Brasília, 19 de outubro de 2025 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Senado a indicação do advogado Jorge Rodrigo Messias, chamado desde 2016 de “Bessias”, para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha transforma o antigo assessor jurídico da Presidência em ministro vitalício da mais alta Corte do país.
Trajetória marcada por lealdade ao Planalto
Messias ganhou notoriedade em 16 de março de 2016, quando apareceu em interceptação telefônica da então presidente Dilma Rousseff informando que “o Bessias” levaria o termo de posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil. A conversa, tornada pública na época, ligou a imagem do assessor à tentativa de blindar o ex-presidente contra investigações da Operação Lava Jato.
Após o episódio, o jurista permaneceu no entorno petista. Em 2023, já no terceiro mandato de Lula, foi nomeado Advogado-Geral da União e criou a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, estrutura com a missão oficial de combater a desinformação. Na prática, a iniciativa concentrou, dentro do Executivo, a prerrogativa de definir o que seria conteúdo falso sobre políticas públicas, medida que recebeu críticas de parlamentares da oposição e de entidades civis por potencial restrição à liberdade de expressão.
A indicação ao STF, anunciada nove anos após o famoso telefonema, consolida uma ascensão que se sustenta, segundo críticos, mais na fidelidade partidária do que em produção acadêmica ou longa carreira na magistratura. Diplomas não faltam — Messias é mestre em Direito e professor universitário —, mas sua experiência predominante foi no aparato político do Planalto.
Negociações no Senado envolvem cargos nos Correios
A sabatina de Messias será conduzida pela Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP). Para garantir votos, o governo patrocinou intensa articulação entre líderes governistas e integrantes do centrão.
De acordo com informações obtidas junto a assessores parlamentares, o Palácio do Planalto teria oferecido três diretorias dos Correios em troca de apoio à aprovação do indicado. A estatal, que anunciou déficit recorde de R$ 20 bilhões, tornou-se moeda de barganha na reta final das negociações. Alcolumbre, responsável por pautar e relatar sabatinas, passou a ser figura-chave nesse processo.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




A prática de ceder postos em estatais para assegurar votos não é inédita, mas volta a ganhar visibilidade com o caso Messias. Ao final da sabatina, a indicação segue para o plenário, onde precisa do aval de ao menos 41 senadores. Até o momento, o governo afirma possuir maioria confortável, embora a oposição prometa questionamentos sobre a capacidade de o indicado atuar de forma independente.
Reações e impacto institucional
Líderes oposicionistas afirmam que a nomeação “premia” um quadro do partido responsável por defender interesses do governo nos tribunais, reforçando a percepção de aparelhamento das instituições. Em resposta, a base governista ressalta a formação acadêmica de Messias e sustenta que a Constituição concede ao presidente o direito de escolher livremente ministros do STF.
Organizações jurídicas avaliam que o próximo ministro terá papel relevante em ações sobre liberdade de expressão e limites da desinformação — temas que ganharam centralidade justamente depois da criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia. Caso aprovado, Messias herdará processos sobre regulação de plataformas digitais, autonomia das agências de checagem e eventuais contestações à chamada “lei das fake news”.

Imagem: Ricardo Stuckert
A sessão de sabatina está prevista para ocorrer até o fim de novembro. Se o nome for confirmado antes do recesso parlamentar, o novo ministro tomará posse ainda neste ano, compondo o quorum completo de 11 magistrados no STF.
Correios sob novo comando e déficit histórico
Enquanto a indicação avança, os Correios enfrentam rombo bilionário e redução no volume de correspondências. A troca de dirigentes, parte do acordo político, deve impactar a gestão e o plano de recuperação da estatal. Analistas veem risco de ampliação do déficit caso a distribuição de cargos siga critérios políticos e não técnicos.
Parlamentares da oposição prometem convocar audiências para debater a situação financeira da empresa e questionar a liberação de diretorias em meio à busca por votos no Senado. Integrantes da base defendem que mudanças são necessárias para “modernizar” a estatal e colocá-la em sintonia com prioridades governamentais.
Na prática, a ascensão de Jorge Messias ao STF simboliza a continuidade de indicações associadas à lealdade política em detrimento de trajetórias exclusivamente jurídicas. O desfecho da sabatina mostrará se o Senado concorda com esse padrão ou se cobrará independência mais explícita do novo ministro.
Se quiser acompanhar outras movimentações que envolvem o Executivo e o Legislativo, visite a seção de política em Geral de Notícias.
Em resumo, a nomeação de “Bessias” reforça o debate sobre apadrinhamento, uso de estatais como moeda de troca e limites entre governo e Judiciário. Continue acompanhando nossas atualizações e participe deixando sua opinião nos comentários.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

