O Ministério das Relações Exteriores impôs sigilo de cinco anos a dois telegramas diplomáticos que detalham ações da JBS nos Estados Unidos e um encontro entre o empresário Joesley Batista e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. A decisão, assinada pelo ministro de segunda classe Kassius da Silva Pontes, foi publicada em despacho oficial em Brasília e restringe o acesso público aos documentos até 2028.
Conteúdo dos telegramas classificados
Os documentos, produzidos pela embaixada brasileira em Washington, são datados de 14 e 31 de julho. O primeiro traz análise sobre investimentos de empresas brasileiras em território norte-americano, com destaque para operações da JBS e de outras companhias do setor de proteína animal. O segundo registra informações de uma comissão parlamentar temporária criada para acompanhar as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
No material de 14 de julho, Joesley Batista aparece como interlocutor de autoridades dos dois países. De acordo com o relatório, o empresário apresentou argumentos para derrubar ou reduzir tarifas comerciais aplicadas sobre carne bovina e produtos de celulose originários do Brasil. Já o texto de 31 de julho descreve reuniões de congressistas brasileiros nos EUA em busca de alternativas ao protecionismo norte-americano.
Reunião com Trump e efeitos sobre tarifas
Segundo informações confirmadas pela embaixada brasileira, Joesley Batista se encontrou com Donald Trump antes de o republicano participar da Assembleia-Geral da ONU. Durante a conversa, o dono da JBS defendeu a abertura de um canal de diálogo direto com o governo brasileiro para resolver impasses tarifários. O empresário sustentou que negociações bilaterais poderiam beneficiar ambos os mercados e reduzir custos para a indústria.
Depois da reunião, as tarifas sobre celulose foram parcialmente reduzidas pelas autoridades norte-americanas. O documento também menciona que o gesto de cordialidade de Trump em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na ONU, abriu caminho para tratativas entre os dois chefes de Estado. Um encontro de trabalho está previsto para o próximo domingo, 26, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde líderes devem discutir comércio e meio ambiente.
Fundamentação do sigilo e ausência de justificativa
O termo de classificação, obtido pela imprensa, confirma que os telegramas foram catalogados como “informações sigilosas” sem detalhar o artigo ou parágrafo da Lei de Acesso à Informação que embasa a medida. O texto oficial apenas declara que se trata de dado classificado, evitando explicar o motivo da restrição ou o grau de sensibilidade do conteúdo.


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A Lei nº 12.527 estabelece que documentos podem ser mantidos em segredo quando a divulgação representar risco à segurança do Estado ou às relações internacionais. No entanto, a norma também recomenda a publicação das razões que levaram à classificação, o que não ocorreu neste caso. Entidades ligadas à transparência questionam a falta de detalhamento e pedem divulgação dos critérios usados pela chancelaria.
Contexto político e empresarial
A JBS, controlada por Joesley e Wesley Batista, é a maior processadora de carnes do mundo e possui forte presença industrial nos Estados Unidos. A companhia se tornou alvo de barreiras alfandegárias em 2017, quando Washington impôs tarifas sobre exportações brasileiras devido a questões sanitárias e disputas comerciais. Desde então, o grupo busca reduzir esses custos por meio de negociações diplomáticas e lobby empresarial.
O sigilo imposto agora revive críticas sobre transparência dentro da gestão petista. Em ocasiões anteriores, o governo mencionou a necessidade de proteger interesses estratégicos nas relações exteriores. Para parlamentares da oposição, a falta de clareza compromete o controle social sobre atos administrativos e dificulta a fiscalização de possível influência privada sobre decisões de Estado.

Imagem: Internet
Repercussão e próximos passos
Organizações civis protocolaram pedidos de esclarecimento no Itamaraty e aguardam posicionamento oficial sobre a fundamentação jurídica do sigilo. Caso a chancelaria mantenha a restrição, a questão pode ser analisada pela Controladoria-Geral da União ou mesmo ser levada ao Judiciário. Até o momento, nem o Palácio do Planalto nem a JBS se manifestaram publicamente sobre a medida.
Enquanto o impasse persiste, o encontro entre Lula e Trump na Malásia deve concentrar atenções. A expectativa é de que ambos discutam reduções adicionais de tarifas e acordos de cooperação em áreas como energia e infraestrutura. Observadores diplomáticos seguem monitorando o tema, mas ainda não há informação sobre a participação de representantes da JBS nas reuniões.
O avanço do sigilo sobre documentos que tratam de interesses empresariais e relações exteriores coloca em evidência o debate sobre transparência e controle público. A oposição articula pedidos de convocação de autoridades no Congresso para explicar a decisão, enquanto entidades de direito à informação preparam recursos formais.
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Em síntese, o governo manteve em segredo detalhes de encontros e análises que envolvem interesses comerciais bilionários. Continue acompanhando as atualizações e mantenha-se informado sobre decisões que podem afetar a economia do país.
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