Brasília, 20 out. 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou neste segunda-feira o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. A nomeação será publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (21) e encerra a passagem de Márcio Macêdo pelo cargo.
Entrada de Boulos redefine articulação com movimentos sociais
Conhecido nacionalmente pela liderança no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Boulos assume a pasta responsável pela interlocução direta do Palácio do Planalto com sindicatos e demais organizações populares. Nas redes sociais, o parlamentar agradeceu a Lula e afirmou que sua “principal missão será colocar o governo na rua, levando realizações e ouvindo demandas populares em todos os estados”.
A posse do deputado ocorre em meio à estratégia do Planalto de reorganizar a equipe para as eleições de 2026. Aliado próximo de Lula desde a campanha municipal de São Paulo em 2024, Boulos reforça a presença de figuras da esquerda militante no primeiro escalão e amplia a representação do PSOL, que já controla o Ministério dos Povos Indígenas com Sônia Guajajara.
Participaram da conversa que selou a troca os ministros Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social). Todos acompanharam o presidente após a cerimônia de lançamento do programa Reforma Casa Brasil, no Palácio do Planalto, onde Boulos esteve na primeira fila.
Saída de Márcio Macêdo abre caminho para disputa em 2026
M árcio Macêdo divulgou vídeo confirmando que deixará o cargo para concorrer nas eleições de 2026. Segundo ele, a entrada de Boulos ocorreu sob o compromisso de que o novo ministro não disputará cargos eletivos no próximo pleito, concentrando-se exclusivamente na gestão.
Macêdo vinha acumulando desgaste desde o ato fracassado do Dia do Trabalhador, em 1.º de Maio de 2024, quando menos de duas mil pessoas compareceram ao evento unificado das centrais sindicais em São Paulo. Na ocasião, Lula criticou publicamente a convocação e cobrou mais mobilização do então ministro.


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Ao anunciar a mudança, Lula elogiou o “companheirismo” de Macêdo, que o acompanhou em caravanas, na campanha de 2022 e na transição de governo. Ainda assim, a baixa capacidade de mobilização popular pesou na decisão de substituição em um momento em que o Planalto busca aproximar-se das bases tradicionais para fortalecer o projeto eleitoral.
Décima terceira troca ministerial no terceiro mandato
Com a chegada de Boulos, Lula atinge 13 mudanças de titulares em ministérios desde janeiro de 2023. A lista inclui saídas sensíveis como a de Flávio Dino (Justiça), trocado por Ricardo Lewandowski, e a de Nísia Trindade (Saúde), substituída por Alexandre Padilha. Também houve alterações em Turismo, Esportes, Portos e Aeroportos, Previdência e na Secretaria de Comunicação Social.
A Secretaria-Geral volta ao centro das discussões políticas porque historicamente funciona como ponte entre o Palácio e movimentos de rua. Ao investir em um nome ligado a ocupações urbanas e pautas identitárias, Lula sinaliza que pretende recuperar a militância que o apoiou nas últimas campanhas e que, segundo aliados, vem demonstrando desânimo diante de pautas econômicas pouco populares.

Imagem: Ricardo Stuckert
Repercussão e próximos passos
Setores do agronegócio, empresariado e oposição no Congresso reagiram com cautela, lembrando episódios de confrontos envolvendo o MTST em assembleias legislativas e em propriedades privadas. Para esses grupos, a escolha de Boulos amplia a influência de correntes radicais no governo e pode acirrar atritos com parlamentares favoráveis a reformas pró-mercado.
Por outro lado, movimentos sociais comemoraram a nomeação, destacando a “trajetória de luta” do novo ministro. O governo avalia que a presença de Boulos facilitará a organização de atos de rua em defesa de pautas federais, algo considerado vital para sustentar agendas de gastos e programas habitacionais.
A posse oficial deve ocorrer ainda esta semana, em solenidade no Planalto. Até lá, equipes da Secretaria-Geral e do gabinete parlamentar de Boulos alinham transição administrativa. A expectativa é de que o novo ministro comece viagens aos estados já em novembro, priorizando regiões metropolitanas com déficit habitacional elevado.
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Em síntese, a substituição na Secretaria-Geral reafirma a estratégia de Lula de cercar-se de lideranças de movimento social às vésperas de novo ciclo eleitoral. Fique atento às atualizações e compartilhe esta matéria para manter seu círculo bem-informado.
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