Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira, 27, que pretende propor ao ex-presidente norte-americano Donald Trump um esforço conjunto para mediar a guerra entre Rússia e Ucrânia. O petista encontrou o republicano no domingo, 26, em Kuala Lumpur, Malásia, e afirmou ver “ponto de maturidade” para um acordo.
Encontro em Kuala Lumpur expõe tentativa de protagonismo
De acordo com o próprio Lula, a conversa direta sobre Ucrânia ainda não ocorreu. Mesmo assim, o chefe do Executivo brasileiro disse a jornalistas que planeja apresentar a oferta a Trump “qualquer dia”. O presidente salientou que se colocou à disposição para atuar em crises internacionais, citando também a Venezuela.
O gesto ocorre enquanto Trump mantém comunicação com os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, embora nenhum encontro presencial entre os três tenha sido confirmado. A movimentação do republicano em pautas de política externa vem ganhando repercussão nos Estados Unidos, especialmente no meio conservador, cenário que Lula parece disposto a acompanhar.
“O que está faltando é colocar na mesa de negociação”, declarou o petista. Segundo ele, tanto Moscou quanto Kiev já conheceriam seus limites e objetivos, restando apenas costurar um cessar-fogo. Lula reforçou a avaliação de que o conflito — iniciado em fevereiro de 2022 — estaria perto do “ponto” para um desfecho diplomático.
Tentativa anterior fracassou e governo volta a apostar em Trump
Desde o início de seu terceiro mandato, Lula busca espaço como mediador internacional. Nos primeiros meses de 2023, o Planalto sinalizou a intenção de liderar um “clube da paz” sobre a guerra no Leste Europeu, sem sucesso. Enquanto isso, Washington, União Europeia e a própria ONU seguem concentrando as principais iniciativas de negociação.
Ao associar-se agora a Trump, o presidente brasileiro mira um interlocutor que possui interlocução direta com ambos os lados do conflito. Para analistas ouvidos nos bastidores, a estratégia tenta driblar a falta de resultados práticos obtidos pelo Itamaraty até o momento.


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Lula defendeu que “estamos chegando no ponto de acabar com essa guerra”. Entretanto, nem o Kremlin nem o governo Zelensky comentaram publicamente sobre qualquer proposta liderada por Brasília.
Gafe sobre reeleição reforça pressão interna
Além das declarações sobre a guerra, Lula reconheceu ter cometido um erro ao anunciar a candidatura à reeleição fora do país. O anúncio ocorreu na quinta-feira, 23, em Jacarta, Indonésia, durante agenda oficial. “Foi um lapso da minha parte, eu não tenho voto lá”, admitiu o presidente já em solo malaio.
A autocrítica surge em meio a questionamentos sobre a prioridade dada pelo governo a pautas externas. Enquanto discute mediações internacionais, o Palácio do Planalto enfrenta cobranças domésticas diante de um gasto anual próximo de R$ 500 bilhões em benefícios sociais — número confirmado pela equipe econômica.
O presidente completou 80 anos nesta segunda-feira e comentou sentir-se “no auge” da vida. “Espero viver até os 120 anos”, disse. A declaração ocorreu quando perguntado sobre disposição física para disputar novo mandato em 2026.

Imagem: Internet
Contexto geopolítico e próximos passos
A guerra Rússia-Ucrânia contabiliza dezenas de milhares de mortos, sanções econômicas bilionárias e impactos na segurança energética europeia. Em Washington, a pré-campanha presidencial republicana transformou o tema em ativo eleitoral, com Trump defendendo solução rápida e apontando erros da administração democrata.
Nesse cenário, Lula insiste que a intervenção brasileira pode agregar valor. O petista argumenta que o Brasil mantém relações diplomáticas abertas com Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia, condição que permitiria “falar com todos”. Ainda assim, diplomatas observam que o país carece de influência militar ou econômica direta sobre as partes beligerantes, fator decisivo em qualquer mesa de negociação.
Por ora, não existe data para a proposta ser oficializada. O Palácio do Planalto informou apenas que a “conversa deverá ocorrer no momento oportuno”. Assessores de Trump também não confirmaram agenda específica sobre o tema.
Para quem acompanha de perto as movimentações de governo, a aproximação com Trump sinaliza nova etapa da política externa brasileira, agora mais focada em pragmatismo e busca de resultados concretos. Se a iniciativa resultará em cessar-fogo ou ficará restrita ao campo retórico, dependerá da receptividade de Moscou e Kiev nas próximas semanas.
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Em resumo, Lula tenta capitalizar a influência de Donald Trump para colocar o Brasil no centro das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, ao mesmo tempo em que lida com críticas internas e ajusta sua estratégia de reeleição. Siga acompanhando nosso site para novos desdobramentos e análises objetivas.
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