São Paulo, 2 de setembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) afirmou que o Supremo Tribunal Federal “não está julgando ninguém de forma pessoal” no processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e outros sete investigados. Em discurso no velório do jornalista Mino Carta, o chefe do Executivo disse ter enfrentado situação semelhante durante a operação Lava Jato e declarou: “Eu não fiquei chorando, eu fui à luta”.
Referência ao julgamento no STF
O julgamento iniciou na manhã desta terça-feira (2) na Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e presidência do ministro Cristiano Zanin. Estão agendadas novas sessões para 3, 9, 10 e 12 de setembro. O processo analisa a suposta participação de Bolsonaro e de auxiliares em uma tentativa de abalar a ordem constitucional.
Ao comentar o caso, Lula afirmou considerar “essencial” que todos os acusados tenham amplo direito de defesa. Segundo o presidente, ele próprio teria sido impedido de exercer plenamente esse direito durante as ações penais que o levaram à prisão em 2018. “Ele [Bolsonaro] pode se defender como eu não pude me defender e eu não reclamei”, declarou. Ainda de acordo com Lula, “se é inocente, prove que é inocente, prove que não tem nada a ver com isso, está de bom tamanho”.
Quem são os réus além de Bolsonaro
O núcleo 1 da denúncia, que atualmente responde ao STF, reúne militares, ex-ministros e ex-assessores diretos do antigo chefe do Executivo. São eles:
– Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal pelo PL-RJ;
– Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
– Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
– Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
– Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e signatário de acordo de delação premiada;
– Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
– Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil.
Contexto das declarações
A fala de Lula ocorreu durante cerimônia fúnebre realizada no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, em homenagem ao jornalista ítalo-brasileiro Mino Carta, falecido no último domingo (31). Diante de correligionários e da imprensa, o presidente reforçou que o STF “julga fatos, não pessoas” e recorreu à própria experiência judicial para ilustrar a necessidade de que os investigados “provem inocência”.


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Ao mencionar o ex-presidente, Lula comparou as circunstâncias atuais com o período em que permaneceu preso: “Eu não pude me defender e eu não fiquei chorando”, disse, indicando que Bolsonaro teria mais recursos para se manifestar. A declaração gerou reações imediatas nos bastidores, uma vez que a defesa do ex-mandatário argumenta haver cerceamento de direitos e parcialidade no Supremo, especialmente por Alexandre de Moraes acumular funções de vítima e julgador no caso.
Próximos passos do processo
O cronograma divulgado pela Suprema Corte prevê continuidade das sustentações orais na quarta-feira (3) e prosseguimento na semana seguinte. O relator Alexandre de Moraes deve apresentar voto até o dia 9, seguido pelos demais ministros da Primeira Turma. Caso haja pedido de vista, o calendário poderá sofrer alterações, adiando eventual decisão de pronúncia, condenação ou absolvição.

Imagem: Marcelo Camargo
A Procuradoria-Geral da República sustenta que o grupo articulou uma “organização criminosa” para questionar o resultado das eleições de 2022, enquanto as defesas negam qualquer prática ilícita. No início desta semana, Bolsonaro informou que não compareceria ao segundo dia de sessão, alegando problemas de saúde.
Repercussões políticas
Nos corredores do Congresso, parlamentares da oposição criticaram a postura de Lula, avaliando que o presidente busca relativizar o direito de defesa. Aliados do Planalto, por outro lado, consideram a fala “normal” e afirmam que o ex-presidente da República tem acesso a todos os instrumentos processuais assegurados pela Constituição.
O ambiente jurídico também aguarda a análise de um pedido de suspeição contra Moraes, apresentado por advogados de um dos réus. A eventual aceitação poderia alterar a composição da Turma e modificar prazos processuais. Até o momento, não há previsão de julgamento sobre o tema.
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Em síntese, o presidente Lula utilizou o velório de um aliado histórico para reforçar a narrativa de que enfrentou processos mais severos do que aqueles dirigidos hoje ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Caberá ao STF avaliar as provas reunidas e definir a responsabilidade de cada investigado. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba atualizações em tempo real sobre os bastidores de Brasília.
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