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Lula critica “celeuma” e apoia pesquisa da Petrobras em nova fronteira de petróleo

Econômia

Brasília, 30 de maio — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que há “muita celeuma” em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial, área que compreende a bacia da foz do rio Amazonas. Durante reunião no Palácio do Planalto com executivos da Mercedes-Benz, o chefe do Executivo defendeu a continuidade dos estudos da Petrobras na região e reiterou que a transição energética precisa ser construída de forma gradual.

Presidente justifica pesquisa e rejeita interrupção brusca do uso de petróleo

Lula citou a recente licença do Ibama para atividades sísmicas da estatal e classificou o debate sobre o tema como excessivamente polarizado. “Foi autorizada a pesquisa e não é possível abandonar o combustível fóssil do dia para a noite”, declarou. O presidente ressaltou que o país pretende liderar a transição para fontes limpas, mas, segundo ele, isso exige planejamento e responsabilidade ambiental. “Precisamos avaliar a Margem Equatorial com o cuidado que o meio ambiente requer e mostrar que o Brasil pode ser referência mundial na mudança da matriz energética”, acrescentou.

Ao lado do presidente estavam o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A conversa, fechada à imprensa, ganhou publicidade após a Secretaria de Comunicação Social difundir a gravação.

Ministro defende equilíbrio entre petróleo e biocombustíveis

Questionado por Lula sobre o plano para biocombustíveis, Alexandre Silveira comparou o potencial brasileiro nesse segmento ao papel do petróleo na economia saudita. “O biocombustível para o Brasil é o que o petróleo significa para a Arábia Saudita”, disse o ministro. Ele argumentou que a coexistência de políticas para hidrocarbonetos e renováveis garante destaque ao país nos fóruns internacionais de clima, como a COP. “O equilíbrio entre essas agendas permite que o Brasil se apresente como protagonista da descarbonização”, destacou.

Quanto à Margem Equatorial, Silveira lembrou que a discussão global gira em torno da demanda, não da oferta. “Enquanto o mundo consumir petróleo, o Brasil não pode renunciar a essa riqueza. Ela é fundamental para combater a miséria e a fome”, afirmou, mencionando conquistas sociais de governos anteriores como justificativa para manter a exploração.

Petrobras vista como empresa de energia no longo prazo

Em sua fala, Lula reforçou que a Petrobras deixará de ser apenas uma companhia petrolífera e se transformará em uma empresa de energia ampla. Ele mencionou o projeto de lei “Combustível do Futuro”, já aprovado, como marco para a atualização da matriz. “Continuaremos usando petróleo enquanto for necessário, mas a Petrobras vai se tornar, com o tempo, uma empresa de energia. Esse será o verdadeiro sucesso”, disse o presidente.

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Apesar do tom favorável ao desenvolvimento, Lula apontou a necessidade de combinar exploração com cuidados ambientais. A Margem Equatorial abriga ecossistemas sensíveis, o que tem levantado críticas de organizações ambientalistas. Ainda assim, o governo mantém o entendimento de que a pesquisa pode avançar sem comprometer a biodiversidade, desde que submetida aos requisitos técnicos do Ibama.

Contexto econômico e político

A Margem Equatorial é a última fronteira exploratória de grande escala no país. Estudos indicam potencial de bilhões de barris, comparável a descobertas no Suriname e na Guiana. Para o Planalto, a produção nessa área pode reforçar a segurança energética, aumentar a arrecadação de royalties e impulsionar investimentos em infraestrutura, fatores considerados estratégicos para o crescimento econômico.

O debate se intensificou após o Ibama autorizar testes sísmicos. Parlamentares de oposição e setores ligados ao agronegócio veem na liberação uma oportunidade de geração de emprego e renda, enquanto parte de ONGs questiona o impacto sobre comunidades costeiras. A administração federal busca conciliar esses interesses, argumentando que os protocolos ambientais brasileiros são dos mais rigorosos.

Próximos passos

A Petrobras deve iniciar as pesquisas geofísicas nos próximos meses. Caso os resultados confirmem a viabilidade comercial, a estatal deverá encaminhar novos pedidos de licença para perfuração exploratória. O governo pretende acompanhar de perto o cumprimento das condicionantes e usar os dados gerados para embasar futuras decisões sobre produção.

Para acompanhar outras decisões estratégicas do governo, visite a seção de Política do nosso site.

Em síntese, o presidente reafirma o compromisso com a transição energética, mas sustenta que o Brasil não abrirá mão de recursos valiosos enquanto a demanda global por petróleo persistir. A postura reflete uma estratégia de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. Se você considera esse tema relevante, compartilhe a matéria e deixe seu comentário sobre os rumos da política energética nacional.

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