O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a intenção de concorrer a um quarto mandato em 2026. O anúncio ocorre em meio ao colapso financeiro dos Correios, estatal que não registra lucro desde o início da atual gestão e acumula perdas que ameaçam o patrimônio público.
Prejuízo acelera e ameaça caixa da estatal
No segundo trimestre de 2025, o balanço mostrou prejuízo de R$ 2,64 bilhões, valor superior ao déficit de todo o ano de 2024, que foi de R$ 2,59 bilhões. Projeções internas apontam para uma sangria que pode chegar a R$ 1 bilhão por mês em 2026, caso não haja intervenção estrutural.
O patrimônio líquido dos Correios fechou junho com saldo negativo de R$ 8,7 bilhões. Essa condição indica que, mesmo após a venda de todos os ativos — imóveis, frota, equipamentos, aplicações financeiras e créditos a receber —, faltariam quase R$ 9 bilhões para quitar compromissos.
Parte do rombo decorre de decisões judiciais trabalhistas. Em 2023, a diretoria optou por não recorrer em ação de R$ 614 milhões, lançando o passivo retroativamente em 2022. Outro processo, de R$ 409 milhões, também foi reconhecido no mesmo exercício. A operação contrariou a prática contábil anterior e dispensou parecer da Advocacia-Geral da União.
Outro foco de pressão é o Postalis, fundo de pensão dos empregados. Em 2024, a empresa se comprometeu a cobrir 50% de um déficit de R$ 15 bilhões; o restante recaiu sobre funcionários e aposentados. Dos R$ 15 bilhões, R$ 9 bilhões referem-se a maus investimentos realizados entre 2011 e 2016.
Empréstimo bilionário envolve risco ao Tesouro
Para evitar a insolvência imediata, o governo negocia um empréstimo de R$ 20 bilhões, envolvendo Caixa, Banco do Brasil e possivelmente bancos privados. O foco do crédito não é investimento em modernização, mas pagamento de dívidas de curto prazo, folhas salariais e fornecedores.


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Tanto Caixa quanto Banco do Brasil manifestaram receio de inadimplência. A proposta prevê garantia do Tesouro Nacional, o que transfere o risco integral para o contribuinte caso a estatal não honre o débito.
Especialistas internos alertam para impacto fiscal relevante se o calote se concretizar, ampliando pressão sobre contas públicas em ano eleitoral. Entre 2020 e 2021, os Correios apresentaram lucros de R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões, respectivamente. Integrantes da gestão passada atribuem o resultado a cortes de custos e ganho de eficiência; a equipe atual argumenta que o desempenho foi inflado pelo aumento pontual de entregas durante a pandemia e pela suspensão de investimentos.
Privatização interrompida e nomeações contestadas
Em 2023, o governo encerrou o processo de privatização iniciado na gestão anterior. No lugar, Lula nomeou o advogado Fabiano Silva dos Santos, ligado ao grupo Prerrogativas, para a presidência da estatal. A escolha descumpriu requisito de experiência previsto na Lei das Estatais, mas foi mantida por decisão liminar do STF. Santos permaneceu 31 meses no cargo e saiu em julho de 2025.
Somente em setembro o Executivo indicou o substituto. O novo presidente é Emmanoel Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil. Ele assume a companhia com caixa crítico, necessidade imediata de capitalização e concorrência crescente de gigantes do comércio eletrônico que investem bilhões de reais por ano em logística própria.

Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom
Concorrência privada e função social
O ambiente de mercado intensificou-se nos últimos anos. Amazon, Mercado Livre e Magalu expandiram centros de distribuição e frota própria, reduzindo a dependência da rede estatal. Ao mesmo tempo, os Correios mantêm a obrigação de operar em todos os 5.570 municípios, inclusive localidades sem atratividade comercial para concorrentes privados, o que pressiona despesas de operação.
Entre 2013 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff, a estatal também registrou deficits motivados por folha de pagamento elevada e congelamento tarifário. O cenário atual repete o desequilíbrio, agora agravado pela queda de participação de mercado e passivos trabalhistas.
Contribuinte no centro da conta
Se aprovado, o empréstimo bancado pelo Tesouro transformará o cidadão em fiador da estatal. Caso o fluxo de caixa não se normalize, o pagamento recairá sobre o orçamento federal, ampliando o endividamento público. A equipe econômica não apresentou alternativa de longo prazo além do crédito emergencial, adiando a discussão sobre privatização ou abertura de capital.
O cenário coloca pressão adicional sobre Lula durante a campanha de 2026. Ao buscar novo mandato, o presidente terá de explicar a interrupção da venda da empresa, os prejuízos acumulados e o socorro que põe o bolso do contribuinte em risco.
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Em síntese, os Correios enfrentam déficit acelerado, patrimônio negativo e dependência de empréstimo coberto pelo Tesouro. A gestão federal encerrou a privatização, mudou a direção da empresa e agora busca recursos para mantê-la operante. A situação exige respostas do governo e atenção redobrada do contribuinte. Continue conosco e receba as atualizações mais relevantes sobre economia e política.
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