A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita após a megaoperação policial no Complexo da Penha, confirma um dado já percebido nas ruas do Rio de Janeiro: a maioria dos moradores aprovou a ação que resultou em mais de uma centena de criminosos mortos. Depois de quase dois dias de silêncio, Lula adotou tom moderado e prometeu “trabalho coordenado” contra o crime organizado, ainda que tenha utilizado o episódio para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, enviada pelo Planalto ao Congresso.
Presidente cita “trabalho coordenado”, mas mantém foco na PEC da Segurança
Em comunicado oficial, Lula afirmou que “não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando violência pelas cidades”. Ao mesmo tempo, destacou que a aprovação da PEC da Segurança seria, segundo ele, o caminho para integrar polícias federal, estaduais e forças armadas no enfrentamento às facções.
A proposta, porém, enfrenta resistência de parlamentares da oposição e de governadores que preferem preservar a autonomia dos estados na condução de operações. Críticos veem na emenda o risco de excessiva centralização de poder em Brasília e de esvaziamento das polícias estaduais, consideradas mais ágeis no combate cotidiano ao tráfico.
Reação no Congresso: cobrança por classificação de terrorismo
A demora de Lula em se pronunciar motivou protestos. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que o presidente “leva um dia e meio para se manifestar” e não presta solidariedade às famílias dos agentes mortos, lembrando declarações antigas do petista, nas quais traficantes eram apontados como “vítimas do usuário”. Van Hattem também criticou o governo por rejeitar a inclusão de facções na Lei Antiterrorismo.
Enquanto isso, documentos do Ministério Público e da Polícia Civil, usados para fundamentar a Operação Contenção, descrevem rotina de tortura, cobrança de taxas e uso de drones com granadas nos morros dominados pelo Comando Vermelho. Relatórios revelam imagens de moradores submetidos a tribunais do crime, reforçando a tese de que as facções impõem regime de terror comparável ao de grupos insurgentes.
Governadores buscam alinhamento; ausência de Tarcísio repercute
A mobilização de chefes de Executivo estaduais foi imediata. Governadores de Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná manifestaram apoio público ao governador fluminense Cláudio Castro. A reunião para articular ações conjuntas ocorreu no Palácio Guanabara, mas o paulista Tarcísio de Freitas, aliado de primeira hora de Castro em pautas de segurança, optou por não comparecer. Assessores do governo de São Paulo alegaram “agenda administrativa”.


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Nos bastidores, a ausência foi interpretada como recuo diante de pressões de setores progressistas e de parte da imprensa nacional, que inicialmente classificou a operação como “excessiva”. Analistas veem risco de isolamento político para quem não acompanhar a opinião pública favorável a ações mais firmes contra o tráfico.
Opinião pública sustenta endurecimento
Pesquisas de institutos locais registraram aprovação superior a 70 % à intervenção na Penha. Moradores ouvidos relataram alívio após a retirada de barricadas e redução de tiroteios. Essa percepção tem influenciado veículos de mídia que, nas primeiras horas, enfatizavam críticas a eventuais abusos. Nos telejornais, reportagens passaram a destacar o volume de armas pesadas apreendidas e o impacto positivo sobre o comércio dos bairros vizinhos.

Imagem: Marcelo Camargo
Próximos passos e impasses
O governo federal insiste na tramitação da PEC da Segurança, enquanto líderes da oposição preparam projeto para enquadrar o crime organizado como terrorismo, o que permitiria aplicação de penas mais severas e emprego de instrumentos jurídicos específicos, como bloqueio imediato de bens. De outro lado, entidades de direitos humanos cobram transparência sobre a contagem de mortos e exigem perícia independente em todos os casos de óbito.
No Congresso, ambas as iniciativas devem dominar a pauta nas próximas semanas. Deputados e senadores de partidos de centro-direita calculam que o clamor popular por respostas rápidas ao avanço das facções fortalecerá propostas de endurecimento penal, mesmo com a resistência do Palácio do Planalto.
Em síntese, a reação favorável dos cariocas à operação obrigou o presidente Lula a ajustar o discurso, reconhecer o apoio popular e reforçar a defesa de sua PEC. A disputa agora se concentra em qual modelo de combate ao crime prevalecerá: maior centralização em Brasília ou manutenção da autonomia dos estados, associada a medidas mais duras contra facções.
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