Jacarta, 28.out.2025 – Em declaração feita a jornalistas durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “traficantes também são vítimas dos usuários”, responsabilizando dependentes químicos pela existência do narcotráfico. A frase provocou reação imediata no Congresso, gerou intenso debate nas redes sociais e obrigou o Palácio do Planalto a montar operação de contenção de danos poucas horas depois.
Declaração em viagem à Indonésia
Questionado sobre a postura do governo brasileiro diante das ações dos Estados Unidos contra cartéis da América Latina, Lula afirmou ser “possivelmente mais fácil combater os nossos viciados internamente” do que enfrentar o crime organizado. O pronunciamento, classificado nos bastidores como um dos maiores deslizes de sua trajetória política, ganhou repercussão internacional e alimentou críticas sobre a política de segurança pública adotada pelo atual governo.
Sob pressão, Lula publicou nota na rede X ainda no mesmo dia, atribuindo o episódio a “frase mal colocada”. Entretanto, parlamentares da oposição defendem que a declaração reflete a visão histórica do Partido dos Trabalhadores, que prioriza explicações sociológicas para a criminalidade e rejeita medidas mais duras contra organizações como Primeiro Comando da Capital (PCC) ou Comando Vermelho (CV).
Reação política e contexto de segurança pública
Líderes do PL, principal legenda de oposição, acusaram o presidente de inverter valores ao vitimizar quem lucra com a venda de drogas e culpar famílias atingidas pela violência. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) declarou no plenário que “o brasileiro de bem é tratado como culpado, enquanto o governo passa pano para bandido”.
No Senado, Jorge Seif (PL-SC) apresentou levantamento apontando que, apenas em 2024, o Superior Tribunal de Justiça expediu 9.166 habeas corpus para investigados ou condenados por tráfico, enquanto o Supremo Tribunal Federal concedeu outros 577. O parlamentar sustenta que decisões desse tipo encontram respaldo em discurso semelhante ao de Lula, que relativiza o papel do narcotráfico.
Recentes vetos presidenciais reforçam essa percepção. Em maio de 2024, Lula barrou projeto que restringia saídas temporárias de presos do regime semiaberto, justificando “questão de princípio”. O veto acabou derrubado pelo Congresso, mas a aplicação ainda aguarda pronunciamento do STF para casos anteriores à nova lei.


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Políticas que favorecem o desencarceramento
O Ministério da Justiça lançou, em 2024, o Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária 2024-2027, que recomenda “desencarceramento em massa” e criação de programas de “pena justa”. O documento, patrocinado por Ricardo Lewandowski, atribui a superlotação dos presídios a “questões raciais” e “prisões arbitrárias”, sem mencionar o avanço do crime organizado. Para setores conservadores, a proposta ignora o anseio popular por leis mais rígidas e penalidades efetivas.
Casos recentes reforçaram a controvérsia. A presença de Luciane Barbosa Farias, conhecida como “Dama do Tráfico”, em agendas oficiais do Ministério da Justiça em 2023, e a articulação de visita presidencial à Favela do Moinho com intermédio de ONG ligada ao PCC foram usados por oposicionistas como exemplos de proximidade indevida com grupos criminosos.

Imagem: Ricardo Stuckert
O impacto da violência também é evidente em estatísticas. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a Bahia — governada pelo PT há quase duas décadas — exibe taxa de 40,6 homicídios por 100 mil habitantes, segunda maior do país, e abriga cinco das dez cidades mais violentas. Para críticos, o dado retrata o resultado prático de políticas brandas e discursos que minimizam a responsabilidade de criminosos.
Consequências para 2026
Com as eleições de 2026 no horizonte, a pauta da segurança pública tende a ganhar espaço predominante. Partidos de oposição já sinalizam que utilizarão a fala de Lula como evidência de complacência com o tráfico. Analistas avaliam que a necessidade de conter desgaste obrigará o Planalto a rever estratégias comunicacionais e, possivelmente, discutir mudanças em projetos considerados lenientes.
Enquanto isso, governadores e prefeitos pressionam por verbas adicionais para policiamento ostensivo, alegando aumento da criminalidade violenta. Organizações civis apontam que a população deseja punições mais severas e criticam a ênfase governamental em “reinserção” sem contrapartida de redução efetiva dos índices de violência.
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Em síntese, a declaração de Lula ao culpar usuários e elevar traficantes à condição de vítimas expôs, mais uma vez, a diretriz penal do governo e reacendeu o debate sobre o combate ao crime no país. Continue acompanhando nossas publicações e fique informado sobre os desdobramentos desse tema crucial para o Brasil.
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