Belém, 10 de novembro de 2025 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente a COP 30 com um discurso que mirou, logo de início, os chefes de Estado ausentes da conferência e os países que destinam recursos elevados a ações militares. Falando para delegações de 194 nações, porém diante de baixa presença de líderes, Lula declarou que “é muito mais barato investir US$ 1,3 trilhão para enfrentar o problema climático do que gastar US$ 2,7 trilhões em guerras”.
Discurso de abertura marcado por críticas
A fala, parcialmente improvisada, destacou a diferença entre as delegações presentes e os mandatários que optaram por não viajar a Belém. Lula acusou esses governantes de priorizar conflitos armados em vez de políticas ambientais, sem citar nomes ou países específicos. O presidente classificou a conferência como um “momento de impor nova derrota aos negacionistas” e criticou, de maneira genérica, medidas que segundo ele atacam o multilateralismo.
Em outro trecho, lido a partir de um texto preparado, Lula afirmou que o mundo passa por uma “era de desinformação”, onde “obscurantistas rejeitam as evidências da ciência, atacam instituições e semeiam o ódio”. O petista apontou eventos climáticos recentes, como o furacão Melissa no Caribe e três tornados que devastaram 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu (PR), para ilustrar a urgência da pauta ambiental.
Propostas e metas defendidas
No mesmo discurso, Lula voltou a cobrar a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU, ideia que já havia apresentado em fóruns internacionais. Ele pediu “mapas do caminho” para acelerar a redução do uso de combustíveis fósseis, interromper o desmatamento e garantir financiamento a países em desenvolvimento.
O presidente elencou três frentes de ação que, segundo ele, devem balizar o compromisso global:
1. Formular e implementar Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) ambiciosas.
2. Assegurar financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países mais pobres.
3. Incrementar políticas de adaptação aos efeitos já visíveis das mudanças climáticas.


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Dados oficiais do comitê organizador apontam que menos de 80 nações entregaram suas NDCs atualizadas, o que cobre 64% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Lula avaliou que o descumprimento dessas metas aprofunda desigualdades sociais, empurra milhões para a pobreza e ameaça anular décadas de progresso.
Presença modesta de chefes de Estado
Embora a COP 30 reúna representantes de quase 200 países, o número de presidentes e primeiros-ministros em Belém é limitado. Essa realidade reforçou o tom crítico de Lula contra os ausentes, sobretudo porque a cúpula ocorre em momento de tensão geopolítica e aumento dos orçamentos de defesa em diversas nações.

Imagem: reprodução
O encontro segue até 21 de novembro, e a presidência brasileira espera que chefes de delegação formalizem compromissos mais rígidos nas sessões de trabalho. A recepção inicial, porém, evidencia um desafio: traduzir discursos em aportes financeiros concretos para projetos de mitigação e adaptação climática.
Contexto político
Lula coloca a conferência como peça-chave de sua agenda internacional, buscando protagonismo na governança ambiental. A retórica adotada nesta abertura — confrontando adversários ausentes e atacando “negacionistas” — indica que o Planalto pretende usar a visibilidade do evento para reforçar a narrativa de liderança do Brasil no debate climático.
Entretanto, a ausência de líderes relevantes e a dificuldade histórica em fazer países ricos cumprirem promessas de financiamento permanecem como obstáculos ao avanço das negociações. O desempenho da conferência deverá ser medido pela capacidade de se transformar declarações em mecanismos de execução, especialmente no que diz respeito à transferência de recursos e tecnologia.
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Resumo: Na abertura da COP 30, Lula direcionou críticas aos líderes mundiais ausentes e comparou gastos militares a investimentos climáticos, defendendo governança global robusta e metas mais ambiciosas. O evento agora terá de converter esses discursos em compromissos financeiros e ações concretas. Continue acompanhando nossas atualizações e participe do debate compartilhando esta matéria.
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