O lançamento do livro “O Grande Circo”, de Guilherme Fiuza, ocorrido em 9 de outubro de 2025, transformou-se em palco para um episódio de desconfiança ideológica envolvendo o jornalista e escritor Paulo Polzonoff Jr. Durante a sessão de autógrafos, um leitor questionou publicamente a posição política do colunista, pedindo-lhe que olhasse em seus olhos e declarasse não ser de esquerda. O diálogo, descrito pelo próprio Polzonoff, ilustra a tensão que permeia encontros literários em meio à crescente polarização nacional.
Interação direta na fila de autógrafos
O evento foi realizado em uma livraria lotada, mesmo sob chuva e temperatura baixa. Segundo o relato de Polzonoff, o público chegou cedo para prestigiar Fiuza, escritor identificado com pautas liberais e críticas recorrentes à esquerda brasileira. Enquanto aguardava, o jornalista caminhava entre estantes quando foi abordado inicialmente por um casal de leitores, com quem conversou sobre rotina profissional e cenário político.
Logo em seguida, um segundo interlocutor se aproximou. O homem afirmou possuir “informações” sobre a suposta filiação ideológica do jornalista e, sem alteração no tom de voz, solicitou: “Olhe nos meus olhos e diga que você não é de esquerda.” Surpreendido, Polzonoff retirou os óculos, encarou o questionador e respondeu de forma assertiva: “Não sou de esquerda. Nunca fui.” Para reforçar o posicionamento, questionou o próprio leitor se ele teria votado em Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. O homem negou, e ambos encerraram o assunto em tom de riso.
Público dividido e repetição de cobranças
Com o episódio aparentemente superado, Polzonoff prosseguiu na fila. Entretanto, ao sair com o livro autografado, foi interpelado por uma senhora que demonstrou irritação com outra declaração do colunista: ele afirmou sentir pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. A crítica, feita “com o dedo em riste”, reforçou o ambiente de cobranças sobre posicionamentos políticos mesmo em um espaço voltado à literatura.
Não houve registro de confusão ou hostilidade física. Ainda assim, os eventos sucessivos evidenciam a crescente tendência de parte da plateia em enquadrar autores, jornalistas e demais figuras públicas em categorias ideológicas fixas — definição que, na prática, condiciona o diálogo e a confiança no conteúdo produzido.
Contexto e repercussão
Polzonoff Jr., colunista da Gazeta do Povo, participa regularmente de debates políticos e mantém postura crítica ao que define como “hegemonia cultural de esquerda”. Em declarações anteriores, reiterou receber liberdade editorial total do veículo. Já Guilherme Fiuza, anfitrião da noite, é reconhecido por comentários que confrontam políticas progressistas e defendem reformas de viés liberal-conservador.


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Até o momento, nenhum dos envolvidos divulgou nota oficial sobre o episódio. Não foram registrados protestos nem manifestações formais na livraria. O caso, porém, ganhou espaço em redes sociais, com usuários atribuindo o clima de desconfiança a uma polarização intensificada desde as últimas eleições presidenciais.
Polarização afeta até ambientes culturais
O episódio descrito expõe como eventos literários, tradicionalmente voltados à discussão de ideias, passam a refletir divisões políticas cada vez mais marcantes. A cobrança por declarações explícitas de alinhamento, mesmo diante de autores e jornalistas com trajetória pública, mostra que o debate político extrapolou arenas tradicionais — como parlamentos e programas de entrevista — e alcançou setores antes vistos como neutros, a exemplo de livrarias e feiras culturais.
Especialistas em comunicação apontam que a tendência de rotular profissionais em “direita” ou “esquerda” reduz a amplitude do debate e dificulta a circulação de argumentos. No caso em questão, o questionamento direto — “Olhe nos meus olhos e diga que você não é de esquerda” — demonstra uma busca por compromisso público que, em certa medida, substitui a leitura crítica da obra ou do histórico profissional.

Imagem: ChatGPT
Perspectiva dos envolvidos
Ainda que não tenha se prolongado, o questionamento impactou o jornalista, que classificou a experiência como um pedido de “lealdade ideológica”. Em tom reflexivo, ponderou sobre a perda de nuances na avaliação de opiniões divergentes. O leitor responsável pela pergunta não se identificou formalmente, e seu depoimento não foi registrado além do relato do próprio autor.
Por sua vez, a senhora que reclamou da frase em defesa de Bolsonaro limitou-se a expressar desaprovação, sem prosseguir na discussão. O incidente, portanto, resumiu-se a trocas verbais, sem desdobramentos legais ou compromissos de retratação pública.
Para quem acompanha a política nacional, episódios como esse sinalizam que a desconfiança mútua não se restringe às redes sociais e chega a espaços presenciais, influenciando comportamentos individuais — do pedido inusitado de confirmação ideológica ao desconforto aberto com declarações aparentemente simples.
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Em síntese, o lançamento de “O Grande Circo” transcendeu o propósito literário e expôs mais uma vez o ambiente de polarização que permeia interações sociais no Brasil. Continue acompanhando nosso site para atualizações e análises objetivas sobre os próximos eventos culturais e políticos.
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