Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o Brasil à disposição dos Estados Unidos para atuar como mediador na escalada de tensão com a Venezuela, durante reunião de 50 minutos com o presidente Donald Trump, em Kuala Lumpur.
Encontro reservado na Malásia
O diálogo ocorreu no domingo, 26, à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), por volta das 16h no horário local (5h em Brasília). Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou a Trump que a América do Sul é “região de paz” e que o Palácio do Planalto está pronto para servir de interlocutor entre Washington e Caracas.
Apesar de o tema oficial previsto para a agenda ser o comércio bilateral, especialmente as tarifas impostas por Washington a produtos nacionais, Lula insistiu em incluir a questão venezuelana. Antes da reunião, Trump havia dito a jornalistas que “não achava” que o assunto fosse aparecer, mas o brasileiro levou a discussão à mesa.
Oferta de mediação e justificativa de Brasília
De acordo com Mauro Vieira, Lula recordou que já atuou como interlocutor em crises envolvendo Caracas e afirmou ver espaço para “soluções mutuamente aceitáveis” que preservem a soberania dos países. O Planalto avalia que uma eventual incursão militar norte-americana poderia provocar instabilidade em toda a região e afetar diretamente o território brasileiro.
A proposta de mediação surge no momento em que o Pentágono desloca ativos navais para o Caribe. Na sexta-feira, 24, o Departamento de Defesa anunciou o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado de outros navios de guerra. Em nota, o porta-voz Sean Parnell declarou que a presença da frota visa “detectar, monitorar e desmantelar atividades ilícitas que comprometam a segurança dos Estados Unidos e do Hemisfério Ocidental”.
Tensões no Caribe e reação de Maduro
As relações entre Washington e o regime de Nicolás Maduro agravaram-se após informações da emissora CNN de que a Casa Branca estuda atacar instalações de produção de cocaína dentro da Venezuela. Em resposta, o ditador venezuelano pediu “paz para sempre” e condenou qualquer ofensiva militar, classificando a possibilidade como “guerra louca”.


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Lula, em entrevista concedida dias antes em Jacarta, havia criticado ações unilaterais contra o narcotráfico. Para o petista, os EUA deveriam “conversar com a polícia dos outros países” para coordenar operações, em vez de conduzir ataques isolados. O presidente indicou que levaria esse ponto a Trump se o republicano aceitasse debater o tema.
Comércio bilateral também em pauta
Embora a crise venezuelana tenha ganhado destaque, a conversa abordou tarifas norte-americanas aplicadas a produtos brasileiros. Não foram divulgados detalhes sobre possíveis avanços, mas o Planalto busca reduzir barreiras que afetam exportações de aço, alumínio e produtos agrícolas.

Imagem: Internet
O Itamaraty não informou se novas reuniões estão previstas. A expectativa de Brasília é que a oferta de mediação seja considerada por Washington, evitando ações militares que possam respingar no território brasileiro e afetar parceiros comerciais sul-americanos.
Em meio à movimentação naval dos EUA e à retórica de Caracas, a posição brasileira tenta equilibrar relações com a Casa Branca, manter diálogo aberto com Maduro e preservar a estabilidade regional. Resta agora avaliar se Trump aceitará o papel de arbitragem sugerido por Lula ou seguirá com a estratégia de pressão militar no Caribe.
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Resumo: Lula ofereceu a Trump intermediar o impasse com a Venezuela, citando riscos de conflito na América do Sul e defendendo cooperação contra o narcotráfico. A resposta da Casa Branca ainda não foi divulgada. Acompanhe nossos próximos artigos e fique informado sobre os desdobramentos.
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