aprimoramento intelectual. Continue acompanhando nossas publicações e compartilhe este conteúdo para fomentar discussões construtivas.
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