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Leilão lidera seleção das canções mais tristes do Brasil

Política

Uma pergunta simples, lançada nas redes sociais, reabriu um debate interminável entre amantes da música nacional: qual é a canção mais triste do cancioneiro brasileiro? O jornalista Paulo Polzonoff Jr. vasculhou a própria memória, sem recorrer a rankings acadêmicos ou listas especializadas, e apresentou um elenco de faixas que, segundo ele, arrancam lágrimas até de ministros do Supremo Tribunal Federal. O levantamento, baseado apenas em recordações pessoais, aponta “Leilão”, de Heckel Tavares e Joracy Camargo, eternizada na voz de Inezita Barroso, como a composição que concentra a maior carga de melancolia.

“Leilão” assume o topo da melancolia

Lançada na década de 1930, “Leilão” descreve o drama de um ex-escravizado que, após a abolição, tenta reencontrar a família. A letra destaca a busca pela mãe, Isabé, e a frustração que se segue ao não encontrá-la. O registro de Inezita Barroso amplifica a dor com interpretações carregadas de sentimento, algo que, para Polzonoff, torna a faixa imbatível quando o assunto é tristeza pura. O autor confessa ter “suado pelos olhos” ao ouvi-la, expressão que resume o impacto emocional provocado pela canção.

Apesar da escolha pessoal, o jornalista admite que não se apoia em critérios científicos nem em análises musicológicas. Trata-se de uma amostragem subjetiva, construída a partir de lembranças, mas que reflete um consenso informal: poucas músicas nacionais atingem a profundidade de “Leilão” quando se trata de retratar perdas irreparáveis.

Canções sertanejas dominam o ranking caseiro

Ao mapear as faixas que mais despertam comoção, Polzonoff observa que o repertório sertanejo apresenta vantagem na arte de emocionar. “Fogão de Lenha”, de Chitãozinho & Xororó, surge logo em seguida. A canção revisita a parábola do filho pródigo: o personagem deixa o lar em busca de sucesso, apenas para descobrir que o verdadeiro valor reside nas origens. É um retrato de arrependimento que muitos brasileiros reconhecem, especialmente quem saiu do interior em direção aos grandes centros.

Outra lembrança citada é “Menino da Porteira”, composição dos anos 1950 que virou filme estrelado por Sérgio Reis e, posteriormente, por Daniel. A narrativa acompanha a amizade entre um boiadeiro e um garoto, encerrada tragicamente. A história, ambientada em paisagens rurais, reforça o protagonismo do sertanejo no quesito lágrimas.

MPB e baladas românticas também choram

Nem só de viola vive a tristeza nacional. No universo da música popular brasileira, “Por Causa de Você”, com voz de Dolores Duran, entra na lista pela combinação de arranjos delicados com interpretação sofrida. A faixa, composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, pinta um cenário de amor destruído e saudade interminável.

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Nos anos 1980, a parceria entre Chico Buarque e Edu Lobo rendeu “Beatriz”, um lamento regravado por Milton Nascimento. A balada reflete a dor de quem busca um amor idealizado, sempre inalcançável. Polzonoff também menciona “Bandolins”, de Oswaldo Montenegro, reconhecendo o poder lacrimoso da melodia, ainda que não seja admirador declarado do autor.

Clássicos de estrada e mar

Entre as faixas que abordam distâncias físicas e emocionais, “Pequitita” (ou “Piquitita”) da dupla Duduca & Dalvan, ganha espaço pela narrativa de um caminhoneiro dividido entre o trabalho e a família. Já “Tristeza do Jeca”, “Chico Mineiro” e “Estrada da Vida” reforçam o tema do homem simples enfrentando destinos implacáveis.

Fora do campo sertanejo, Dorival Caymmi acrescenta sua cota de melancolia com “O Mar”. A canção retrata a força impiedosa das águas e a incerteza de quem vive da pesca. O mar, nessa interpretação, não é cenário idílico, mas ameaça constante.

Roberto Carlos e o desafio de conter as lágrimas

O repertório romântico de Roberto Carlos não costuma faltar nas comemorações familiares, mas duas faixas em especial figuram na relação de Polzonoff. “Detalhes”, marcada pela icônica flauta de abertura, e “O Portão”, outra versão musical da volta ao lar, são apontadas como gatilhos para o choro. O cronista atribui o efeito a elementos como clima, dia da semana e até a dose de uísque consumida pelo ouvinte.

Subjetividade domina qualquer lista

Embora a classificação liderada por “Leilão” seja fruto de vivências pessoais, ela evidencia como diferentes estilos – do caipira raiz ao samba-canção, passando pela MPB de salão – se encontraram ao narrar perdas, saudades e arrependimentos. Cada faixa citada carrega um retrato de época, aliado a arranjos simples e letras diretas que dispensam elaborações modernistas ou teses sociológicas.

Ao final, Polzonoff não reivindica autoridade definitiva sobre o assunto; apenas sugere que o leitor ouça as canções e teste a própria resistência emocional. A experiência, segundo ele, vale tanto para quem busca recordar tempos menos apressados quanto para quem não teme “suar pelos olhos”.

Para continuar acompanhando análises culturais que dialogam com a conjuntura do país, confira também o conteúdo em nossa editoria de Política, onde temas relevantes são tratados com o mesmo olhar direto e informativo.

Em síntese, “Leilão” mantém a coroa de canção mais triste do Brasil, mas divide o pódio com um repertório que soma saudade, arrependimento e solidão. Ouça, compare e compartilhe sua própria lista de faixas que fazem o coração apertar. Afinal, nostalgia também é parte vital da identidade nacional.

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